• J.M. Costa Feijão

O 18 de Janeiro

Uma das datas «obrigatórias» sobre que reflectir, na história do movimento operário e comunista português é o 18 de Janeiro de 1934. E, ao longo das nossas edições clandestinas até à Revolução de Abril, assinalámos a data da heróica revolta contra o fascismo que acabava de ilegalizar os sindicatos. E, em 16 de Janeiro de 1975 (o ano de 74 só veria o Avante! legal sair à rua pela primeira vez em 17 de Maio), o nosso jornal fazia coincidir a notícia da grande manifestação de 300 mil pessoas que, em Lisboa, afirmaram a determinação em defender a unidade sindical, dedicando depois largo espaço à evocação do 18 de Janeiro.

Relembrando a «jornada heróica do proletariado», que culminou na Marinha Grande onde a greve geral convocada pelo Comité da Frente Única em protesto contra os decretos fascistas se transformou numa tentativa insurreccional que fracassou, o Avante! transcrevia então, sob o título «As lições do 18 de Janeiro», excertos de textos de Bento Gonçalves. Escrevia ele:

«Quando seis decretos do fascismo português (para a fascização dos sindicatos) vêm a lume, nós começámos a encará-los bastante a sério, e o nosso pensamento geral consistiu em propor a união de todas as forças da classe operária para a luta contra eles.»

Depois de recordar os passos dessa batalha pela unidade, o dirigente comunista analisava politicamente o 18 de Janeiro, os seus passos e precalços, concluindo:

«Devem-se ao nosso Partido os êxitos alcançados pela classe operária da indústria do vidro à escala nacional. Os erros, as deficiências havidas, não apagam esta verdade que bem fundo calou no coração dos operários e jovens vidreiros.»

Ao mesmo tempo, promovido pela Comissão Concelhia da Marinha Grande, realizava-se, desde o início desse ano de 1975, um programa comemorativo que encerrou a 18 de Janeiro num grande comício em que participou Álvaro Cunhal.

Do programa, que culminou numa homenagem a José Gregório, constou uma mesa-redonda com a participação dos sobreviventes do movimento. Dessa iniciativa, que recordou a batalha dos comunistas pela unidade sindical, destacam-se as palavras de Manuel Baridó: «O 18 de Janeiro lançou a semente à terra.» E outras que foram recolhidas então: «O movimento do 18 de Janeiro, quer alguns grupos queiram quer não, com todas as suas deficiências e os seus lados positivos, deve-se exclusivamente ao PCP.»



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