Nobel para Coetzee

O escritor sul-africano John Mawell (J.M.) Coetzee, de 58 anos, foi galardoado com o Nobel da Literatura deste ano, tornando-se o segundo romancista do país a receber o prémio, depois de Nadine Gordimer em 1991.
O anuncio foi feito em Estocolmo, na quinta-feira, pelo porta-voz da academia sueca, entidade responsável pela atribuição da mais alta distinção literária.
As reacções à escolha de Coetzee por parte do Comité Nobel não se fizeram esperar. Smuts Ngonyama, do Congresso Nacional Africano (ANC), destacou a «imensa honra não só para o nosso país, mas, em particular, para a literatura sul-africana», fazendo votos que tal funcione como «inspiração a jovens escritores neste país e no continente africano».
José Saramago, Nobel da Literatura em 1998, destacou, em declarações à Lusa, duas obras do autor, «A Idade do Ferro» e «Desgraça», considerando que «são livros duros, porque a própria realidade da África do Sul é mais que dura, é terrível». Também Urbano Tavares Rodrigues ressalta este último título, uma vez que Coetzee lhe imprime «uma imagem do mundo de hoje quase sem saída».
J.M. Coetzee havia já sido distinguido por duas vezes, em 1983 com «A Vida e o Tempo de Michael K.» e em 1999 com «Desgraça», com o prestigiado Booker Prize. Para além destas, o escritor tem em Portugal mais cinco obras traduzidas e publicadas por três editoras diferentes, «A Vida dos Animais», «A Idade do Ferro», «A Ilha», «À Espera dos Bárbaros» e «A Prática da Astrologia».


Sem urgências

Os médicos do serviço de pediatria do Hospital de Santa Maria (HSM), em Lisboa, manifestaram-se, quarta-feira da semana passada, em comunicado, contra as alterações ao horário e local de funcionamento das urgências pediátricas na cidade, impostas pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).
Segundo determinação do Conselho de Administração da ARSLVT, dada a conhecer aos serviços através de um ofício, as urgências pediátricas dos hospitais de Santa Maria e São Francisco Xavier passarão a encerrar às 22 horas, devendo os médicos das respectivas unidades de saúde constituir equipas que assegurem o funcionamento do serviço na única unidade que se manterá aberta na capital entre as 22 e as 9 da manhã do dia seguinte, no Hospital Dona Estefânea (HDE).
Tal medida obriga a que um profissional que esteja 13 horas de serviço nas urgências daquele hospital se desloque ao HDE para cumprir as restantes 11 horas, o que resulta, segundo o documento subscrito pelos pediatras do HSM, em «prejuízo para a saúde das crianças».
Os pediatras deixam ainda uma questão em suspenso: «Se uma criança precisar de um exame de otorrino ou outra especialidade que o Dona Estefânea não dispõe vai ter de se deslocar de ambulância para o Santa Maria e depois regressar à Estefânea para prosseguir o atendimento?».


Abu-Jamal cidadão de Paris

A Câmara Municipal de Paris, capital da França, nomeou, no sábado passado, o norte-americano Mumia Abu-Jamal cidadão honorário da cidade.
O jornalista agradeceu a distinção concedida, em mensagem gravada a partir do «corredor da morte», e exortou o povo francês pela abolição da pena de morte em 1981.
Abu-Jamal, activista dos direitos cívicos nos EUA e membro da organização «Panteras Negras», foi condenado à morte em 1982 por alegadamente ter baleado um polícia, facto que nunca ficou provado de forma concludente, tendo mesmo sido levantada a hipótese de se tratar de uma fraude judicial orquestrada para aniquilar a sua incómoda acção.
Desde então aguarda execução num estabelecimento prisional norte-americano, o que tem sido sucessivamente adiado, fruto dos processos interpostos pela defesa e da expressão de solidariedade manifestada por organizações em todo o mundo.
Com este acto a edilidade parisiense pretende chamar a atenção para a continuada utilização da pena capital no mundo e, ao mesmo tempo, destacar a resistência de diversas personalidades, associações e movimentos na luta contra a sua aplicação.
A atribuição deste honor é considerado um acto excepcional, de tal forma que o último a ser contemplado foi o pintor espanhol Pablo Picasso, em 1971.


Almada evoca Bento Gonçalves

Centenas de pessoas compareceram, sábado, na sessão de abertura da semana de homenagem a Bento Gonçalves, primeiro secretário-geral do PCP, realizada na Praça da Liberdade, em Almada.
Para além de representantes da administração e dos órgãos dos trabalhadores do Arsenal do Alfeite, estiveram presentes Jorge Pires, membro da Comissão Política do PCP e Maria Emília de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Almada.
No seu discurso, a autarca lembrou o percurso de Bento Gonçalves, desde a sua aldeia de infância, Fiães do Rio, em Montalegre, até às mais destacadas posições no movimento sindical e no PCP.
Maria Emília de Sousa sublinhou ainda o percurso de vida de Bento Gonçalves, que considera «uma referência incontornável na luta pela instauração no nosso País do regime democrático».
De seguida foi inaugurada a exposição evocativa de Bento Gonçalves e do Arsenal da Marinha, que está patente no Fórum Municipal Romeu Correia. A iniciativa partiu de várias organizações do concelho de Almada e termina no próximo dia 11.


Cocaína dá à costa

A Polícia Marítima e a Brigada Fiscal da GNR apreenderam, desde a semana passada, cerca de meia tonelada de cocaína na orla costeira entre Tróia e o porto de Sines.
A droga começou a dar à costa na tarde de quarta-feira, exigindo a mobilização de cerca de uma centena de agentes auxiliados por sete embarcações.
Ainda por apurar está a proveniência da cocaína, não sendo de excluir que o mau tempo registado nos últimos dias tenha sido a causa do insólito acontecimento.
Apesar do fluxo ter diminuído, as autoridades mantém um apertado sistema de vigilância, procurando apurar eventuais receptores na costa portuguesa.


Resumo da Semana