A incúria governamental impediu o uso de meios da Força Aérea
Fogos - PCP responsabiliza o actual e anteriores governos
Políticas que queimam
Os comunistas não compreendem «o que é preciso acontecer mais» para o Governo accionar o Plano Nacional de Emergência, num momento em que a catástrofe dos fogos florestais atingiu vastas áreas do País. Luísa Araújo revelou segunda-feira que o PCP propôs já ao presidente do Parlamento Europeu que desenvolva esforços de solidariedade e agende um debate para a primeira sessão plenária, em Setembro.
A declaração de Luísa Araújo, da Comissão Política, seguiu-se a tomadas de posição do Partido na quarta-feira, dia 30 de Julho, em Lisboa, e no fim-de-semana, em Castelo Branco. Na segunda-feira de manhã, um Conselho de Ministros extraordinário tinha aprovado algumas medidas, que a dirigente comunista criticou severamente.
Depois de reafirmar as tomadas de posição sobre a situação da floresta e dos incêndios e «perante a excepcional gravidade da catástrofe que se abate sobre vastas áreas do nosso país», a dirigente comunista manifestou a solidariedade do PCP «para com as populações atingidas, em particular com os familiares das vítimas», e salientou «o esforço abnegado de muitos milhares de intervenientes no combate aos incêndios - bombeiros, autarcas, militares, membros das forças de segurança, guardas da natureza, sapadores e as populações, que se juntaram e juntam, numa impressionante acção de solidariedade».

Raízes no abandono

«O flagelo dos incêndios, sendo também influenciado por condições climatéricas pouco comuns, radica no abandono a que tem sido sujeita a floresta portuguesa, na ausência de uma estratégia de prevenção, na falta de vontade para aplicar uma política de desenvolvimento sustentável da floresta, concretizando designadamente a lei de bases da Política Florestal», reivindicada pelo PCP durante vários anos e que não está a ser implementada.
Para os comunistas, «a dimensão catastrófica dos incêndios que têm atingido o País nos últimos dias é também o resultado do desinvestimento dos sucessivos Governos, e também do actual Governo, nos meios de prevenção permanentes», o qual está ligado à «obsessão na desarticulação dos serviços da Administração Pública, bem visível, por exemplo na redução dos postos de vigilância, na diminuição drástica do número de guardas florestais, na fusão precipitada do Serviço Nacional de Bombeiros com o Serviço Nacional de Protecção Civil e na extinção da Comissão Nacional Especializada de Fogos Florestais, criando problemas acrescidos na coordenação de combate aos fogos».
«Acresce que o Governo fez uma má avaliação sobre o que estava em causa, sobre a dimensão da calamidade, reagiu tardiamente e de forma insuficiente, sendo evidente no terreno uma enorme falta de meios humanos e materiais, que contrasta com afirmações de membros do Governo que consideram os meios suficientes», sublinhou Luísa Araújo.
No momento em que «um elevado número de incêndios continua sem controlo, é indispensável concentrar atenções na mobilização de todos os meios ao dispor para proteger pessoas e bens e prevenir as áreas não atingidas». Neste quadro, o PCP não compreende que o Governo «não utilize acções que estão ao seu alcance, como seja o accionamento do Plano Nacional de Emergência».
Por outro lado, os comunistas consideram «lamentável que a Força Aérea Portuguesa tenha perdido a possibilidade de intervir com meios, por força da incúria governamental», explicando Luísa Araújo que estão em causa, por exemplo, equipamentos de combate a incêndios que foram adquiridos há 5 ou 6 anos e que estão «desprezados», enquanto o pessoal da Força Aérea não recebeu formação para usar esses meios. Além disso, «quanto maior é envolvimento em missões militares externas, menor vai sendo a capacidade de resposta a necessidades nacionais no plano interno».


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