Morreu Sérgio Vieira de Mello

A explosão de um camião armadilhado, terça-feira da semana passada, junto da representação das Nações Unidas em Bagdad, vitimou 21 pessoas e provocou mais de uma centena de feridos entre as quais Sérgio Vieira de Mello, responsável da organização para o território.
O diplomata brasileiro ocupava o cargo desde Maio e era apontado como provável sucessor de Kofi Annan como secretário-geral da ONU, dando seguimento a uma longa carreira no seio da organização.
Sérgio Vieira de Mello, doutorado em filosofia pela Sorbonne, em Paris, começou a trabalhar como Alto Comissário da ONU para os Refugiados em 1969, tendo passado desde então por países como o Bangladesh, Chipre, Camboja, Moçambique e Jugoslávia.
Em Maio de 2002, data da independência de Timor-Leste, era o administrador delegado da ONU no país, saindo para desempenhar a função de Alto Comissário para os Direitos Humanos, cargo que contava voltar a assumir após os quatro meses de serviço previstos no Iraque.


Calor mata mais

Dados preliminares divulgados, na passada quinta-feira, pelo Observatório Nacional de Saúde referem que a onda de calor que assolou Portugal nas últimas semanas fez disparar a taxa de mortalidade em cerca de 37,7 por cento, o que, em termos absolutos, significa um aumento de 1316 óbitos em relação à média.
O grupo mais afectado pelas altas temperaturas, anormais mesmo considerando a época do ano e só comparáveis às registradas em Julho de 1981 e de 1991, foi o dos idosos com mais de 75 anos, registando 996 vítimas mortais.
Inesperadamente, no mesmo dia, as autoridade de saúde admitiram que esperavam uma mortalidade «na ordem dos dois milhares» de pessoas. A acção de prevenção da Direcção-Geral de Saúde esteve também em análise, tendo o subdirector Geral da Saúde, Francisco George, reconhecido que «há seguramente aspectos que poderão não ter tido um funcionamento ideal», nomeadamente junto de populações mais frágeis, como idosos. «Poderia haver um maior número de técnicos de saúde pública disponíveis no local para trabalhar em conjunto com organismos da Segurança Social, nomeadamente lares», afirmou.


Justiça de algoz

Os bastonários da Ordem dos Advogados de França, Canadá, e Suécia e os presidentes de associações de advogados da Escócia, Austrália, Irlanda do Norte, Inglaterra e País de Gales manifestaram-se, em carta aberta, contra a decisão dos EUA de julgar em tribunais militares sem jurados os prisioneiros não norte-americanos detidos em Guantanamo.
O documento, publicado na edição de quinta-feira do jornal britânico The Guardian, exige a realização de julgamentos «justos e respeitadores da lei», denuncia as condições a que estão sujeitos os cerca de 660 reclusos, entre os quais menores de idade, e aponta como únicas «soluções aceitáveis do ponto de vista legal» a extradição para os respectivos países ou a garantia por parte das autoridades americanas de julgamentos em tribunais civis com representantes de pleno direito.
A Amnistia Internacional juntou-se ao coro de protestos e divulgou um relatório onde afirma que nas bases militares de Guantanamo, Cuba, e de Bagram, Afeganistão, os prisioneiros não têm direito a visitas familiares ou aconselhamento jurídico, são mantidos de olhos vendados, algemados e sujeitos a tortura e maus tratos como limitação de movimentos, privação do sono e exposição a música e luz durante 24 horas por dia.


A última emissão

O Governo decidiu, por via de um despacho da Secretaria de Estado da Administração Educativa, encerrar até ao ano lectivo 2004/2005 a maioria dos postos de emissão da rede de Ensino Básico Mediatizado (Telescola).
Esta medida, que entrará em vigor já este ano curricular com o fecho de 45 estabelecimentos, insere-se na política de restrição orçamental para o sector da Educação Pública e deverá traduzir-se no encerramento de cerca de 250 estabelecimentos de ensino em todo o País.
Dados oficiais do Ministério da Educação revelam que, no ano transato, o sistema foi frequentado por 4629 alunos matriculados, dos quais 90 por cento concluiu o 2.º Ciclo do Ensino Básico com aproveitamento.
Diversos agentes educativos manifestaram-se preocupados com a ausência de alternativas apresentadas, em particular no que concerne aos alunos residentes no interior de Portugal ou em áreas suburbanas cujas escolas, sobrelotadas, não estão em condições de lhes garantir vaga.
Numa altura em que por toda a Europa se investe e reformulam as estruturas do ensino à distância, o Governo português resolve «enterrar», ao fim de quase quarenta anos, a rede de telescola que permitiu que quase um milhão de crianças acedesse ao Ensino Básico.


«Transe» é possível

O mais recente filme que a cineasta portuguesa Teresa Villaverde se prepara para realizar foi abrangida pelo 2.º Concurso de Apoio Financeiro e Selectivo à Produção, o sistema de subsidiação do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia.
O novo projecto, intitulado «Transe», é a quinta longa-metragem de Teresa Villaverde que, entre outras fitas, desde o início da década de noventa já realizou «Idade Maior» (1991), «Três Irmãos» (1994), «Os Mutantes» (1998) e «Água e Sal» (2001).


Resumo da Semana