Editorial

«Um mar de gente: homens, mulheres, jovens e não jovens, comunistas e não comunistas»

FALEMOS DO TRIGO

Quando dizemos, sem jactância, que nenhum outro partido é capaz de fazer uma festa como a do Avante!, não estamos a fazer auto-propaganda, antes constatamos uma realidade incontestável e incontestada. Aliás, facilmente explicável. Sabe quem quer saber que o PCP é um partido com específicas características programáticas, ideológicas e de classe, características que têm inevitáveis reflexos nas orientações políticas do Partido, na sua estrutura orgânica, no seu funcionamento, no papel e no relacionamento dos seus militantes e, portanto, nas formas e nos conteúdos das iniciativas levadas a cabo pelo colectivo partidário. Um partido que tem como objectivo supremo construir uma sociedade nova, liberta de todas as formas de opressão e de exploração é, em todos os aspectos e inevitavelmente, um partido diferente dos partidos que existem para, mais ou menos declaradamente, perpetuar a velha sociedade baseada, precisamente, na opressão e na exploração.
A Festa do Avante constitui, assim, a expressão concreta mais evidente das diferenças essenciais que distinguem o PCP de todos os outros partidos políticos nacionais. Do quadro partidário nacional, caracterizado pela total ou quase total ausência de militância e por um conceito de participação que se esgota na eleição dos lideres, emerge um partido – o PCP - cujas fontes decisivas de actividade e de reflexão são, precisamente, a militãncia e a participação assumidas e conscientes, traduzidas na intervenção de um segmento significativo (mas que se quer maior) dos militantes na vida do partido, na definição e na aplicação das suas orientações, num relacionamento fraterno e solidário. E são estas características do PCP que explicam a Festa do Avante!, a sua construção e os seus três dias de funcionamento, produto de um esforço colectivo e de uma disponibilidade militante que daqui saudamos fraternalmente.

É claro que, por tudo isso, a Festa do Avante continua a acender raivas em muita gente – nos direitistas de nascença; nos que, tendo habitado o esquerdismo práfrentista transitaram, depois, para a direita extrema ou quase; nos mais ou menos ex-comunistas que optaram pelo outro lado; enfim, em todo o cardume que usa encontrar-se, comer e beber na casa comum da política de direita.
Não vale a pena falar muito neles, nos que, visivelmente perturbados, continuam a fazer da Festa do Avante o alvo preferencial dos seus ódios, rancores e dores de cotovelo. Não vale a pena falar muito nos que - nuns casos não tendo ido sequer à Atalaia, noutros casos tendo por lá passado – produziram, sobre a Festa, textos surreais e delirantes. Não vale a pena falar muito naqueles «comentadores» que decretaram a condenação à morte dos comícios - «peças arqueológicas» que «faziam sentido há dez anos mas não agora», já que «os cidadãos não precisam de comícios», «as pessoas querem é vigilância, não querem comícios»!!! Não vale a pena falar muito naquele jornalista que, recorrendo a meia dúzia de depoimentos anónimos e clandestinos, arrasou a Festa antes, mesmo, de ela se realizar. Não vale a pena falar muito naquele «comentador» e naquele «politólogo» universitário que, quais propagandistas políticos isentos e imparciais, aproveitaram a boleia do funeral dos comícios e, atrás de uma árvore, verteram uma oração de apoio aos não-comícios do partido da sua predilecção, esses sim, cheios de actualidade. Não vale a pena falar muito naquele escriba para todo o serviço que, isolado do mundo e da vida, fechado em casa, bebendo informação sobre a Festa nas fontes onde usa informar-se sobre tudo, concluiu, em prosa gordurenta (depois de ter decretado a morte, à escala planetária, da ideologia dos comunistas), que «a Festa do Avante existe fora do tempo». Enfim, não vale a pena falar muito nessas fulgurantes inteligências que acham «esgotado» o modelo do comício mas que, lastimosamente, nem se apercebem de que se a imbecilidade e o disparate estivessem esgotados, eles estariam condenados a um silêncio total.

Mas deixemos o joio. Falemos daquilo que merece ser falado, falemos do trigo: a Festa; os milhares e milhares de militantes e simpatizantes do Partido e da JCP que, vindos de todo o País, em sucessivas jornadas de trabalho voluntário, construíram, decoraram e fizeram funcionar durante três dias o maior acontecimento político-cultural nacional; os espectáculos espalhados pelos diversos palcos da Festa e o espectáculo maior que é a multidão em festa e alegria; a Cidade Internacional, expressando a solidariedade internacionalista do PCP, o seu apoio às lutas de todos os povos do Mundo; a Bienal de Artes Plásticas e as exposições sobre múltiplas temáticas; o espaço de convívio, de alegria, de debate e de luta que é a Cidade da Juventude – um espaço da Juventude na Festa que é, cada vez mais, a Festa da Juventude; a gastronomia e o artesanato vindos de todo o País; a poesia – este ano em homenagem ao Zé Carlos Ary dos Santos - escrita em painéis, dita e cantada nos palcos e nas ruas; os debates abordando os grandes temas da actualidade nacional e internacional (e, para quem esteja interessado em saber, contando com a participação de milhares de pessoas); os comícios com o Secretário Geral do PCP: um na abertura da Festa com milhares de pessoas, outro, no encerramento, com muitos mais milhares de participantes; os visitantes: um mar de gente – homens, mulheres, jovens e não jovens, comunistas e não comunistas – cantando, dançando, rindo, brincando, cada qual à sua maneira vivendo a Festa e, assim, fazendo-a de todos, nossa.


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