De todas as regiões vieram centenas de militantes e voluntários
2.º Seminário Nacional da Festa do Avante!

Decorreu no passado sábado, na Sociedade Filarmónica Operária Amorense, SFOA, o segundo seminário nacional da Festa do Avante! Traçar orientações, apontar soluções e recolher propostas com vista a melhorar a qualidade do maior evento político-cultural do País foi o propósito da iniciativa.

Várias centenas de militantes estiveram reunidos após um trabalho preparatório de recolha de propostas e sugestões que envolveu todas as organizações regionais do Partido, dando o seu contributo para o enriquecimento do evento em todas as suas vertentes. A Festa do Avante!, festa do Portugal de Abril é inseparável na sua concepção, organização e construção, da mais consequente força política da democracia portuguesa, o PCP.

Ao longo dos 26 anos de existência, a Festa, na riqueza da sua diversidade de iniciativas e na fundamental participação, durante e na sua construção, de uma entusiástica juventude em convívio com todas as gerações, tem conseguido criar um acontecimento impar e único em qualidade e diversidade. Deve continuar a reflectir da melhor forma as propostas do PCP, os seus ideais comunistas e valores profundamente democráticos, a solidariedade internacionalista, o marxismo-leninismo e o projecto de vida e de sociedade. O seminário concluiu que a Festa é um importante factor de mobilização e dinamização da organização do PCP, sublinhando que é da responsabilidade de todo o Partido a sua concepção, promoção, construção e funcionamento.

A sua valorização como contributo para o alargamento da influência do Partido e para o seu reforço orgânico e a exigência de uma cada vez maior capacidade de organização e planificação, dando firme combate ao improviso, assim como a inserção da Festa no programa de actividades do Partido por parte de todas as organizações, foi uma das decisões tomadas.


Programa político e cultural


De acordo com os participantes, devem ser definidos mais claramente os temas políticos a tratar e o tipo de abordagem que as várias organizações regionais devem fazer sobre esses temas. Foi ainda apontada a necessidade de promover mais espaços políticos também nos espaços regionais, com criatividade e qualidade nos diferentes projectos, com um melhor acompanhamento e apoio da estrutura central. Foi referida a importância do Espaço Internacional para o contacto dos visitantes com as realidades dos países representados e um melhor aproveitamento das delegações presentes e a melhoria e dignificação da sua participação política na Festa. Os participantes adiantaram também a necessidade de um melhor cuidado na preparação do comício, melhorando a sua animação e valorizando mais o acto de abertura, recorrendo a poemas e pensamentos progressistas que reflictam a afirmação dos nossos ideais.

Dar espaço a outras artes como circo, dança, design, banda desenhada, etc, criar espaços de workshops, valorizar as mostras e fabrico de artesanato bem como a componente gastronómica e a preservação da componente da cultura popular foram outras das propostas, assim como foi salientada a necessidade de melhorar o Espaço Criança.


Promoção, concepção e construção


Considerada fundamental foi a divulgação com maior antecedência e destaque de todo o programa da Festa, antecipando a saída dos materiais de propaganda e intensificando os contactos com os órgãos de comunicação social.

A constante renovação da festa com a rotatividade das localizações das diversas organizações e o melhoramento dos espaços verdes com mais áreas ajardinadas e floridas são prioridades da Festa.

Grande relevo e importância foi dado ao trabalho voluntário e militante na implantação, coordenado com as equipas permanentes, coordenando ainda o trabalho remunerado com o trabalho que, devido à sua especificidade, tem que ser entregue a empresas contratadas. A realização nas jornadas de iniciativas culturais e de convívio que estimulem uma saudável e valorizada ocupação dos tempos livres é tarefa considerada de primeira importância. Melhorar as condições de trabalho, segurança, apoio, descanso e higiene aos participantes nas jornadas e a quem assegura o funcionamento, foi tido como «uma exigência políticamente determinada pela natureza de classe do Partido».


Funcionamento e financiamento


Foi considerado fundamental que a Festa mantenha a imagem de espaço de liberdade, camaradagem e convívio, onde a segurança e a fraternidade sejam a razão das enormes potencialidades políticas que devem ser valorizadas e defendidas.

Para isso é essencial o respeito pelas normas e regras estabelecidas, a rigorosa manutenção do nível das condições de segurança e a melhoria permanente das condições de higiene, bem como o controlo sanitário das condições de confecção e serviços de restauração, bares e armazéns.

É de fulcral importância a autonomia financeira e a rentabilidade da Festa como princípios rigorosos. É por isso necessário a venda o mais atempadamente possível das Entradas Permanentes, o cumprimento dos orçamentos de cada sector e a constante procura de soluções que garantam economias.

A venda antecipada das EP’s é indispensável para o êxito da Festa.


