Agosto de luta no sector ferroviário
«Em todas as empresas do sector, com maior ou menor intensidade, existem conflitos por resolver, alguns dos quais vão originado formas de luta», afirma o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário.
Num comunicado em distribuição desde quinta-feira passada, o SNTSF/CGTP chama a atenção para três situações que ocorrem «neste mês de Agosto, numa demonstração de que a luta não vai de férias»: as greves em Coimbra e na Soflusa, anteontem, e no Metro de Mirandela, sábado e domingo.
Na Soflusa a greve, que impediu a circulação de barcos durante a tarde, deveu-se ao facto de a administração «manter uma postura arrogante na mesa de negociação, tendo dado por encerradas as negociações sem acordo, e continuar sem dar respostas concretas quanto à garantia dos postos de trabalho». Durante a paralisação, realizou-se um plenário no Barreiro, onde os trabalhadores decidiram cumprir uma greve de duas horas por turno, entre 29 de Setembro e 3 de Outubro.
Na estação de Coimbra, os operadores de manobra estiveram em greve durante todo o dia, com uma adesão de cem por cento, protestando «contra a falta de respostas da Refer, que visem a melhoria das condições de trabalho, em particular, a salvaguarda da sua integridade física, ameaçada por marginais, perante a total passividade dos responsáveis». O sindicato sublinhou o êxito da greve com o facto de a Refer ter recorrido a pessoal de chefia para substituir os funcionários em luta. Também em violação da lei, responsáveis da empresa impediram a presença do piquete de greve, «provocando situações de conflito, das quais resultou uma agressão a um dirigente» do SNTSF.
No Metro de Mirandela os trabalhadores vão paralisar «pela exigência da negociação colectiva e pelo prosseguimento das negociações quanto ao pagamento das dívidas e aumento dos salários, para o qual já havia um pré-acordo negado, posteriormente, pela administração», refere-se no comunicado.

Crise e prémios

No mesmo documento, o sindicato protesta por, «num ano em que, a pretexto da crise, estão a ser negados aumentos dignos dos salários, a todos os trabalhadores, ninguém pode deixar de se sentir revoltado ao tomar conhecimento da distribuição de relógios e/ou cheques a algumas chefias intermédias da CP».
Para o SNTSF, «esta medida não resolveu nenhum problema de fundo e só demonstra que a empresa não tem uma política de pessoal em que todos se sintam incentivados», representando mesmo «uma tentativa de comprar trabalhadores, dividindo-os».
«Não podemos aceitar dois pesos e duas medidas na resolução de um problemas que abrange quase duas centenas de trabalhadores», protesta o sindicato, ao abordar a situação que se vive no Metro do Porto. Aqui, os trabalhadores continuam a lutar para que seja posto termo à redução dos salários, e para que sejam pagas as verbas descontadas devido à imposição da transferência da CP para a nova empresa.


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