
Nº 1888
04.Fevereiro.2010


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Abaixo-Assinado
Em defesa da liberdade e da democracia
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“Com o 25 de Abril, um momento maior da história e da luta do Povo português, conquistámos a liberdade e abrimos as portas para profundas transformações na vida nacional. Ao derrubamento do regime fascista, sucedeu-se o lançamento das bases fundamentais de uma democracia integrando, complementarmente, as vertentes política, económica, social e cultural – uma democracia amplamente participada e conjugada com uma inequívoca afirmação de defesa da independência e soberania nacionais. O regime democrático assim moldado foi consagrado na Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976 – sem dúvida um dos textos constitucionais mais avançados e progressistas da Europa. Sabemos que, de então para cá, com responsabilidades e cumplicidades de diferentes governos e presidentes da República, a Constituição, não só não foi cumprida, como ainda foi desfigurada, por sucessivas revisões, em muitos dos seus aspectos fundamentais. E sabemos que, apesar disso, o cumprimento do actual texto constitucional, continuando a contemplar um inequívoco projecto democrático, constituiu a mais sólida garantia para defender a liberdade e o regime democrático, para projectar a defesa dos interesses dos trabalhadores, do Povo e do País. Neste novo século, 33 anos depois do Dia da Liberdade, é tempo de reflectirmos sobre o caminho percorrido desde então e sobre a situação hoje existente. Se em muitos planos vivemos hoje profundas inquietações na evolução do País, é na democracia social e económica, nas condições objectivas de vida dos trabalhadores e das populações, no desemprego, nos baixos salários, no trabalho precário, nas reformas e pensões de miséria, nas desigualdades sociais, na destruição de serviços públicos e do carácter universal do direito à saúde, ao ensino e à segurança social, que mais se faz sentir a degradação do regime democrático e que o colocam em perigo. Situações essas que caminham a par e passo, com crescentes limitações aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, em particular dos trabalhadores e activistas sindicais no exercício dos seus direitos constitucionais, entre os quais, o direito à greve. Direitos, liberdades e garantias dos cidadãos cujo exercício pleno se encontra cada vez mais vigiado e condicionado, quer nas muitas formas de organização e intervenção política e social, quer no acesso à informação, à cultura e à liberdade de expressão. Regressões também no sistema político com a subversão do princípio constitucional da subordinação do poder económico ao poder político e onde, a pretexto de uma chamada «reforma», foram aprovadas leis profundamente antidemocráticas – como é o caso da «Lei dos Partidos» e da «Lei do Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais» – e está em curso um processo de criação de leis eleitorais que distorcem o princípio da proporcionalidade. Paralelamente, assiste-se a uma poderosa operação de branqueamento da história e da natureza do regime fascista, de ocultação dos seus crimes, de perigosa tolerância por parte das autoridades ao surgimento e intervenção pública de organizações de claro carácter fascista, violando a Constituição da República. A situação actual e o futuro de Portugal impõem que os democratas, os homens, mulheres e jovens de esquerda, os trabalhadores, os intelectuais, façam ouvir as suas vozes e unam as suas forças em defesa do regime democrático de Abril. É tempo de convocar os órgãos de soberania à assunção das suas responsabilidades no fazer cumprir a Constituição da República. É tempo de renovar o apelo à intervenção cívica dos portugueses em defesa da liberdade e da democracia. É tempo de redobrar o alerta e a acção para que cessem os ataques ao conteúdo democrático do regime saído da Revolução de Abril. Para que Abril, os seus valores e os seus ideais, se afirmem como património vivo no Portugal do nosso tempo. Para que a expressão «25 de Abril sempre, fascismo nunca mais» ganhe garantia de futuro.”
Primeiros 50 subscritores
Abílio Fernandes Alice Vieira Álvaro Siza Vieira António Avelãs Nunes António Borges Coelho António Modesto Navarro Augusto Sobral Aurélio Santos Carlos do Carmo Carlos Humberto Carvalho Carmen Santos Fausto Neves Fernanda Lapa Gastão Cruz Guilherme da Fonseca Hélder Costa Heloísa Apolónia Inês Fontinha Irene Cruz Isabel Allegro de Magalhães Jerónimo de Sousa João Goulão Joaquim Benite Jorge Palma José António Gomes José Barata Moura José Casanova José Ernesto Cartaxo José Lopes de Almeida José Luís Borges Coelho José Morais e Castro José Saramago Luís Azevedo Luís Varatojo Manuel Carvalho da Silva Manuel Freire Manuel Gusmão Manuel Louzã Henriques Maria Catarina Baleizão Carmo Mário Beja Santos Mário Cláudio Mário Nogueira Miguel Urbano Rodrigues Nuno Grande Odete Santos Óscar Lopes Rita Lelo Rogério Ribeiro Urbano Tavares Rodrigues Virgílio Domingues
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