«Não estamos certos das capacidades nucleares do Iraque»
A Agência Internacional de Energia Atómica informa que os inspectores não encontraram armas suspeitas no Iraque
EUA ultimam planos pós-Saddam

A equipa de conselheiros de segurança nacional dos EUA está a ultimar os planos para a implementação de um novo sistema político no Iraque após o derrube de Saddam Hussein.

Segundo informações avançadas, esta semana, pelo diário norte-americano «New York Times», e citadas pela RTP, a reconstrução do Iraque pós-Saddam seria financiada com as verbas do petróleo.

De acordo com fontes da Administração norte-americana citadas pelo diário, os planos para a «democratização» do Iraque estão a ser delineados há vários meses. As mesmas fontes adiantam que as propostas para a mudança do regime iraquiano já foram discutidas informalmente na presença do presidente George W. Bush.

As estruturas militares norte-americanas manteriam, após o derrube do presidente iraquiano pela força das armas, uma forte presença no Iraque por um período de pelo menos 18 meses. Os lucros da produção petrolífera – que ficaria sob o controlo de uma administração interina civil – reverteriam para a reconstrução das infra-estruturas do país.

O Pentágono está preparado, segundo o jornal, para assumir o controlo militar do Iraque, mantendo no terreno contingentes de «manutenção de paz». Os elementos da cúpula do regime seriam sujeitos a julgamentos em tribunais militares.

A economia iraquiana seria gerida por um administrador civil, eventualmente nomeado pelas Nações Unidas. Segundo altos responsáveis da Administração, a delegação da governação do Iraque em responsáveis civis permitiria «afastar os receios do mundo árabe».

 

«Removidos e chamados a prestar contas»

 

O «New York Times» cita, ainda, um documento sobre os planos da Administração dos EUA para a realização de julgamentos após a conclusão das operações de guerra no Golfo Pérsico. Nos termos do documento, «apenas» os altos responsáveis da cúpula do regime de Saddam Hussein seriam «removidos e chamados a prestar contas». «Elementos do Governo identificados com o regime de Saddam Hussein, tais como os tribunais revolucionários e a organização especial de segurança, serão eliminados, mas grande parte do resto do Governo será reformada a mantida», refere o documento.

Numa primeira fase, e apesar de os planos apontarem para uma administração civil, as estruturas militares dos EUA desempenhariam um papel crucial. O Pentágono adianta que a supressão completa do armamento do regime não deverá estar concluída em menos de um ano.

 

Radares iraquianos bombardeados

 

No inicio da semana, aviões norte-americanos e britânicos bombardearam dois radares móveis próximo da cidade de Al Amarak, no Sul do Iraque, informou o Comando Central dos Estados Unidos.

A agência oficial iraquiana, INA, denunciou que o ataque visou «objectivos civis» e que as defesas anti-aéreas iraquianas repeliram os aparelhos dos Estados Unidos e do Reino Unido.

De acordo com o comando central norte-americano, os ataques foram efectuados porque os dois radares se encontravam na zona de exclusão aérea no sul do Iraque. Este ataque foi o quarto desde o início deste ano.

 

Inspectores não encontraram nada

Numa altura em que o ataque ao Iraque é quase uma certeza, o director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Mohamad ElBaradei, informou hoje o Conselho de Segurança da ONU que os inspectores em desarmamento não encontraram no Iraque indícios de um programa nuclear.

ElBaradei e o chefe da Comissão da ONU para a verificação do desarmamento no Iraque, o sueco Hans Blix, apresentaram ao Conselho de Segurança um segundo relatório sobre as conclusões dos peritos, que «até agora não encontram nenhum indício substancial de que o Iraque tenha um programa de armas atómicas», afirmou Melissa Fleming, porta-voz da AIEA.

Na segunda-feira, no final da reunião extraordinária do conselho de governadores da AIEA, ElBaradei afirmara em conferência de imprensa: «Não estamos certos das capacidades nucleares do Iraque». Reconhecendo que ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas, Fleming insistiu que as inspecções necessitam pelo menos um ano e que a AIEA espera ter esse tempo.



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