Editorial

A atitude do Primeiro-Ministro envergonha e humilha Portugal e o povo português

VASSALOS DO IMPÉRIO

É grave e preocupante a decisão do Primeiro Ministro português de - numa postura de iníqua vassalagem ao Presidente dos Estados Unidos da América - juntar a sua assinatura às de sete outros chefes de governo europeus, subscrevendo uma declaração de apoio à guerra contra o Iraque. Grave e preocupante por razões várias. Em primeiro lugar, porque Durão Barroso tomou essa atitude à revelia da Assembleia da República (e, presume-se, da Presidência da República), portanto ofendendo frontalmente esses órgãos de soberania; em segundo lugar, porque tal vassalagem e tal apoio são não apenas abusivos, mas também anti-democráticos e profundamente desumanos, na medida em que Durão Barroso, por iniciativa individual e sem que para tal tivesse mandato fosse de quem fosse, colocou Portugal a apoiar o previsível massacre de milhares de seres humanos; em terceiro lugar, porque a subscrição pelo Primeiro Ministro de um texto que ele sabe estar recheado de falsidades e mentiras que mais não são do que justificações para uma brutal carnificina, configura a cumplicidade consciente do Governo português com o crime que o imperialismo norte-americano se prepara para concretizar; em quarto lugar, porque a atitude do Primeiro Ministro português, pelo grau de subserviência e vassalagem que evidencia, pela despudorada genuflexão aos pés do Império, envergonha e humilha Portugal e o povo português.

Impõe-se, assim, que Durão Barroso seja posto na ordem democrática e do brio patriótico (ainda que tal desígnio se afigure de impossível concretização), que alguém lhe chame a atenção para a gravidade de, a partir de uma série de invencionices congeminadas pelos cérebros doentios, perversos e criminosos de Bush e dos seus homens de mão, o Primeiro Ministro de Portugal, enquanto tal, dar o seu apoio público e explícito a uma brutal violação dos direitos humanos, nomeadamente, neste caso, do direito à vida.


São várias as razões invocadas pelo Governo dos Estados Unidos da América para justificar o crime que se prepara para cometer.

O Governo de Bush teria «provas» de que o Iraque dispõe de armas químicas e biológicas e de destruição maciça, armas que pensaria utilizar contra os países da região, contra o Mundo em geral e contra os Estados Unidos da América em particular. Ora, sabe toda a gente informada que se trata de uma falsidade: os inspectores da ONU, para além de sublinharem a «cooperação das autoridades iraquianas nas tarefas de inspecção», confirmaram a «não existência de armas de destruição maciça», nomeadamente de armas nucleares, e apresentaram uma enorme lista de «armas destruídas desde a Guerra do Golfo» - e a imagem que dão do Iraque em matéria de potencial bélico é a de um país praticamente desarmado e que não representa qualquer ameaça nem para a região, nem para o Mundo, nem para os EUA. Outra «prova» justificativa dos bombardeamentos que os EUA possuem é a de que o Governo iraquiano teria ligações à Al-Qaeda. Ora, é do conhecimento geral que os EUA não têm uma única prova de tais ligações – em contrapartida têm provas, muitas provas, de que os seus amigos da Arábia Saudita, esses sim, têm estreitas ligações e apoiam a organização chefiada por Ben Laden (o tal terrorista nascido e criado enquanto tal nos EUA e que, sendo a prioridade das prioridades de Bush em matéria de caça ao homem, continua por apanhar, assim infligindo severa humilhação ao todo poderoso Império).

Anunciou, agora, o Presidente Bush a divulgação de mais um mar de «provas», todas elas importantíssimas e concludentíssimas, a justificar o desencadear da guerra – tão importantes e tão concludentes que se estranha que o Governo dos EUA em vez de as entregar a quem devia, isto é, aos inspectores da ONU, as tenha passado a quem não devia, isto é à revista Newsweek... a qual, naturalmente, as publicou e assim acabou por mostrar a sua natureza mais do que duvidosa, confirmando tratar-se de mais uma manipulação daquelas em que os EUA são especialistas.


A verdade é que nem Durão Barroso nem qualquer dos seus servis colegas se preocupou com o facto de não haver uma única prova concreta e efectiva das acusações feitas ao Governo do Iraque pelos EUA; a verdade é que nenhum dos oito vassalos de Bush se preocupou com o facto de não haver qualquer decisão da ONU favorável aos bombardeamentos e de, por isso mesmo, estarem, com a posição que tomaram, a colocar-se – e, pior e mais grave do que isso, a arrastar os seus países! – para uma postura de flagrante ilegalidade internacional; a verdade é que, quer Durão Barroso quer os restantes sete defensores do massacre de milhares de cidadãos inocentes, sabem, sem margem para qualquer dúvida que a guerra contra o Iraque decorre, fundamentalmente, do facto de os EUA quererem assegurar o controle das riquíssimas reservas de petróleo daquele país; a verdade é que os oito vassalos de Bush sabem que o objectivo do Império é apossar-se do petróleo iraquiano através de uma guerra para a qual deseja, a todo o custo, o apoio de todos os outros países – de forma a que fique bem claro que os EUA são o incontestado e incontestável líder da nova ordem imperialista de cariz totalitário; a verdade é que os oito chefes de governo que subscrevem o manifesto da desvergonha sabem que com esta atitude estão também a ajudar Bush a dar força à acção fascista de Sharon contra o heróico povo palestino; a verdade é que todos eles são, e querem que se saiba, vassalos às ordens do Império.


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