Bombeiros às «voltas»

O presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil(SNBPC), Leal Martins, apresentou, segunda-feira, a sua demissão ao ministro da Administração Interna.
O agora ex-responsável pela coordenação do SNBPC alegou falta de condições para permanecer no cargo, na sequência do escândalo das viagens turísticas de helicóptero pela cidade de Lamego.
O caso revelou ser a «gota de água» na contestação a Leal Martins, que se estendeu por todo o período da vaga de incêndios que assolaram o país neste verão, acusado de ser um dos principais factores de instabilidade e descoordenação no seio das estruturas dos bombeiros e da protecção civil.


Marchar contra a pedofilia

Milhares de pessoas vestidas de branco desfilaram, no sábado passado, em defesa dos direitos das crianças e contra os abusos sexuais de menores.
A Marcha branca contra a pedofilia decorreu simultaneamente em quatro cidades portuguesas, Lisboa, Porto, Braga e Portimão, e em outros dois países da Europa igualmente mergulhados em escândalos de pedofilia, a Suíça e a Bélgica.
Na capital a manifestação concentrou-se na praça D. Pedro IV e subiu a Avenida da Liberdade em direcção ao parque Eduardo VII.
Inicialmente prevista como uma marcha silenciosa, os muitos milhares de pessoas não contiveram a revolta e gritaram palavras de indignação como «justiça, justiça».
Catalina Pestana, actual provedora da Casa Pia, sublinhou que, apesar de se ter apontado para um protesto mudo, «o silêncio pesa, corroí, destroí e aniquila» e que ficou provado que «se alguma vez precisarmos de voltar a sair à rua, cada um trará um amigo também».
No Porto, em Braga e Portimão o cenário repetiu-se, e milhares de pessoas expressaram-se em favor do cumprimento dos direitos das crianças e contra os maus tratos a que tantas vezes estão sujeitas, num grito colectivo que, vestido de branco, repudia o negro quadro dos abusos sexuais a menores.


Tráfico de animais selvagens

A Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) exigiu, sexta-feira, em comunicado, a punição de «todos os responsáveis do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) pela ordem de apreensão dos animais sem a presença de um médico veterinário e pessoas qualificadas para a acção em vista», na sequência das imagens transmitidas pela RTP, no programa «Planeta Azul», referentes a uma reportagem sobre tráfico de animais selvagens.
Em causa está uma operação de resgate de felinos na Região Autónoma dos Açores, na qual acabaram por morrer um tigre e duas leoas devido à deficiente administração dos anestésicos por parte da equipa do ICN, pelo que a CPADA manifestou a sua «revolta perante a incompetência demonstrada».
Aquele estrutura associativa pretende ainda averiguar «se actuação do ICN foi também devido à falta de recursos e pessoal qualificado, situação em que a responsabilidade deve recair sobre o Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente», considerando que «houve uma clara violação das normas regulamentares para a captura de animais».
A carência de meios adequados nas alfândegas, a de falta fiscalização e a ausência de parques zoológicos equipados e vocacionados para o efeito, fazem de Portugal um importante entreposto no comércio ilegal de espécies protegidas, facto que leva a Confederação a exigir às autoridades «uma investigação aprofundada sobre os indícios de ilegalidades observadas na reportagem da RTP».


Milhares para ver os Stones

Ao final de quarenta anos de carreira conjunta, a idade parece não pesar sobre os britânicos Rolling Stones que, no sábado passado, proporcionaram um memorável concerto aos cerca de 45 mil espectadores presentes no Estádio Municipal de Coimbra.
Munidos de uma experiência incomparável e de meios tecnológicos só ao alcance dos melhores, os Stones tocaram durante mais de duas horas alguns dos temas que os eternizaram no panorama musical mundial. Sem cair na tentação de fazer uma antologia de quatro décadas de carreira, Mick Jagger, Keith Richards, Ron Woods e Charlie Watts fizeram a delícia dos amantes do mais puro rock contagiando a assistência naquele que foi, provavelmente, o último concerto da banda em terras lusas.


Morreu Elia Kazan

Morreu no domingo, na cidade de Nova Iorque, aos 94 anos, o cineasta americano de origem turca, Elia Kazan.
Kazan foi um dos mais activos impulsionadores da Actor’s Studio, nas décadas de 30 e 40, uma escola de representação responsável pela introdução de novos métodos de abordagem nos campos do teatro e do cinema.
A par de trabalhos com dramaturgos como Tennessee Williams e Arthur Miller, no período de ouro da Brodway, Kazan realizou filmes aclamados como «Um Eléctrico Chamado Desejo» ou «Há Lodo no Cais».
Conotado com a actividade do Partido Comunista Americano, Kazan acabou por colaborar com o Comité de Investigação às Actividades Anti-Americanas que, nos anos 50, liderado pelo senador Joe MacCarthy, foi responsável por um das mais negras páginas da história das perseguições ao movimento comunista internacional.
Kazan foi acusado pelos seus pares de ter denunciado alguns dos companheiros de luta, participando na «caça às bruxas» contra militantes comunistas e activistas de esquerda nos EUA, particularmente contra actores e cineastas de Hollywood.


Resumo da Semana