A festa na Festa de Alegria
Milhares de camaradas e amigos de todos os cantos do País foram a Braga, no passado fim de semana, demonstrando a «vitalidade de um partido cujo coração bate juntamente com o coração dos trabalhadores –, dos trabalhadores que, com confiança e optimismo no PCP e no seu papel transformador, terão força para mudar o rumo da política nacional», como sublinhou António Lopes, membro da Comissão Política do PCP e responsável pela O.R. de Braga, no grande comício de domingo à tarde.
Momento ímpar na afirmação dos ideais comunistas no distrito de Braga, a Festa da Alegria acolheu, no Parque Municipal de Exposições, os muitos visitantes que contribuíram para o seu inegável sucesso, conjugando os cheiros e sabores de todas as regiões, a palavra escrita com a reflexão e o debate, a música de raiz popular com os sons nacionais e estrangeiros que marcam a actualidade, gente de todas as idades e das mais variadas proveniências no fraternal convívio que caracteriza a maior iniciativa política no Norte do País.

Dois dias cheios

Os «Zés Pereiras do Basto», um grupo de acordionistas que cantavam «modinhas» ao desafio e os tambores dos «Aerofones» misturavam as suas sonoridades e coreografias com as provenientes do Palco dos Novos Valores e, à medida que se percorria o terreno, ouviam-se grupos de jovens comunistas cantar canções revolucionárias.
Por toda a festa, famílias inteiras iam satisfazendo a sua curiosidade, visitando os pavilhões e as exposições temáticas, transformado-os em espaços diversos de encontro, debate e convívio.
Os pratos variados e típicos das várias regiões aguçavam os apetites, convidando os visitantes para uma saborosa pausa gastronómica à qual não podia faltar o tradicional vinho verde do Minho.
Ao final da tarde, o buliço da multidão anunciava o início dos concertos no Palco da Alegria, onde, apesar da muita chuva que caiu durante todo o dia e noite de sábado, não faltou animação até altas horas.

Generosidade militante

Na noite de sexta-feira, anterior à abertura, uma grande azáfama percorria o Parque de Exposições de Braga. Centenas de camaradas, em grande parte jovens, desdobravam-se em múltiplas tarefas e ofícios, a decorar e preparar os stands de artesanato e de gastronomia, as exposições políticas, as bancas, os turnos e todos os espaços que, dentro de poucas horas, haveriam de acolher a 14.ª edição da Festa da Alegria.
A vedação envolvente foi ficando menos cinzenta à medida que se iam colocando as faixas previamente concebidas. Do Palco da Alegria ao terreno do acampamento estendiam-se metros e metros de pano cru pintado com palavras de revolta, de insubmissão, mas também de esperança na luta dos povos e confiança no ideal comunista que norteia a acção do PCP.
A «lei dos partidos», o desemprego, a defesa da paz contra a guerra e o poder das multinacionais foram os temas escolhidos, rematados com a exigência de «pão, habitação, saúde e educação», como se podia ler numa das faixas que ladeava o acampamento.
O trabalho desenvolvido antes, durante e depois da festa, demonstrou, mais uma vez, a capacidade do PCP, a abnegação dos seus militantes, amigos e de todas as Organizações Regionais que, em conjunto com a Organização Regional de Braga, ofereceram a todos os que não quiseram faltar um fim-de-semana de imensa Alegria.

      • Exposições

Na Festa da Alegria podia-se encontrar um vasto conjunto de exposições, umas abordando as questões candentes da política nacional e das muitas lutas do partido e dos trabalhadores portugueses, outras dedicadas à manutenção e valorização da memória e da história de outras lutas.
A O.R. de Santarém reservou uma parte do seu espaço à luta dos agricultores contra a reforma da PAC e pela implementação de medidas concretas que, como se sublinhava num dos painéis, «tenham naturalmente em conta a dimensão ambiental da agricultura e a necessária solidariedade da UE com os países e os povos a braços com problemas de subdesenvolvimento e carências alimentares», ao passo que em Setúbal se caracterizava, em traços gerais, as razões e valores dos comunistas e a actualidade do generoso projecto emancipador da exploração capitalista a que se entregam muitos milhares de militantes.

Um património impar

«Sem justiça se começou esta guerra, sem justiça se continuou e por falta de justiça chegou ao miserável estado em que a vemos». Esta afirmação podia ser uma leitura contemporânea da agressão imperialista ao Iraque, mas foi proferida pelo padre António Vieira, e estava patente na mostra dedicada à vida e obra deste humanista do séc. XVII que se dedicou à luta pela elevação das condições de vida dos povos indígenas do Brasil.
Em busca de vida melhor estiveram também os trabalhadores assalariados rurais portugueses. A exposição alusiva aos 40 anos das históricas jornadas da luta camponesa pela implementação das oito horas de trabalho no campo, em 1962, ocupava lugar de destaque num dos stands da Festa da Alegria, contribuindo para a preservação e engrandecimento da memória de «uma vitória histórica arrancada ao poder fascista e aos grandes proprietários da terra, pela primeira vez em Portugal, por um poderoso movimento de massas, sob influência e direcção do partido».

