Centros de saúde sem urgências

As estruturas sindicais dos médicos denunciaram, esta semana, que a Sub-região de Saúde de Lisboa está a proceder ao encerramento das consultas de urgência em vários centros de saúde da zona da Grande Lisboa.
Ainda que tal não seja admitido pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, socorrendo-se de um decreto-lei de 1999, está na prática a proceder à substituição daquele serviço por consultas de atendimento complementar, destinadas aos utentes que não têm médico de família, ou cujo médico de família se encontre ausente.
Desta forma, acusam os sindicatos, aumenta-se artificialmente o número de médicos nos centros de saúde afectando-os às consultas complementares, ao mesmo tempo que as urgências não se realizam por falta de condições.
Os profissionais advertem para a gravidade da situação, uma vez que a diluição da especificidade das consultas de urgência poderá provocar involuntários actos de negligência, para além de que, desta forma, o Ministério da Saúde não paga horas extraordinárias, serviço nos dias de descanso nem feriados.


Versos de um sonhador de Abril

Realizou-se no passado dia 12 de Abril, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, o lançamento do livro «Abril Sonho», da autoria de Rogério Fráguas.
A obra é uma edição de autor, que a dedica a todos «os activistas que lutam por um mundo melhor para todos, sem desfalecimentos nem quebra de convicções quanto aos seus ideais».
Nela podemos encontrar diversos poemas e quadras publicados desde a década de oitenta em diversos jornais nacionais - e nas notícias destes inspirados, com especial destaque para o Avante! - cujos motivos temáticos são quase sempre a revolução dos cravos, a dialéctica do movimento de massas, o papel do militante comunista e do seu partido, a esperança e o sonho de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados.
Rogério Fráguas é militante do PCP da Organização Concelhia do Barreiro, foi membro da célula do partido na Quimigal, pertenceu à comissão de trabalhadores da empresa, e exerceu o cargo de Vereador da Cultura, eleito nas listas da CDU, na Câmara Municipal do Barreiro.


Pobres cada vez mais pobres, e os ricos...

O «insuspeito» Banco Mundial divulgou, domingo, os dados do Relatório Anual de Indicadores de Desenvolvimento Humano, tendo o seu Vice-presidente, o economista Nicholas Stern, dito que «a ajuda (aos países pobres) nunca tinha sido tão baixa nos últimos 50 anos», e que o fosso entre «a qualidade de vida nos países pobres e nos países ricos» traçava um quadro de «disparidades alarmantes».
Efectivamente, os números conhecidos mostram tais evidencias, impossíveis de escamotear mesmo por aqueles que, tal como o BM, impuseram o neoliberalismo à escala planetária, obrigando os países ditos em vias de desenvolvimento a aplicar políticas de desmantelamento e privatização dos serviços públicos, bem como a liberalização e flexibilização dos direitos laborais como fórmulas para o crescimento da riqueza.
Assim, o índice de mortalidade infantil até aos 5 anos é, nos países ricos, de 7 em cada mil nados vivos e, nos países pobres, de 12 em cada mil; que a mortalidade materna é, no mesmo padrão estatístico, de 14 em cada cem mil partos nos países ricos e de 1000 nos pobres.
Quanto à distribuição da riqueza, o número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia aumentou, na América Latina de 48 para 57 milhões; no Médio Oriente e Norte de África de 5 para 6 milhões; na Europa Oriental e Ásia Central de 6 para 24 milhões; e na África subsahariana de 241 para 315 milhões.
Em suma, ficámos a saber um pouco mais sobre quem é que não lucrou com as fórmulas mágicas de crescimento da riqueza.


FMI confirma crise

O Fundo Monetário Internacional veio, na passada quinta-feira, confirmar o que já havia sido apontado pela União Europeia. Portugal é a única economia da chamada zona Euro a entrar em recessão no ano de 2003, o que acontecerá pelo terceiro ano consecutivo.
O relatório é claro ao afirmar que o crescimento do nosso país se vai cifrar muito abaixo da média europeia, o desemprego vai continuar a subir, prevendo-se que pelo menos mais 70 mil pessoas fiquem sem trabalho, sendo que algumas das razões apontadas pela instituição para este cenário negro sejam a «retracção do mercado interno ao nível do consumo e do investimento público», e a «deterioração das expectativas de emprego».
O FMI lança ainda um alerta ao Banco de Portugal, no sentido de tomar medidas sérias de acompanhamento rigoroso sobre as contas e provisões das instituições financeiras e dos seguros, para que não surjam «surpresas desagradáveis para o crédito malparado».


Um cheirinho a Cabo Verde

Foi lançado, na passada semana, o último trabalho do músico Silvestre Fonseca intitulado «dedo d’alma – cabo verde na coraçon».
O disco passa em revista alguns dos maiores clássicos da música cabo-verdiana, dedilhados com a mestria de Silvestre Fonseca.
As mornas estão em particular destaque como expressão de uma cultura, de uma postura perante a vida e o mundo, enfim, de uma alma.
Silvestre Fonseca conta ainda com a participação especial dos músicos Dany Silva, Celina Pereira e Rita Lobo, entre outros.


Resumo da Semana