Em visita à Palestina, jovens foram obrigados
a ficar no aeroporto durante quinze horas
Delegação da JCP retida em Israel

Uma delegação da JCP foi retida pelas autoridades de Israel no aeroporto de Telavive, durante quinze horas. «Eles não querem que se saiba o que se passa em Israel», acusam os jovens.

Na madrugada de domingo, uma delegação da JCP composta por oito camaradas chegou ao aeroporto de Telavive para iniciar uma visita de sete dias a Israel e à Palestina. O objectivo era manifestar a solidariedade dos jovens comunistas portugueses com o povo palestiniano e aprofundar o conhecimento sobre a situação política e social da região.

A pretexto da ausência de um convite expresso de uma organização israelita, o grupo foi retido no aeroporto pelos serviços de segurança e de alfândega durante quinze horas. Ao fim desse tempo e depois de lhes ser anunciado o repatriamento para Portugal, a delegação foi autorizada a permanecer graças à intervenção da Liga dos Jovens Comunistas de Israel.

Segundo Nelson Silva, o responsável pelo grupo, os jovens foram fechados num pequeno compartimento do aeroporto, com duas janelas gradeadas e seis camas, apesar de estarem nove pessoas na divisão. «Apenas com alguma insistência da nossa parte podíamos ir à casa de banho e, só ao fim de cinco horas, é que pudemos beber um copo de água», contou ao Avante!.

«O pequeno almoço e o almoço foram deixados no chão do quarto dentro de sacos, sem uma palavra ou uma explicação, sem nos dizerem quando seria a próxima vez que comeríamos. Tínhamos direito a beber um chá dois a dois, sempre com os mesmos copos», acrescenta.


Pressão psicológica


«Notou-se que estavam a tentar fazer alguma pressão psicológica», afirmou Nelson Silva. Os membros da delegação foram interrogados várias vezes, sendo colocadas sempre as mesmas questões. «Perguntavam com quem íamos estar, quais os nossos contactos em Israel e se tínhamos a certeza se a Liga Comunista de Israel existia, a ver se havia algum descuido da nossa parte para que nos pudessem reter por mais algum tempo.» Estes interrogatórios foram feitos em pequenos grupos e individualmente.

Portadores de todos os documentos necessários para visitar o país, a delegação esteve permanentemente em contacto com a Liga da Juventude Comunista de Israel, a JCP e o PCP, através de telemóvel. «Inclusivamente um membro da Liga foi posto ao telefone com os serviços de fronteira. Mesmo assim não nos libertaram», esclarece Nelson Silva.

A delegação tentou ainda contactar a Embaixada de Portugal em Israel, mas sem resultados. «Talvez por ser domingo, ninguém atendeu. A secção internacional do PCP também contactou a nossa Embaixada, a Embaixada de Israel em Lisboa e o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, sem conseguir falar com alguém», refere.

As malas foram revistadas e os jovens foram sempre acompanhados por membros da segurança armados. «Uma embalagem de gel de banho foi considerado um produto altamente perigoso para a segurança nacional e colocado numa caixa com um selo», relata Nelson Silva.


O regresso


Nelson Silva considera que esta retenção é «uma tentativa das autoridades israelitas de abafar o que se passa em Israel e na Palestina, de forma a que os estrangeiros não contactem com a realidade. A grande preocupação por parte dos serviços era se os nossos contactos em Israel eram árabes ou judeus. Isso denota a distinção feita pelas autoridades entre israelitas árabes e israelitas judeus».

Na tarde de segunda-feira, a delegação ainda não sabia quando regressará a Portugal. A viagem estava prevista para 9 de Março, mas no domingo os serviços de fronteira israelita alteraram a data para repatriarem o grupo nesse mesmo dia. «Quando nos foi dada a autorização para permanecermos, não tiveram o cuidado de voltar a mudar a viagem nem nos avisaram que não teríamos a passagem no dia 9», declarou Nelson Silva.



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