Recomendações


O seminário recomenda que não seja alargado o espaço de actividade comercial de privados, não abrir os espaço da Festa a mensagens publicitárias e que se pratique uma política de preços tendo em conta a relação qualidade/preço e o poder de compra, garantindo a rentabilidade. Foi proposto rentabilizar o terreno ao longo do ano com diversas actividades. Não aumentar a área construída; prevenir melhor a situação de intempéries; introduzir a utilização de pré-fabricados na construção; melhorar a organização das jornadas de trabalho; melhorar as condições do refeitório e bar de serviço; equacionar a localização do Posto Médico; acompanhar as alterações na zona do acampamento exterior; cuidar melhor em termos de arquitectura e decoração a zona da Quinta da Princesa e melhorar as condições nos armazéns e serviços centrais.


«A festa comunista é uma festa contrária a dogmas»
Um seminário em tempos de luta

Na abertura do seminário, Virgílio Azevedo do Secretariado do Comité Central e da Festa do Avante!, recordou que o evento decorre numa fase de intensas lutas e, consequentemente, num momento de grande actividade partidária. Segundo este dirigente, a Festa é única como evento político-cultural com a visita, ano após ano de dezenas de milhar de visitantes, mantendo as suas características fundamentais: a festa do convívio e da liberdade, da juventude e da cultura com fortes raízes populares.

«É a festa do Partido, dos seus ideais, valores, do seu projecto de vida, aberta a todos os que amam a liberdade, a democracia, o socialismo, a todos os que desejam um mundo melhor». Virgílio Azevedo recordou que a festa só é possível devido «ao empenhamento militante do colectivo partidário». Lembrou ainda a necessidade de dar grande atenção à venda antecipada da EP, à sua divulgação e à participação de todos os sectores na mobilização de camaradas e amigos para o cumprimento de todas as tarefas que envolvem o evento.


Espectáculos centrais


Considerando os espectáculos do Palco 25 de Abril e do auditório 1.º de Maio um pólo central de atracção da Festa, Madalena Santos, responsável por esta área, recordou que se devem manter as linhas fundamentais de programação que se têm mantido ao longo das últimas 25 festas: no plano nacional, prosseguir com a divulgação de novos grupos e artistas, contemplando os que já se tenham afirmado em qualidade.

Lembrando que a festa tem conseguido criar espectáculos próprios, de que são exemplo as "Canções da Atalaia", considerou muito importante continuar a divulgar no plano internacional artistas e grupos desconhecidos, criando novos espectáculos de artistas que, mais tarde ficam consagrados em Portugal.

A camarada considerou prioritário alargar a tipologia musical da Festa, tendo sempre presente que «a Festa não é a festa da moda ou do que está a dar mas sim a afirmação do que de facto tem qualidade. Os padrões de qualidade não podem, em nosso entender, ser definidos pelas multinacionais das editoras discográficas».

Em tempo de comemoração do 20.º aniversário do Auditório 1.º de Maio está prevista uma programação e decoração de acordo com a data, estando a ser estudado um aumento da área deste palco e a criação de algumas estruturas fixas. No Avanteatro serão introduzidas novas expressões artísticas como o ballet, ópera de câmara e dança. O palco Novos Valores manterá a divulgação de novas bandas e ao palco arraial será introduzida a actuação de bandas filarmónicas.


Artes Plásticas


O arquitecto Celestino Castro referiu que a Festa deve inovar-se mais em termos arquitectónicos. Tendo em conta que este ano vai decorrer mais uma bienal de Artes Plásticas, o camarada considerou que deve haver uma maior participação de artistas na concepção da Festa, com mais pintores, escultores e designers, considerando que se deve procurar mais o apoio no sector cultural da Organização Regional de Lisboa, não só de arquitectos conhecidos e de renome, como também de profissionais desta área das autarquias. Propôs ainda a criação de um novo ponto de interesse arquitectónico na área da entrada da Quinta da Princesa, junto à Cidade Internacional.


Ciência e tecnologia: um espaço a valorizar


Desde 1999 que a Festa tem um novo espaço dedicado à ciência e tecnologia. Responsável por este espaço, Vasco Rodrigues fez um balanço destes poucos anos de Festa, recordando as temáticas que têm sido abordadas. Em 2000, robótica, em 2001, astronomia e em 2002, a água e os recursos hídricos. Considerando ser uma forma muito importante de «levar a Festa à sociedade», Vasco Rodrigues referiu a presença de especialistas de cada temática e propôs a criação de passeios ambientais para dar a conhecer a beleza da Quinta e de um passeio fluvial. Este ano o espaço será subordinado ao tema recursos energéticos e vai ser abordada a maré negra na Galiza, o petróleo e o Iraque e os recursos energéticos.


