Faleceu Augusto Abelaira

O escritor e jornalista Augusto Abelaira faleceu, vítima de doença prolongada, na passada sexta-feira, com 77 anos de idade. Da vasta obra que deixou destacam-se «A cidade das flores»(1959) que reporta aos tempos do fascismo e «A enseada amena»(1966). Com «Bolor»(1968) revela, no feminino, a realidade na altura de um casamento tradicional, defendendo novas formas de relacionamento. O seu último livro foi «Outrora agora»(1996) que recebeu o prémio da Associação Portuguesa de Escritores. Nascido em Ançã, Cantanhede, em 1926, este democrata, antifascista de sempre, foi também professor de filosofia. Como jornalista, dirigiu a revista «Seara Nova» nos anos 60, e a «Vida Mundial». Escreveu ainda para «O Século», o «Jornal de Letras», e o «O jornal».


«Água, um Bem Público»

A defesa do modelo público de gestão do sector das águas e do saneamento foi o tema da Conferência promovida pelo STAL, Sindicato da Administração do Poder Local, na terça-feira passada, num hotel, em Lisboa.
No documento de reflexão à Conferência é denunciada a intenção do Governo de privatizar este recurso, «bem público e social por excelência», transformando-o «numa mercadoria, pronta a ser comercializada (...) com a agravante de que, enquanto recurso escasso, (...) pode o seu valor agravar-se até ao infinito».
O documento alerta para o facto de que com esta «apropriação capitalista, (...) a água deixará de ser considerada património da humanidade», transformando-se no negócio do século para o sector privado, à custa de um património que é de todos. A UE é criticada por condicionar a intervenção estatal no campo da água, «assegurando as condições necessárias para a sua privatização».
A alienação dos sistemas multimunicipais foi salientada como o primeiro passo das privatizações: tirou-se às autarquias a competência exclusiva que passou para a holding «Águas de Portugal», e vários grupos dominados por multinacionais obtiveram então concessões de diversos serviços municipalizados de abastecimento e saneamento. A política salarial «discricionária» nas passagens de trabalhadores do serviço público para o privado, e as remunerações «generosas dos gestores privados», foram também motivo de crítica na Conferência.
Para o STAL, a água pública é um direito e um imperativo» que deve sobrepor-se «ao lucro».


Desastres ecológicos

Milhares de peixes mortos estão a dar à costa nas águas da lagoa de Melides, concelho de Grândola, desde o passado domingo.
O alerta foi dado por pescadores que atribuem o desastre a uma descarga poluente agravada pelo facto de a foz da lagoa não estar desassoreada. Os peixes e enguias mortos serviram de alimento às gaivotas, havendo agora o receio de contaminação do ecossistema. No dia seguinte, técnicos da Câmara de Grândola procederam a recolhas de análises da água. A Direcção Regional do Ambiente do Alentejo, proibiu imediatamente as capturas de peixe. Os resultados das análises deverão ser conhecidos hoje. Em declarações ao JN, o director regional, Pinto Leite, disse suspeitar que a causa do desastre ecológico se deva à utilização de produtos químicos, eventualmente na agricultura. Entretanto, os banhos nas praias de Melides e de Santo André estão interditos.
Também no Rio Lis, na madrugada de domingo passado, uma descarga suínicola na Ribeira dos Milagres, Leiria, contaminou seriamente todo o curso de água levando ao protesto da população junto à ponte da Catraia, sobre a ribeira da Freguesia. As descargas são frequentes nesta bacia. Há cerca de um mês, uma grande descarga obrigou à interdição dos banhos na praia da Vieira de Leiria.
No rio Lis existem cerca de 400 mil porcos a produzirem dejectos equivalentes aos de 1,2 milhões de pessoas. O sistema de tratamento de esgotos suporta apenas o tratamento de um quinto deste total.


«Mi ma bô» Cabo Verde

Realizou-se no passado dia 4 de julho, no Teatro Maria Matos, uma sessão evocativa do 28.º aniversário da independência de Cabo Verde.
A iniciativa organizada pela embaixada de Cabo Verde em Portugal contou com a presença do embaixador, Onésimo Silveira, que presidiu à sessão solene de condecoração de personalidades que, na diáspora, têm contribuído para a promoção e elevação do país.
Após breves intervenções dos representantes de algumas associações de cabo-verdianos existentes em Portugal, decorreu um espectáculo de música e dança com muitos artistas que se quiseram associar à comemoração desta data marcante para o povo daquela ex-colónia portuguesa.
Apresentados por João do Rosário e Odete Mosso, foram actuando ao longo da noite os Cordas do Sol, Luís de Matos, Ana Firmino, Daniel Rendall, Jorge Neto, Grupo de Dança Nós Tradiçon, Maria Alice, Mário Rui, Lura, Fortinho, Sara Tavares, Celina Pereira e Bana, que contagiaram com a sua alegria as pessoas que encheram a sala de espectáculos lisboeta.


Pneumonia atípica controlada

A Organização Mundial de Saúde, OMS, anunciou no passado sábado que foi contido o surto da pneumonia atípica. A directora-geral, Gro Bruntland, afirmou em Genebra que após 20 dias sem que as autoridades de Taiwan tenham registado qualquer caso, chegaram à conclusão de que, pelo menos por agora, o surto está controlado. Só em Taiwan registaram-se 700 infectados de que resultaram 84 mortos. No Sul da China, a pneumonia infectou cerca de 8500 pessoas. Destas, vitimou 812. No entanto, a OMS ainda não sabe se o vírus pode ou não voltar a reaparecer. Também não se sabe como é que o vírus se transmite aos humanos nem se a doença é sazonal, temendo-se por isso que no próximo Inverno a síndroma respiratória aguda, SRA, volte a atacar. O director executivo da OMS, David Heymann avisou o mundo para que não se deixe levar por «uma falsa sensação de segurança». Ainda existem internadas em hospitais por todo o mundo 220 pessoas infectadas. A SRA têm uma taxa de mortalidade de 15 por cento e 20 por cento dos doentes são funcionários de saúde.


Resumo da Semana