CGTP persiste na unidade e luta
de todos os trabalhadores
Com a força de Maio
Muitos milhares de pessoas participaram nas comemorações do Dia do Trabalhador, que a CGTP-IN levou a cabo em cerca de 70 localidades de todo o País. O balanço dos últimos doze meses mostra que, apesar do enorme poder do capital e da dura ofensiva em curso, é possível resistir e vale a pena usar a imensa força dos trabalhadores, unidos e organizados. Nesta força ganha Maio a confiança para as próximas batalhas.
Num dia de sol quente, como não se viu na festa do 25 de Abril, o movimento sindical unitário do distrito de Lisboa e dos concelhos da Margem Sul do Tejo trouxe muitos milhares de pessoas para o Largo de Martim Moniz, de onde partiu um desfile que demorou quase duas horas a passar, em direcção à Alameda de D. Afonso Henriques.
Muitos aguardaram a manifestação nos passeios ao longo da Avenida Almirante Reis, outros começaram a celebração logo nos relvados da Alameda. Aqui, os lugares à sombra eram procurados como em dia de verão, favorecendo o convívio junto aos stands de petiscos erguidos por algumas estruturas sindicais, mas dificultando os cálculos de quem procurasse medir a multidão.
O desfile, como confirmámos com o custo de um bilhete de Metro, encheu toda a Avenida. Os dirigentes da CGTP e os sindicalistas estrangeiros que encabeçaram a manifestação terão chegado à Alameda na altura em que os últimos manifestantes (do sector dos Transportes e do concelho de Loures) acabavam de sair do Martim Moniz.
Momentos antes da partida, o secretário-geral do PS esteve no Largo, cumprimentou Carvalho da Silva e falou para os jornalistas. Depois, a sua comitiva partiu com diferente destino.
Mais adiante, no termo da Rua da Palma, os dirigentes da CGTP que encabeçavam o desfile foram saudados por Carlos Carvalhas e outros dirigentes comunistas, entre os quais estavam Jerónimo de Sousa, Bernardino Soares, Jorge Cordeiro e Rosa Rabiais, membros da Comissão Política. A delegação do PCP integrou-se na manifestação, entre trabalhadores e representantes de organizações populares do concelho do Barreiro. A forte participação de comunistas foi evidente em muitos outros momentos, desde os vendedores e leitores do Avante!, até aos inúmeros peitos que exibiam autocolantes do Partido contra a guerra no Iraque.

A subir

Avenida acima, na tarde do 1.º de Maio, desfilaram, identificados por carros alegóricos, faixas, cartazes, bandeiras ou palavras de ordem, milhares de trabalhadores, reformados, desempregados, mulheres, jovens... Vinham de Almada, Sesimbra, Alcochete, Moita, Seixal, Vila Franca de Xira, Sintra, Odivelas, Amadora, Cascais, Oeiras...
Eram trabalhadores das autarquias locais e de diferentes sectores da Administração Pública central; da encerrada Vestus e outros organizados no Sindicato Têxtil do Sul; do Arsenal do Alfeite e demais estabelecimentos fabris das Forças Armadas e Indústrias de Defesa; da Indelma/Alcoa, da Siderurgia, da Bombardier/Sorefame, dos CTT, da Carris, do Metropolitano, do grupo Fima/Lever/Iglo-Olá, dos supermercados, da hotelaria, da CDG e outros trabalhadores bancários e dos seguros, ferroviários, intelectuais, pescadores...
Assinalaram a sua presença delegações dos mais importantes sindicatos, mas também de freguesias e comissões de moradores ou de utentes de transportes, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses, de organizações de imigrantes e da Associação para o Reencontro de Emigrantes, dos trabalhadores da Festa do Avante! e da Voz do Operário...
No desfile integrou-se uma representação da coordenadora dos sindicatos e associações profissionais das forças e serviços de segurança – que fez chegar à tribuna do comício uma saudação denunciando a repressão na GNR e Polícia Marítima.
«CGTP unidade sindical» e «É preciso, é urgente uma política diferente» foram palavras de ordem muito ouvidas, a que se juntaram «Trabalho, sim! Desemprego, não!», «Imigrante em Portugal tem de ser nosso igual», «Durão, Portas e Bagão são amigos do patrão», «Cheira mal, cheira mal, o pacote laboral», entre outras.
Notaram-se igualmente expressões de solidariedade com o povo do País Basco e de protesto contra a nova lei dos partidos e contra as privatizações. Especial animação partia dos manifestantes que, em coro com a poderosa aparelhagem sonora do carro do STAL/Lisboa, cantavam «Ó Manela, ainda te partimos a tijela», atirando contra a ministra das Finanças versos musicados com o «Fado de Alcoentre».