O desporto na Festa


Enaltecendo a importância da prática do desporto, Augusto Flor, do secretariado do evento, considerou muito importante o conteúdo político-desportivo da Festa. «O desporto também tem concepções políticas de classe», disse Augusto Flor, fazendo o historial da sua evolução desde o tempo em que apenas a burguesia tinha o privilégio de o poder praticar até à dicotomia desporto profissional /desporto de massas. «Os trabalhadores só puderam começar a praticar desporto depois das reduções de horário de trabalho no princípio do século XX». O camarada lembrou ainda que em Portugal , segundo a Organização Mundial de Saúde, apenas 13 por cento da população pratica desporto, sendo por isso de «extrema importância» a realização da corrida da Festa, de várias competições desportivas com exibições de alto nível, os jogos tradicionais e a realização de debates subordinados ao desporto na Festa do Avante!


A qualidade é uma exigência


Considerando a qualidade uma exigência primordial em todas as vertentes, Ruben de Carvalho, do Secretariado da Festa, falou na necessidade de uma maior e melhor promoção da Festa no seu conjunto e em várias vertentes além dos espectáculos como forma de enriquecer o conteúdos dos programas de todos os sectores e organizações. Deu também importância à Internet e aos novos meios de comunicação para a divulgação das actividades, adiantando que «a Festa deve ser sempre pensada como uma manifestação política». Como disse o camarada Dias Coelho, também do Secretariado da Festa, «A Festa, como a nossa ideologia marxista-leninista, é contrária a todo o tipo de dogmas».


Momento político


A culminar o seminário, Vítor Dias, da Comissão Política do PCP, fez uma intervenção onde abordou as questões mais urgentes em que é necessário o Partido dar luta e alertar o povo e os militantes para os duros tempos que estamos a viver. Lembrando que estamos num tempo de «intoxicação ideológica», o camarada referiu que a Festa do Avante! é o «espelho alternativo» e uma imagem do Partido que não serve só para os três dias mas é «um grão de areia nesta engrenagem capitalista que tudo faz contra nós».

E são muitas e graves as batalhas onde o nosso Partido está envolvido na defesa dos trabalhadores e dos povos. Lembrou que estamos a viver uma grande ofensiva contra todas as conquistas do 25 de Abril, com medidas de privatização da saúde e da educação, e ainda mais grave, em conivência com o PS, prepara-se uma reforma do sistema político e uma lei dos partidos «que pode criar uma situação de gravíssimo confronto com características nunca vistas desde o 25 de Abril, sendo uma completa ingerência na vida interna dos partidos com medidas de fiscalização que se aproximam de uma lei típica do tempo do fascismo, com a entrega dos ficheiros, a sujeição de estatutos à aprovação do Tribunal Constitucional com ingerências sobre formas de voto e cadernos eleitorais.

Interessa defender que sejam os partidos a decidir sobre a sua própria forma de funcionamento e organização, sendo urgente a criação de uma frente de resistência a esta lei «o mais ampla possível», em nome da liberdade de associação e da democracia. Lembrando o comportamento de Ferro Rodrigues na Assembleia da República, sublinhou que «não há murros na bancada que alterem os conteúdos desta lei dos partidos, o pacote laboral ou as privatizações».

Por fim, Vítor Dias recordou a enorme participação de bandeiras do PCP na manifestação contra a guerra e o mal estar que isso causou a certos sectores da sociedade, salientando por fim que «as bandeiras não andam sozinhas», tirando da sala o maior aplauso do dia.


Exposição de Eduardo Gageiro está disponível


José Monginho, do Departamento de Propaganda, lembrou que está disponível para as organizações regionais a exposição de fotografia do 25 anos da Festa do Avante!, da autoria de Eduardo Gageiro. A mesma foi já exposta em Coimbra, no teatro Garcia de Resende, e foi visitada por cerca de 4 mil pessoas, entre elas por excursões de alunos ao local. O camarada sublinhou que se trata de uma excelente forma de promover a Festa e que basta solicitá-la para que possa ser utilizada.


O Avante! e a Festa


Considerando a necessidade de ir constantemente reduzindo o desfasamento existente entre o jornal Avante! e a Festa, Francisco Melo, do Comité Central do PCP, salientou que é tarefa quotidiana de todos os militantes divulgar, publicitar e ler o jornal do Partido. Lembrando que se encontra em marcha uma campanha nacional de difusão do Avante!, revelou que, com os resultados até agora obtidos, fica provado que se pode aumentar a venda e difusão do semanário do PCP, em iniciativas de rua, junto das fábricas e dos trabalhadores.

«A Festa é também um momento privilegiado para que a venda do Avante! dê mais um salto em frente». O camarada propôs a constituição de brigadas de contacto dos visitantes da Festa para a venda do número sobre a Festa, numa abordagem com vista à recolha de mais assinaturas do jornal.



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