«Borboleta» no IC 19

O Grupo Parlamentar do PCP exigiu o «cabal esclarecimento» das causas que motivaram o colapso da passagem pedonal sobre o IC !9. Para a bancada comunista, que tomou posição no próprio dia em que foram divulgadas as conclusões do inquérito mandado instaurar pelo Instituto de Estradas de Portugal (IEP), é «inaceitável» que esta entidade tenha dito não ter sido possível apurar responsabilidades pelo sucedido. Na sua origem, segundo o relatório, terá estado uma multiplicidade de factores que interagiram entre si, o chamado efeito de «borboleta». Explicações que não colheram e acabaram por levar à demissão de Ribeiro Santos, presidente do IPE.
Igualmente grave, na perspectiva dos PCP, é a ausência de qualquer explicação ao País sobre esta matéria por parte do Ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues, facto classificado de «incompreensível». O o governante foi mesmo acusado de, com o seu silêncio, «gerar intranquilidade na população que utiliza infra-estruturas semelhantes».
E por isso, segundo o anúncio que fez em nota de imprensa, a formação comunista decidiu levar a questão à primeira sessão de perguntas ao Governo do novo ano parlamentar (já amanhã, dia 19), considerando que o Executivo «já terá tido tempo mais que suficiente para prestar à AR e ao País explicações definitivas sobre este caso», bem como para garantir a segurança de outras infra-estruturas deste tipo.


O regresso dos fogos

Os termómetros voltaram a disparar para valores menos comuns para a época e, de imediato, numa aparente associação, logo voltaram os fogos florestais. Às condições favoráveis para a sua deflagração (calor, ar seco e vento) juntam-se, segundo vários indícios e relatos, ao que tudo indica, mãos criminosas. A que se somam ainda as bem conhecidas e endémicas debilidades dos sistemas de prevenção e combate aos fogos e a inexistência de uma adequada política de ordenamento florestal. e de desenvolvimento económico.
A violência das chamas fez-se sentir em vários pontos do País, nomeadamente em Monchique, no Algarve, e nos concelhos de Mafra e Loures, a norte da capital. Ainda mal refeito da vaga de destruição que o percorreu em Agosto, o País voltou a assistir à tragédia e à dor provocadas pelo avanço imparável do fogo. A trás de si, deixado, o mesmo rasto de sempre: terra queimada e nela, aqui e ali, em muitos casos, os bens de uma vida de trabalho e sacrifícios.


Tufão varre Coreia do Sul

Um violento tufão atingiu no dia 13 a Coreia do Sul provocando 74 mortos e 24 desaparecidos, segundo o balanço oficial apurado no dia a seguir à tragédia.
Designado por Maemi, este tufão, que já havia feito uma vítima mortal no sul do Japão, foi o mais forte a atingir a Coreia do Sul nos últimos anos, com rajadas de vento que atingiram os 216 km/h. A passagem do Maemi obrigou à evacuação de cerca de 2.000 pessoas no leste e sudeste do país, tendo provocado diversas inundações e deslizamentos de terra.
As autoridades anunciaram igualmente que cerca de 1,34 milhões de habitações ficaram sem electricidade no este e sudeste do país, depois de quatro centrais eléctricas terem interrompido os seus trabalhos. Cinco centrais nucleares, devido ao corte de energia, viram-se igualmente obrigadas a suspender a sua produção.
A força dos ventos, os mais poderosos desde que há registos (1904) arrancou árvores e postes eléctricos, bloqueou estradas e ponte, quebrou amarras de barcos ancorados e afundou-os.


Morreu Vítor Damas

Faleceu, na madrugada do dia 14, após doença prolongada, Vítor Damas. Considerado o mais notável guarda-redes que defendeu a baliza do Soprting, Damas fica também com o seu nome gravado na história do futebol português. As suas qualidades desportivas e humanas são enaltecidas por todos quantos o conheceram, conviveram ou trabalharam, colegas e rivais, dentro e fora do rectângulo de jogo.
«A sua forte presença, notória mesmo fora de campo, transmitia uma grande tranquilidade a todas as pessoas», nestes termos se referiu, por exemplo, o líder «leonino» Dias da Cunha, que erigiu Vítor Damas à condição de «atleta e homem extradordinário».
O funeral realizou-se segunda-feira para o cemitério de Oeiras.


Eleições na SPA

A lista liderada por Manuel Freire venceu as eleições para a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). No sufrágio, realizado segunda-feira, participaram 406 cooperantes, tendo a equipa que se apresentou sob o lema «Mudar é preciso», a lista B, conquistado 223 votos, enquanto a lista encabeçada por Vasco Graça Moura, a lista A, ficou pelos 183 votos.
A lista dirigida pelo intérprete que se celebrizou com a Pedra Filosofal apresentou-se a estas eleições como uma «alternativa e de ruptura» em relação à anterior gestão.
A nova direcção da SPA expressou o propósito de pedir a realização de uma auditoria independente à instituição que gere os direitos de autor na área artística e cultural de mais de 16.000 beneficiários em todo o País, pretendendo simultaneamente reduzir os vencimentos da administração e actualizar os estatutos.


Resumo da Semana