«Queremos cumprir o programa vencedor das eleições até ao fim»
Eleições intercalares em Samora Correia
Confiança no trabalho feito
O trabalho realizado é o melhor trunfo que a CDU tem para as eleições intercalares de domingo na freguesia de Samora Correia, provocadas pela demissão em bloco de PS e PSD.
A demissão em bloco dos eleitos do PS e do PSD na Assembleia de Freguesia de Samora Correia em 15 de Julho provocou a queda da Junta de Freguesia e, consequentemente, a marcação de eleições intercalares para o próximo domingo, 21 de Setembro. Na base da demissão, declararam na ocasião esses eleitos, estava a traição de que diziam ter sido vítimas por parte dos seus grupos parlamentares, que inviabilizaram a criação do concelho de Samora Correia, proposta pelo PCP.
A estas eleições, para além da CDU, concorre o PS e uma lista independente, intitulada Samora Agora, encabeçada pelo cabeça de lista do PS às últimas eleições autárquicas. A maioria dos membros da lista são conhecidos militantes do PS e do PSD.
Rogério Pernes, presidente deposto e novamente candidato nas listas da CDU, considera que a posição dos eleitos demissionários até poderia ser compreensível – foram de facto traídos! – se entretanto alguns deles não tivessem resolvido candidatar-se novamente, como independentes. Para o autarca, os membros da lista Samora Agora enganaram não só a população de Samora Correia – ao desestabilizarem o normal funcionamento da junta –, mas também alguns dos seus próprios colegas de partido.
«Quando anunciaram que iam renunciar ao mandato na Assembleia de Freguesia, levando todos os outros a seguir esse caminho, não revelaram que tinham o propósito de voltar a concorrer, como independentes», recorda Rogério Pernes. O candidato comunista acredita que alguns dos que se demitiram, se conhecessem as reais intenções por detrás desta demissão, não o teriam feito. «Há outros eleitos do PS e do PSD que renunciaram por estarem genuinamente contra o comportamento dos dois partidos na Assembleia da República e que não têm qualquer objectivo de tomar o poder na freguesia.»
Para o cabeça de lista da CDU, o objectivo da demissão sempre foi derrubar a Junta de Freguesia. Cândido Birrento, segundo da lista da CDU, concorda. «Viram a possibilidade provocar novas eleições e voltar a tentar ganhar a Junta», denuncia. «A questão do concelho é meramente um pretexto.»

Melhor que muitos concelhos

O trabalho realizado pela CDU na freguesia é o melhor trunfo eleitoral para as eleições de domingo, consideram os candidatos. Até, porque, recorda Rogério Pernes, a convocação de eleições nada tem a ver com críticas ao trabalho da junta nem com incumprimento do programa apresentado.
«Se Samora Correia tem condições para ser concelho é exactamente porque a CDU, que está no poder há mais de 20 anos, criou essas condições», destaca Rogério Pernes. O candidato lembra que a freguesia tem indústria, comércio e infra-estruturas «como poucas freguesias têm». E mesmo como poucos concelhos, assegura.
Com uma população residente de mais de 12 mil pessoas – recenseadas no Censos 2001 –, a freguesia de Samora Correia está praticamente tão bem servida de infra-estruturas como a sede de concelho, Benavente. «O que fazem lá fazem também aqui», afirma o cabeça de lista da CDU. Campos de futebol relvados, piscinas municipais, polidesportivos, biblioteca, centro cultural, escolas de vários níveis de ensino e cortes de ténis são equipamentos existentes em ambas as localidades.
Estas condições, criadas pelo trabalho da CDU, levaram ao acentuado crescimento demográfico registado na última década: a população aumentou 34 por cento. Rogério Pernes chama a atenção para a forma como a freguesia cresceu. «Apesar de a freguesia crescer muito, cresce de forma harmoniosa», destaca. «Não há prédios grandes e a qualidade de vida mantém-se elevada.»

Concelho esconde ambições

A criação do concelho de Samora Correia assume nestas eleições intercalares uma importância central. Foi este, aliás, o motivo avançado para a demissão em bloco dos eleitos do PSD e do PS, responsável pela queda da Junta de Freguesia e pela convocação das eleições intercalares de domingo.
Rogério Pernes lembra que nem este motivo – se fosse realmente esta a intenção – justificaria o procedimento destes «independentes», já que também nesta matéria o PCP honrou os seus compromissos. E foi o único, já que foi o grupo parlamentar comunista que apresentou na Assembleia da República o projecto-lei de criação do concelho de Samora Correia, que seria inviabilizado pelo PS e pelo PSD. Estes, por seu lado, optaram por aprovar a criação de outros dois concelhos, porventura com menos condições para o ser, Canas de Senhorim e Fátima. Para a Comissão de Freguesia do PCP, a criação destes concelhos tem motivações partidárias, de satisfação de clientelas eleitorais e não é fruto da avaliação de quaisquer critérios objectivos.
Às eleições de domingo, para além da CDU e da lista Samora Agora, concorre o PS, que revelou grandes dificuldades em arrancar com a campanha eleitoral. Perdido o cabeça de lista e alguns dos outros candidatos e eleitos, acabou por intensificar a campanha na recta final. O PSD não apresenta lista própria, mas parece estar fortemente empenhado na lista «independente». Para Cândido Birrento, número dois da lista da CDU, «há um conjunto de meios que eles apresentam na campanha que revela quem poderá estar por trás dessa lista».
Rogério Pernes reafirma a sua convicção de que a elevação a concelho é, para a lista Samora Agora, puramente secundária, sendo as reais motivações a conquista do poder. E recorda que o cabeça de lista dessa candidatura – primeiro candidato do PS em 2001 e presidente da Assembleia de Freguesia no mandato 1998/2001 – nunca lutou verdadeiramente pelo concelho de Samora Correia.
Cândido Birrento afirma mesmo que «quando o PS era maioria na Assembleia da República e ele – o cabeça de lista dos “independentes” – era presidente da Assembleia de Freguesia nunca ninguém o ouviu abrir a boca» acerca da criação do concelho. «Nunca disse nada.»
Para os candidatos da CDU, o cabeça de lista dos «independentes» poderá ter ambições maiores do que a própria junta de Freguesia, podendo estar mesmo a sonhar com a presidência da Câmara de Benavente. Não é por acaso, afirmam, que tem travado muitas polémicas com o actual presidente da autarquia, o comunista António José Ganhão, acerca da sua participação activa na campanha. «Há muita desonestidade política e ambições muito grandes», lamenta Cândido Birrento.

Cumprir o programa até ao fim

«O mandato chegou a meio e nós entendemos que devemos levá-lo até ao fim, com o mesmo programa», afirma Rogério Pernes, cabeça de lista da CDU às eleições intercalares de domingo próximo. Programa que foi, lembra, maioritariamente aceite pela população de Samora Correia. «Obviamente, acrescentando alguns pontos e corrigindo coisas menos boas», ressalva.
Rogério Pernes considera que se o programa estava a ser cumprido e se a queda da Junta e a convocação de eleições intercalares nada teve a ver com a gestão da CDU, deve-se apostar em levar até ao fim o trabalho iniciado após as eleições de 2001. Para além da continuação dos grandes projectos, realizados em parceria com a Câmara Municipal de Benavente, a CDU mantém a aposta na cultura e no desporto, bem como no apoio a instituições de solidariedade social e colectividades. O equilíbrio entre as várias localidades da freguesia, nomeadamente Samora Correia, Porto Alto e Lugar do Arados, é outra das preocupações.


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