Mancha negra

As sequelas provocadas pelo naufrágio do petroleiro Prestige ao largo da Galiza continuam a «dar à costa» permitindo, nove meses passados, (re)avaliar a dimensão da tragédia e revelar alguns dos seus responsáveis.
Segundo um relatório divulgado segunda-feira, pela Fundação Barrié de La Maza, os prejuízos ascendem a um montante superior a 7,5 mil milhões de dólares, entre perdas directas nas actividades económicas – essencialmente pesca, transformação de pescado e turismo - e custos de limpeza e descontaminação da costa.
Ainda segundo o mesmo documento, cerca de 60 por cento das 70000 toneladas contidas nos porões do navio terão já sido libertadas, estimativa que tende a aumentar, uma vez que continuam a registrar-se fugas na ordem da tonelada diária.
No último mês e meio foram recolhidos, na costa nordeste de Espanha e sudoeste de França, três mil quilos de crude proveniente do Prestige, obrigando à interdição de 135 praias.


Crime de Guerra

Passadas quase três décadas sobre o fim da guerra do Vietname, um estudo elaborado por cientistas da Universidade de Saúde Pública do Texas, revela dados que comprometem a versão norte-americana à cerca dos efeitos nocivos provocados pelo uso de armas biológicas contra a população civil vietnamita.
A investigação confirma que os efeitos dos milhões de litros de herbicidas de desfolhagem e de «Agente Laranja», lançados entre 1961 e 1971 pela aviação dos Estados Unidos, continuam a fazer-se sentir na cadeia alimentar, levando ao aparecimento de um número extraordinariamente elevado de casos de cancro, deficiências imunitárias e disfunções do sistema nervoso.
A recolha de amostras de alguns alimentos demonstraram a presença de elevados níveis de TCDD, o mais tóxico derivado do «Agente Laranja», bem como análises ao sangue efectuadas ao longo de cinco anos a uma amostra de 43 pessoas, revelaram que 90 por cento está contaminada com quantidades consideráveis da referida toxina.
O governo da República Popular do Vietname estima em mais de um milhão o número de vítimas das armas químicas usadas pelos americanos, facto que as sucessivas administrações de Washington teimam em não admitir.


Em defesa do Lima

A associação ambientalista Movimento para a Defesa do Rio Lima (Molima) alertou, na semana passada, em comunicado, para as nefastas consequências da instalação de uma segunda unidade de produção de papel em Diocriste, Viana do Castelo.
Aproveitando a fase de consulta pública e a divulgação do estudo de impacto ambiental encomendado pela Gescartão, empresa controlada em partes iguais pelo grupo SONAE e pela espanhola EUROPAC, a Molima contestou as razões invocadas no documento, afirmando que a fábrica irá aumentar significativamente a captação de água proveniente do rio Lima, traduzindo-se «na diminuição da qualidade das águas captadas para abastecimento da cidade de Viana do Castelo».
Para além disso, afirma a Molima, a diminuição do caudal a jusante da zona de captação fará aumentar os níveis de salinidade, facto que afecta a fauna e flora do rio, e coloca «problemas na utilização dessa água na agricultura, nas actividades domésticas e económicas».
A associação teme ainda a degradação da qualidade da água do mar na zona balnear do norte do Minho devido às descargas de águas residuais potencialmente poluentes.


Portugueses «limpam» a volta

O ciclista português Nuno Ribeiro venceu, no domingo, a 65.ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, confirmando na etapa de Viseu a superioridade demonstrada ao longo de toda a prova.
Apesar de ter ficado em segundo lugar no contra-relógio da última etapa, atrás do mais directo concorrente à vitória final, Claus Moller, o jovem corredor da equipa LA-Pecol manteve a camisola amarela, sucedendo a Vítor Gamito, vencedor em 2000, no ranking de atletas nacionais que inscreveram o seu nome na galeria dos campeões da mais importante prova velocipédica do nosso país.
As restantes categorias foram igualmente ganhas por ciclistas portugueses, tendo Cândido Barbosa arrecadado a camisola dos pontos, Rui Lavarinhas a da montanha e Paulo Barroso a das metas volantes. O ciclismo português está de parabéns.


Tensão em Bagdad

A ocupação do Iraque por parte das tropas norte-americanas e britânicas está a revelar-se um «osso duro de roer».
As manifestações populares e as diversas acções de sabotagem perpetradas por bolsas de resistentes iraquianos contra os exércitos invasores teimam em contradizer a teoria da «libertação» do território, semeando o nervosismo entre as forças invasoras.
Depois do ataque a um estabelecimento prisional em Bagdad e a colunas militares americanas, duas explosões, domingo, numa conduta de abastecimento de água a Bagdad e num oleoduto a norte da capital iraquiana minaram os interesses americanos no território.
No mesmo dia um repórter de imagem palestiniano da agência Reuters foi baleado por militares dos EUA enquanto recolhia imagens da prisão bombardeada. Segundo fonte no terreno citada por diversas agências internacionais, as imagens recolhidas por Mazen Dana mostram tanques americanos a aproximarem-se do local, tendo disparado dois tiros sem prévio pedido de identificação, o que resultou na morte do jornalista.


Resumo da Semana