• Domingos Mealha

Pavilhão Central
Viagem ao centro da Festa
Pela sua colocação no terreno, pelas suas dimensões, pela actualidade dos temas das exposições e dos debates, pelo laborioso investimento que os construtores da Festa do Avante! ali transpiram e pelo cuidado resultado que é exibido aos visitantes, o Pavilhão Central atraiu muitos milhares de pessoas.
Este foi ano de Bienal de Artes Plásticas – a 13.ª edição: alojada num vasto topo do coração da Festa.
Ao lado, estendia-se a exposição de Ciência e Tecnologia, que teve por tema «O Sol quando nasce é para todos». Numa «praceta» desenhada por uma dúzia de painéis, assinalou-se a vermelho o Ano Nacional da Arquitectura. No Forum e no espaço da imprensa do Partido realizaram-se mais de uma dezena de debates...
Mas comecemos pelo princípio. Entremos pela Praça da Paz, depois de refrescar as mãos ou o olhar na água das suas fontes. Eis o índice do que aqui nos é mostrado. Exposições, evocações, banca, Café d’Amizade... Avante!
Marx está à esquerda. Claro, não fosse ele o Karl Marx do Manifesto Comunista. Assinalando 120 anos sobre a sua morte, um painel sintetiza por ordem cronológica os principais momentos da sua vida e obra.
Mais um passo, o pavilhão abre-se num amplo átrio que exibe bem alto uma reprodução do mural que na Rua Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa, dá as boas-vindas a quem chega à sede central do PCP. Há 25 anos! Outra vez à esquerda, estão expostos estudos de pormenor da obra, com identificação dos autores (quase todos com nome firmado num vasto público e com ideais progressistas claramente assumidos), e também os projectos que determinaram as cores e os materiais utilizados.
O olhar e o passo descem até à banca, onde está à venda uma serigrafia reproduzindo o painel da Soeiro. E uma agenda para 2004, livros e brochuras, t-shirts com pombas de Picasso, um enorme puzzle da Guernica, CDs... «Camarada, já assinaste?» Ah! O postal que exige a revogação da lei dos partidos, subscrevemos, sim senhor, e manda lá para São Bento, que isto é uma vergonha!
Ilustrado com páginas do Avante! e d’ O Militante clandestinos, e também com algumas fotografias da época, um painel de tons quentes explicava a importância que tiveram as greves de 1943 no nosso País: faz agora 60 anos dezenas de milhar de trabalhadores, organizados pelo PCP, fizeram frente ao regime fascista e obtiveram importantes sucessos.
O som forte dos versos de Ary dos Santos convidava a entrar no auditório coberto onde passava ininterruptamente um vídeo marcando os 20 anos da morte do poeta. Estavam expostos originais e objectos, como a mesa de trabalho de Ary, e fotografias de amigos, lutas e festas. A obra poética e a assinatura do poeta da revolução espalhavam-se, lá fora, por todo o recinto, em placards dispersos pelos ferros-pilares da estrutura do pavilhão.
Um longo e rubro banco corrido convida-nos a descansar as pernas. Convite recusado, pois já vislumbramos o Café d’Amizade, com uma esplanada onde parece que está um grupo a tocar músicas da América Latina. «Olha!» Das costas do banco rubro para o chão relvado estendem-se os painéis da exposição política. No lado oposto, a simetria do corredor de painéis, a retratar a «luta e esperança» dos comunistas e os problemas da política dominante em Portugal, desfaz-se em bancos de madeira intervalados com vasos de flores.
Com verde de floresta e negro de fogo passado, uma exposição autónoma aborda os incêndios deste verão. Além de fotografias e estatísticas sobre «a dimensão de um crime e de uma tragédia», os fogos florestais eram igualmente mostrados sob o prisma das propostas e reclamações do PCP, quer para a prevenção, quer para os apoios especiais aos 62 concelhos mais duramente atingidos.
«Então, vamos ali ao Café?»
Reparamos num prelo, onde um camarada imprime... pois, é o Avante! dos tempos da clandestinidade. Estamos na área da imprensa do PCP: uma exposição com opiniões e caras de leitores, até conheço aquele... Outra sobre os 70 anos d’ O Militante... Aqui pode-se estar «à conversa com...». Vai começar a passar um vídeo, «Do prelo ao computador»; contam-nos que é sobre a imprensa comunista, com depoimentos de camaradas que tiveram importante papel em tipografias clandestinas, mas também fala do 25 de Abril e do primeiro Avante! legal, acabando por chegar aos dias de hoje e aos projectos para o futuro, usando a Internet.
«Ok! Vamos lá para o Café d’Amizade. Mas quero voltar aqui, com tempo para o filme.»


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