Los Angeles em greve

A greve dos trabalhadores dos transportes públicos de Los Angeles, na Califórnia, juntou-se à decretada pelo sindicato dos trabalhadores dos supermercados para exigirem a manutenção dos benefícios dos seguros de saúde, postos em causa pelas associações patronais no decurso das negociações da semana passada.
O sector da distribuição alimentar, que não parava há mais de 25 anos, registou elevados níveis de adesão ao protesto, mobilizando a maioria dos cerca de 70 mil trabalhadores para uma paralisação que ameaça estender-se a outros Estados norte-americanos.
As cadeias Albertsons, Ralphs e Vons, são as mais atingidas, tendo mesmo recorrido a trabalhadores temporários para furar a adesão maciça e manter as lojas abertas.
Representantes das associações da polícia da segunda maior cidade dos EUA, com mais de 9 milhões de habitantes, anunciaram, entretanto, que as forças da ordem podem igualmente decretar greve geral, caso os cortes nos planos médicos se estendam aos seus filiados.


Exploração infantil aumenta

O vertiginoso aumento do desemprego registado nos últimos meses em Portugal fomenta o trabalho infantil, a exploração encoberta de crianças e a sedimentação de uma «economia clandestina».
A conclusão foi avançada por Hortência Calçada, coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto, quarta-feira da semana passada, num encontro organizado pela Confederação Nacional de Acção sobre Trabalho Infantil, intitulado «As piores formas de trabalho infantil».
Segundo aquela responsável, a deslocação do trabalho infantil para o interior das residências torna a sua desmontagem pelos organismos fiscalizadores mais complicada, dando o exemplo de «muitas industrias de calçado e confecções que recorrem à mão-de-obra barata em casas de famílias mais pobres» e alertou ainda para o número de crianças envolvidas em redes de tráfico de droga e prostituição.
A falta de investimento nos sectores da educação - responsável pela manutenção de uma mão-de-obra precoce, mal qualificada e precária – saúde e serviços de apoio à exclusão social são outras razões apontadas para explicar o aumento e alteração qualitativa do trabalho infantil no nosso país.


Cuba sim, bloqueio não

Decorreu na passada terça-feira, na Embaixada da República de Cuba, em Lisboa, a apresentação do relatório enviado ao Secretário-Geral das Nações Unidas intitulado «Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba».
Reinaldo Calviac Lafferté, responsável diplomático cubano em Portugal, expôs o conjunto de razões que levam à apresentação da proposta à Assembleia Geral da ONU, entre as quais destacou o crescente endurecimento da campanha agressiva dos EUA contra Cuba e o facto de, segundo os princípios da organização estabelecidos a quando da sua fundação, em 1948, «o bloqueio económico contra qualquer povo é uma forma de genocídio».
«Dois terços da população cubana viveu toda a sua vida sob efeito do bloqueio» e, com a ascensão ao poder da administração republicana, os «EUA têm apoiado e incrementado o crime», sublinhou Reinaldo Calviac.
Mesmo quando estão em causa as mais duras condições o governo imperialista norte-americano não cede, como aconteceu recentemente com o perigo de propagação da pneumonia atípica, situação na qual «o Instituto de Medicina Tropical de Cuba não pode adquirir o meio de diagnóstico da Síndrome Respiratória Aguda a uma empresa americana, tendo que o fazer através de terceiros a preços muito mais elevados». Mais grave, «algumas companhias farmacêuticas americanas compraram empresas que tinham acordos com Cuba», explicou.
Finalmente, instado a comentar os acontecimentos de Abril passado e os sequestros então ocorridos, o embaixador desafiou os presentes a pensarem o porquê de uma campanha que põe constantemente em causa Cuba e o povo cubano, e a questionarem outras formas de bloqueio imposto à ilha, como o cultural e o da verdade informativa, particularmente graves por parte dos meios de comunicação social europeus.


Os novos escravos

«Na última década este tráfico (de seres humanos) assumiu uma dimensão impensável e a situação tornou-se insustentável, com o fenómeno a ser equiparado às formas de escravatura», afirmou Mário Gomes Dias, auditor do Ministério da Administração Interna, num seminário sobre Tráfico de Seres Humanos que decorreu segunda-feira, em Lisboa.
As redes ilegais movimentam, por ano, cerca de um milhão e duzentas mil mulheres, com lucros que podem em alguns países ultrapassar os alcançados com o tráfico de droga.
Portugal é essencialmente um posto de trânsito entre a América Latina e a Europa Central e, apesar de não termos ainda ratificado o tratado das Nações Unidas em relação a esta matéria, assinado em 2000, temos instrumentos legais úteis no combate a esta calamidade, defendeu aquele especialista.
Num campo repleto de ameaças e medos «as vítimas encaram o agente policial com medo», pelo que, concluiu Gomes Dias, «têm de ser abordadas de forma diferente».


Resumo da Semana