      • Gastronomia e artesanato

De Barcelos à Madeira, do Algarve a Trás-os-Montes, cada Organização Regional do PCP fez chegar a Braga as suas especificidades regionais. Os doces de Aveiro e os presuntos e queijos das Beiras misturavam-se com as tripas e as «francesinhas» do Porto, mais a sopa da pedra de Santarém, os mariscos de Viana, a feijoada de Vila Real... Tudo isto, mais o bacalhau na adega do Fado de Braga passando pelo caldo de cabrito de Fafe, os doces e os queijos de Coimbra, e os chouriços de Bragança mais a açorda alentejana, as febras de Guimarães e a costeleta de novilho de Barcelos, entre tantos outros pratos, fizeram as delícias dos visitantes.
O artesanato também teve forte presença na festa, complementando as exposições políticas de cada Organização Regional.
O mesmo sucedeu com a poesia, através de poemas de José Gomes Ferreira, Manuel Gusmão e Nazim Hikmet.
A mistura de cheiros, cores, aromas e sabores ajudaram os visitantes a esquecer a chuva de sábado e a garantir o sucesso de mais uma Festa da Alegria.

      • Desporto

O grande momento desportivo da Festa da Alegria foi, como já é hábito, a Corrida da Alegria, que contou este ano com 89 atletas de todos os escalões etários.
Em seniores masculinos, a vitória foi para Jorge Cunha do Sport Clube Maria da Fonte. O vencedor por equipas foi o Grupo Desportivo 1.º de Maio.
Na classe sénior feminina o 1.º posto não escapou a Elisa Rodrigues, do Individual, clube que também arrebatou o prémio por equipas.
Em veteranos masculinos, classe 2, a vitória foi para Eduardo Fernando dos Bombeiros Voluntários de Barcelos. Na classe 1, José Teixeira da Vigorosa Chenco chegou à frente. Por equipas venceu o Soarense S. C., nesta classe.
A campeã veterana feminina foi Rosa Caldas do Soarense S. C.
Nas classes infantis, a vitória masculina foi para Luís Monteiro, da Alpendurada, e na classe feminina, Sara Fernandes, da Casa do Povo de Roufe, foi a vencedora. Por equipas, na classe de homens a equipa da Alpendurada foi primeira, e na feminina, a vitória coube ao Juventude de S. Martinho.
Além da corrida, realizaram-se torneios de xadrez e sueca. Junto ao pavilhão de Barcelos decorreu um jogo de malha em que o vencedor levou para casa, como não podia deixar de ser, um galo como prémio.

      • Livros

Na Feira do livro, a forte presença das edições Avante!, da Editorial Caminho e outras editoras, fizeram as delícias dos amantes das letras.
No sábado, o grande momento foi para a sessão de autógrafos do padre Mário de Oliveira, autor do livro, «Fátima nunca mais», que veio à Festa da Alegria apresentar o seu último trabalho, «Como farpas mas com ternura».
No domingo, a novidade foi a obra de Alice Vieira, «Contos e lendas de Macau».
Além da Feira do livro, no stand dos professores comunistas, os visitantes podiam adquirir livros em segunda mão.

      • Juventude, música e convívio

No espaço da Juventude Comunista Portuguesa, o concurso de bandas no palco dos «novos valores», com vista a apurar as oito finalistas que irão actuar na festa do Avante! nos dias 5, 6 e 7 de Setembro, atraiu as atenções de muitos visitantes.
O jurí era formado por Zé Pedro, músico dos Xutos e Pontapés, Abel Beja dos Primitive Reason, Ruben de Carvalho, jornalista e musicólogo, um representante da Rádio Universidade de Braga e um representante da JCP.
Tetanus de Aveiro, Ho-Chi-Minh de Beja, Frequency de Braga, Ex lovers sex de Coimbra, Assacinicos de Leiria, os Sidewalk da Madeira, os Limbo do Porto, Skapula de Setúbal e os Die in Vain de Viana, garantiram um lugar no palco da cidade da juventude da Festa do Avante!
Ponto de encontro para os jovens, o espaço contava ainda com uma banca de materiais de informação sobre a actividade dos jovens comunistas, t-shirts e CD’s.
Um bar e uma mesa de matraquilhos - onde decorreu um torneio - completaram um dos mais animados espaços da Festa em Braga.

      • Os espectáculos no Palco da Alegria

Os espectáculos no palco principal da Festa, de grande qualidade, tiveram uma forte afluência de público.
No sábado, o palco abriu com a salsa cubana dos Caranga All-Star. A chuva já ameaçava mas não demoveu uma enorme moldura humana que foi dando uns passos de dança num dia especial para o povo cubano, já que era 26 de Julho, o dia nacional de Cuba.
Seguiu-se o RAP dos Mind Da Gap, com letras de intervenção que eram entoadas em coro por um público que teve capacidade para fazer do mau tempo motivo de alegria.
Foi isso mesmo que se confirmou com o momento mais esperado de sábado.
Apesar da chuva diluviana que se fez sentir ao longo de todo o espectáculo, largas centenas de jovens não arredaram pé e aproveitaram ao máximo o RAP brasileiro de Gabriel «O Pensador».
Impressionado com um público totalmente rendido às suas mensagens, Gabriel recordou o espectáculo da Festa do Avante! passada, tecendo largos elogios ao PCP e à JCP.
Já ensopado mas sempre em ambiente de felicidade e festa, o público assistiu de seguida à «prata da casa», os Mão Morta, banda de culto de Braga que actuou depois de um enorme fogo de artifício, após o qual a chuva foi acalmando.
Durante o resto da noite, numa tenda para o efeito, Zé Pedro, guitarrista do Xutos e Pontapés, alongou a noite a pôr música até madrugada.
O domingo foi dedicado à música portuguesa para todas as idades.
A Brigada Víctor Jara deu o mote com a sua música de características populares, constantemente renovada.
Seguiram-se os Adiafa, os Pica Tumilho e os Canta D’Aqui. A actividade no Palco da Alegria terminou com um momento dedicado ao fado, através da voz de Camané.
Os dois dias deixaram «água na boca» a um público que ficou conquistado para aparecer em Setembro no Seixal, na Festa do Avante! e na próxima edição da Festa da Alegria.


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