As novas leis são «prejudiciais para o desenvolvimento do País»
Estudantes do ensino superior prosseguem protestos
Próxima etapa: manifestação em Lisboa
Está marcada para a próxima quarta-feira, dia 5 de Novembro, uma manifestação nacional do ensino superior. Entretanto, os protestos dos estudantes não param.
Duzentos alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa interromperam a reunião do Conselho Directivo e impediram a fixação do valor das propinas para aquela instituição, na quarta-feira da semana passada.
Durante a reunião, os representantes dos estudantes defenderam a recusa da fixação de qualquer propina «como forma de protesto pelo sucessivo desinvestimento do Estado no ensino superior». Antes desta moção ter sido discutida, a presidente do Conselho Directivo, Isabel Castro Henriques, propôs uma propina de 600 euros este ano lectivo e de aumentar o valor até 852 euros no futuro.
De acordo com a lei, se as instituições que não fixarem as propinas, automaticamente é adoptada a propina mínima, no valor de 463 euros.
No dia seguinte, os estudantes de Coimbra interromperam durante cinco minutos a Serenata do Caloiro, num acto simbólico contra a política do Governo para o ensino universitário e politécnico. O espectáculo teve início à meia-noite no Paço das Escolas, em frente à Via Latina, e foi interrompido após a primeira canção. Este protesto foi aprovado na última Assembleia Magna.
Durante a serenata, um ecrã de vídeo transmitiu mensagens contra as propinas e apelos à participação na manifestação nacional da próxima quarta-feira.

Carta aberta

A Associação Académica da Universidade da Beira Interior entregou na semana passada uma carta aberta ao reitor em que pede uma nova reunião do Senado para rever o valor das propinas.
«Queremos um novo encontro para que seja possível rever o valor que o Senado fixou em 700 euros», disse Luís Franco, presidente da academia. «As acções de luta e protesto vão continuar até que as nossas reivindicações sejam ouvidas», garantiu, acrescentando que os estudantes tentarão ver reduzidas ou eliminadas diversas taxas de requerimentos e outros serviços administrativos.
Entretanto, no Porto, a greve às aulas prolongou-se por três dias, entre 21 e 23 de Outubro, registando uma adesão «muito próxima dos 100 por cento» nos três pólos da Faculdade de Ciências, segundo Susana Santos, membro da associação de estudantes, em declarações à Lusa.
«Este tipo de acção é necessário, porque as actuais leis de financiamento e autonomia do ensino superior, promulgadas a 22 de Agosto, são altamente prejudiciais quer para o desenvolvimento do País, quer para o futuro do ensino superior público», sustentou a dirigente associativa.
No Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, os alunos optaram por uma greve de zelo. «Pedimos a todos os alunos que comparecessem na escola, porque o instituto não tem capacidade para ter ao mesmo tempo cerca de 5600 alunos nas instalações», disse Francisco Beirão, da direcção da AE. «Grande parte aderiu, havendo, por isso, salas a funcionar com o dobro da sua capacidade», precisou.
Na quinta-feira, reunidos em RGA, os alunos da Universidade de Trás-os-Montes suspenderam a greve às aulas e decidiram retirar os cadeados dos portões da instituição, uma semana depois do início do protesto.
Os estudantes contestam o aumento das propinas na universidade para 700 euros. «Não é obrigação dos alunos suportarem a gestão da UTAD. O valor aceitável pelos estudantes só poderá ser o mínimo», acrescentou o dirigente.
O reitor da universidade, Armando Ferreira, afirmou recentemente que o valor da propina só será reduzido se o Governo garantir um aumento do orçamento para o ensino superior.


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