Meio milhão de dívidas
Várias são as empresas do distrito de Lisboa que não pagam atempadamente os salários e subsídios de férias aos seus trabalhadores. De acordo com os exemplos que divulga, a USL estima que a dívida atinja já os 500 mil euros. Como preocupação adicional, acresce o aumento do número de empresas cujo património é constituído com contratos de leasing, que não reverterão para os trabalhadores em caso de falência ou encerramento.
Entre as empresas faltosas, contam-se três do sector metalúrgico: a MEC, de Sacavém, a Avimetal, de Alenquer, e a PSTM, de Vila Franca de Xira. Todas elas devem, no todo ou em parte, o subsídio de Natal de 2002 e o subsídio de férias deste ano. A MEC, que continua a reduzir trabalhadores, deve também uma grande parte do salário de Julho, enquanto que a PSTM deve-o na totalidade.
No sector das indústrias eléctricas, a STE deve salários e subsídios desde o ano passado, estando a proceder ao pagamento do subsídio de férias em duodécimos. Na Sercimpre trava-se um duro confronto entre os trabalhadores e o patrão. Como represália pela oposição do sindicato a um processo de despedimento que tentava implementar, a empresa instaurou 20 processos disciplinares aos trabalhadores que, em abaixo-assinado, reclamaram o pagamento do subsídio de férias de uma só vez e não em três prestações, como a empresa pretende.
À espera desde 2002 pelo pagamento dos salários em atraso estão os trabalhadores da Orgalimpee da Orgalimpe 2, nascida após a falência da primeira. A Orgalimpe 2, que não tinha seguros nem entregava descontos para a Segurança Social, não pagou os salários de Dezembro de 2001 e Janeiro de 2002 e faliu pouco depois. Espera-se ainda pela decisão judicial.
No sector da construção, as ilegalidades são mais que muitas. Rescisões verbais de contratos, sem pagamento de indemnizações, subsídios de Natal e férias, no valor de muitos milhares de euros, são norma para muitos empreiteiros. A USL denuncia a inactividade da Inspecção-Geral do Trabalho, que foi repetidas vezes instada a agir.
A J. Costa Ramos, que tinha salários em atraso, começou a pagar após a entrega pelo sindicato dos pré-avisos de greve para os últimos dias de cada mês.


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