Solidariedade e paz

A bandeira da Palestina esteve erguida bem alto, na Alameda, num acto de solidariedade que a CGTP prolonga agora na campanha de recolha de fundos para os sindicatos palestinianos, a decorrer até final do ano.
Antes de anunciar esta iniciativa, Carvalho da Silva sublinhou a necessidade de, «com a nossa luta e a de muitas outras forças políticas e sociais», travar a «escalada de agressões e violência, como elemento estruturante do processo de globalização neo-liberal», continuar a luta «contra a guerra, pela defesa da paz e por uma nova ordem internacional», condenando «actos belicistas como o que foi executado pela Administração Bush contra o Iraque» e condenando igualmente o apoio seguidista que lhe foi dado pelo Governo português.
Lembrando que o 1.º de Maio é um dia de solidariedade internacionalista, o secretário-geral da CGTP manifestou a solidariedade dos trabalhadores portugueses para com os trabalhadores e o movimento sindical sul-africano, que neste dia perdeu dezenas de dirigentes e activistas, devido a um acidente de autocarro.
Palavras de solidariedade foram pronunciadas no comício sindical pelo vice-presidente da estrtura de Berlim da central alemã DGB, numa saudação feita em nome das organizações sindicais das grandes capitais europeias. No palco da Alameda estiveram ainda representantes das centrais sindicais italianas, das Comisiones Obreras e da CGT parisiense.

Razões para lutar

No comício sindical do 1.º de Maio, Manuel Carvalho da Silva apontou os traços gerais da actual situação do País, que gera descontentamentos, indignação e protestos e que motiva a exigência de uma política diferente: economia paralisada, regressão social e degradação da vida política.
Entre as causas de tal situação, o secretário-geral da CGTP apontou a «ditadura do défice» na política orçamental; a submissão ao pacto de estabilidade da UE; o aprofundamento de uma matriz de desenvolvimento com baixos salários e muita precariedade; a insistência num cenário de crise, que alimenta oportunismo de empresários sem escrúpulos e deslocalização de algumas empresas estrangeiras; a diminuição do investimento público; a política de privatização de alavancas essenciais da economia; políticas salariais injustas, que invocam moderação mas infligem perdas do poder de compra à generalidade dos trabalhadores; a credibilização de posições patronais para encerramentos e despedimentos; uma política fiscal injusta, que deixa impunes os VIPs que ostentam riqueza, enquanto aos trabalhadores são pedidos sacrifícios; uma política de ensino desastrosa, tanto no secundário, como no superior e profissional; um forte ataque ao Serviço Nacional de Saúde, que piora as condições de trabalho e a capacidade de resposta; o ataque estruturado e consciente à Segurança Social, para fragilizar o sistema público, pô-lo em causa e entregar o essencial aos grupos financeiros.
O pacote laboral foi referido por Carvalho da Silva como outro factor que contribui já para a regressão social e prejudica a evolução do modelo económico, fomentando posições patronais retrógradas em nome de leis que ainda não vigoram. O processo legislativo ocorreu em condições muito desfavoráveis, tanto pelo política global e europeia conservadora, como por um Governo de direita que manipulou e iludiu, como ainda pela direcção da UGT e seus preconceitos ideológicos serôdios.
A CGTP valoriza a luta travada – difícil mas, em muitos aspectos, heróica –, notando que o «Código de Trabalho» do Governo e dos patrões está desacreditado na sociedade, foi reprovado por todos os partidos da oposição (que recolheram a maioria dos votos nas eleições) e merece severas críticas e denúncias da generalidade dos especialistas em Direito do Trabalho. Agora é um momento para ser apreciada a constitucionalidade do «Código», processo que a CGTP garante acompanhar com atenção. Mas Carvalho da Silva realçou a importância da luta, da acção e do combate a partir dos locais de trabalho, afirmando direitos e fazendo funcionar a contratação colectiva.
No quadro das propostas e reivindicações para o desenvolvimento do País, a CGTP defende o aumento do poder de compra dos portugueses e exige uma revisão intercalar do salário mínimo nacional, no valor de mais 20 euros (e das pensões mínimas em proporção).
A grave situação do País afecta igualmente os jovens, como referiu o responsável da Interjovem de Lisboa. Luís Dias afirmou a determinação de lutar contra os que querem impor a ideia de que perder direitos é uma inevitabilidade, chamando a atenção para a crescente participação de jovens nas manifestações e lutas laborais, incluindo a greve geral de dia 10 de Dezembro.

Congresso da CGTP marcado para Janeiro

O 10.º Congresso da CGTP-IN vai ter lugar a 30 e 31 de Janeiro de 2004, anunciou Carvalho da Silva no comício do Dia do Trabalhador, em Lisboa, salientando que, «no contexto político, económico e social que se está a viver, será com certeza um acontecimento da maior importância para os trabalhadores portugueses e para o País».
No período de preparação do congresso, a central pretende «debater com profundidade a contratação colectiva, o emprego no contexto da afirmação de políticas económicas e sociais alternativas, o ensino, a formação e a qualificação e também o estado do Estado e a Administração Pública». A par do apelo à «participação activa e empenhada» nos debates, o secretário-geral da CGTP realçou a importância de prosseguir a acção e a luta nos locais de trabalho, chamando, em particular, a atenção para a necessidade de sindicalizar mais trabalhadores e eleger mais delegados sindicais.


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