Censura geral
As moções de censura ao Governo apresentadas pelo PCP, PS,BE e «Os Verdes» foram rejeitadas na Assembleia da República com os votos da maioria PSD-CDS/PP. Mais que o resultado da votação – obviamente aguardada -, o que contou e teve significado foi a severa critica de que foi alvo o comportamento de um Governo que enlameou o nome do País ao envolvê-lo, «contra a vontade do seu povo», como sublinhou o líder parlamentar comunista, numa «guerra injusta, ilegítima e de consequências imprevisíveis».

Bernardino Soares, que falava no encerramento do debate, reiterou a acusação ao Executivo de estar «do lado da guerra», tendo ao longo da sua intervenção desmontado todos os argumentos aduzidos pelo Governo para justificar o seu apoio aos norte-americanos.

Acusando os EUA e o Governo de nem sempre se terem preocupado com a «sanguinária ditadura» de Saddam Hussein - «não há memória de que o uso de gases tóxicos e armas químicas pelo Iraque contra os curdos ou na guerra com o Irão tenha provocado indignação semelhante à que agora invocam os apoiantes da guerra», observou - , Bernardino Soares lamentou que muitas das perguntas da oposição tivessem ficado sem resposta.

«O Governo deve esclarecer se a sua posição significa que aceita a menorização das Nações Unidas e do Direito Internacional e que concorda com a possibilidade de intervenção unilateral dos EUA», sustentou Bernardino Soares, que exigiu ainda que o executivo clarifique «como se compatibiliza a sua actuação com os princípios constitucionais da resolução pacífica dos conflitos internacionais e da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados».

Antes, como o «Avante!» salientou na passada semana, Carlos Carvalhas justificara o texto de censura apresentado pelo PCP afirmando ser este «uma moção contra a hipocrisia e a mentira», contra «o cinismo» e «a vassalagem» e, também, contra «o crime» e «a força».

Em nome da bancada comunista, no decurso do debate, interveio também o deputado António Filipe, para quem «as mentiras» do presidente dos Estados Unidos e do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, sobre o Iraque «estão a tornar-se cada vez mais evidentes».

A ideia de que as tropas norte-americanas e britânicas «seriam recebidas de braços abertos» pelos iraquianos «foi já definitivamente deitada por terra», lembrou, antes de frisar que «a liberdade e a democracia não se constróem à bomba».


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