Uma «catedral» de assobios

O primeiro-ministro Durão Barroso foi estrondosamente apupado por muitos milhares de pessoas que se deslocaram ao Estádio da Luz para a inauguração oficial do moderno recinto desportivo do Sport Lisboa e Benfica.
Apesar dos apelos dirigidos pelo speaker através dos altifalantes, o povo que encheu a «Nova Catedral», como promete ficar conhecido o estádio de futebol dos benfiquistas, não conteve a indignação e assobiou o discurso de circunstância do chefe do Governo português, demonstrando vivo repúdio pela política que o executivo tem levado a cabo no País.
A festa marcou a inauguração do segundo recinto construído propositadamente para a realização do Campeonato da Europeu de Futebol, depois de em Agosto passado o Sporting Clube de Portugal ter sido o primeiro emblema nacional a inaugurar um estádio para o Euro 2004.
Antes do desafio inaugural, que opôs o Benfica aos uruguaios do Nacional de Montevideo, com vitória por duas bolas a uma para os portugueses, foi apresentado um espectáculo de som, luz e cor que, apesar de ter sido arrebatador, não deve ter «dourado a pílula» com que foi mimoseado Durão Barroso.


Desemprego sempre a subir

Os dados divulgados, quarta-feira da semana passada, pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) confirmam que o desemprego continua a subir em Portugal, atirando milhares de trabalhadores, jovens e menos jovens, para a inactividade precoce.
Segundo os números apurados nos Centros de Emprego, em Setembro deste ano registaram-se mais 90 mil inscrições que em igual período do ano passado, com aumentos em ambos os sexos na ordem dos 25 por cento.
Tal situação é particularmente grave quando se constata que o tempo de permanência na situação de desemprego aumentou 38 por cento este ano, engrossando a já extensa lista de desempregados de longa duração no nosso país.
Ao nível da profissões, tomando por base as classificações elaboradas pelo IEFP, os «empregados de escritório» e os «trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio» apresentam, respectivamente, 55 mil e 50 mil inscritos, seguindo-se a categoria do «pessoal dos serviços de protecção e segurança» com 41 mil indivíduos desempregados e os «trabalhadores não qualificados das minas, construção civil e industria transformadora» com cerca de 38 mil efectivos contabilizados.
Apesar de não apontar cenários de agravamento ou de retoma da actual situação, o documento revela que, no mês de Setembro, em contraste com os 62 mil trabalhadores que perderam o emprego e dirigiram-se ao IEFP, apenas 5850 ali encontraram novo trabalho, não concluindo nada quanto ao vínculo laboral estabelecido.


PT reembolsa utentes

Os clientes da Portugal Telecom vão passar a poder exigir o reembolso dos valores respeitantes à taxa de activação das chamadas telefónicas, cobrados indevidamente pela empresa entre Janeiro e Dezembro de 1999.
A decisão do Supremo Tribunal de Justiça vem, desta forma, dar provimento à queixa apresentada pelos utentes da PT - que consideravam ilegal a cobrança do referido valor sempre que se iniciava uma chamada pela rede fixa - e sugere mesmo que os lesados interponham queixa em tribunal para serem ressarcidos dos montantes pagos, facto que a empresa não corrobora mas, alegando que a abertura de milhares de processos nos tribunais só iria burocratizar a questão, declarou aceitar e apresentou a sua solução.
Assim, a PT anunciou que passará a creditar os valores apurados para cada cliente nas próximas facturas, isto se estes apresentarem os comprovativos de pagamento respeitantes ao período em causa, o ano de 1999.


Procuradoria apura responsáveis

A comissão de inquérito à queda da ponte pedonal da IC19 entregou, quarta-feira da semana passada, o relatório final sobre o colapso da estrutura, ocorrido no passado dia 7 de Setembro, relegando para a Procuradoria-Geral da República o apuramento das responsabilidades pelo acidente.
Os defeitos técnicos descritos no documento, entretanto divulgado, apontam como causa principal a remoção dos apoios provisórios que sustentavam a ponte, alegadamente devido a eventuais «pressões» para reabrir o tráfego na via rápida, sem no entanto esclarecer quem pressionou e por que é que o fez.
O relatório conclui ainda que não foram observados diversos preceitos de natureza técnica na requalificação da obra, tais como a colocação de vigas de sustentação provisória e respectivas ligações, reparação de fissuras no betão, consulta do projecto original e fiscalização conclusiva por parte de um responsável técnico, o qual parece nunca ter sido nomeado.


Tendas de urgência

As urgências do Hospital de Torres Vedras foram instaladas, sexta-feira, nos terrenos adjacentes aquela unidade de saúde, em tendas de campanha fornecidas pela Protecção civil.
A situação extremamente precária para profissionais e utentes mereceu já a indignação da população abrangida, alegando que as obras de alargamento do Serviço de Urgências deveriam ter sido realizadas durante o verão, salvaguardando os doentes dos riscos de uma intempérie, da exposição ao frio e às infecções oportunistas como o vírus da gripe.
Para além disso, a justificação avançada pelo Ministério da Saúde - de que dentro das hipóteses precárias esta era a mais viável - não merece aprovação quando na cidade de Torres Vedras está construído um centro de saúde novo, mas à espera de inauguração há cerca de um ano e meio, referem.
Os utentes temem ainda que o prazo previsto de nove semanas para a conclusão dos trabalhos se arraste por bem mais do que isso, o que agravará a situação vivida por médicos, enfermeiros e doente até aos limites do insuportável.


Resumo da Semana