Bento Gonçalves é uma referência para as lutas do presente
Almada evoca Bento Gonçalves
Aprender sempre!
As causas e os princípios de Bento Gonçalves são referências para a luta dos comunistas na actualidade, afirmou Carlos Carvalhas no passado sábado, em Almada.
Num momento em que se enfrenta uma «persistente campanha de mistificação e de confusão ideológica e uma grande ofensiva contra transformações progressistas de Abril e direitos duramente conquistados» é essencial ter presentes as causas e valores que nortearam o percurso de Bento Gonçalves, afirmou Carlos Carvalhas. O secretário-geral participava na cerimónia de encerramento da evocação àquele dirigente comunista, que teve lugar no sábado, em Almada. A homenagem durou entre 4 e 11 de Outubro e constou de um conjunto de iniciativas evocativas da vida e obra do antigo secretário-geral do PCP, desaparecido prematuramente aos 40 anos. A organização esteve a cargo de diversas entidades ligadas ao concelho e ao Arsenal do Alfeite, descendente do Arsenal da Marinha, onde Bento Gonçalves trabalhou.
Para Carlos Carvalhas, a vida e a luta de Bento Gonçalves é um exemplo e um estímulo para a luta dos comunistas e dos trabalhadores. Na sua opinião, é fundamental ter presente que aquele dirigente comunista lutou em condições muito difíceis, e que mesmo assim foi possível «forjar e ampliar o partido da classe operária e de todos os trabalhadores». A capacidade de adaptar a reflexão e a acção às condições de cada momento é outro dos exemplos que se deve extrair da personalidade de Bento Gonçalves.
Antes de Carlos Carvalhas interveio Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN. O sindicalista recordou o percurso de Bento Gonçalves enquanto dirigente dos trabalhadores da sua empresa, o Arsenal da Marinha. Para Carvalho da Silva, o seu exemplo é importante num momento em que os trabalhadores se deparam com a mais brutal ofensiva aos seus direitos desde o 25 de Abril.
Na sessão, falaram também José Lourenço, vice-presidente da Câmara Municipal de Almada, o administrador do Arsenal do Alfeite e Mário Araújo, em representação da Comissão Promotora.

Uma semana de iniciativas

Na noite que antecedeu o encerramento da evocação, nas instalações da Cooperativa de Consumo Piedense, coube ao escritor Modesto Navarro transmitir alguns traços do percurso e do pensamento de Bento Gonçalves. Modesto Navarro lembrou a infância pobre e difícil do dirigente comunista em Trás-os-Montes e em Lisboa e a importância desta na sua transformação em dirigente sindical e revolucionário profissional. Para o escritor, a solidariedade para com os seus companheiros operários era uma forte marca da sua personalidade.
Oriundo de uma família onde o analfabetismo imperava, foi um notável autodidacta. Modesto Navarro revelou facetas menos conhecidas da sua vida: Bento Gonçalves aprendeu a ler espanhol, francês, alemão e inglês e, nas prisões de Angra do Heroísmo e do Tarrafal, empenhou-se nos estudos de física e biologia. Para o escritor, poucos como Bento Gonçalves seguiram tão bem o repto de Lenine: «aprender, aprender sempre.»
Citando relatos de militantes comunistas que conviveram com Bento Gonçalves, Modesto Navarro definiu algumas características marcantes da sua personalidade. Dirigente nato, consultava sempre os seus camaradas; humilde, a sua presença não fazia ninguém sentir-se diminuído.
A firmeza das suas convicções era outra das suas mais salientes particularidades. Na sua defesa em tribunal afirmou: «O Tribunal vai ditar-me a sentença. Pouco me importa. Por mim, tenho uma convicção: a terra gira!» No Tarrafal, nas duríssimas condições que levaram à sua morte em 1942, não parou de lutar e de estudar até ao último dia.
A cerimónia inaugural da evocação ocorreu no dia 4 e durante toda a semana esteve patente no Fórum Municipal Romeu Correia uma exposição com aspectos da vida e obra deste magnífico exemplo de português e de revolucionário.

Carlos Carvalhas
Mudar o mais depressa possível

No discurso de encerramento da evocação a Bento Gonçalves, Carlos Carvalhas reafirmou a necessidade de dar combate a este Governo e a esta política. O secretário-geral do PCP afirmou ser necessário ganhar os trabalhadores e o povo para a compreensão de que é necessário «pôr-lhe fim e pôr-lhe fim o mais depressa possível».
Para o secretário-geral do PCP, esta necessidade é tão mais premente quanto é violenta a ofensiva com que o Governo pretende «desvalorizar a força de trabalho e desarmar ideologicamente a classe operária para perpetuar a dominação e a exploração». O Código de Trabalho, que traz consigo inúmeros retrocessos sociais, e a substituição de direitos «pela caridadezinha e pelo assistencialismo» são alguns dos mais graves eixos da ofensiva, a justificar plenamente a exigência de mudança. A associação da imigração ao desemprego feita pelo ministro Paulo Portas e o escândalo que levou à demissão de dois outros ministros são outras razões invocadas pelo dirigente do PCP. A mentira sobre as armas de destruição maciça, «para justificar a subserviência e a vassalagem ao Império na guerra de invasão do Iraque» foi também apontada.


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