PR aponta «distraídos»

Em visita a uma unidade industrial no norte do país, quarta-feira da semana passada, o Presidente da República, Jorge Sampaio, apontou os culpados pela «falta de médicos que abriu uma crise nacional nas urgências de pediatria e obstetrícia» sublinhando que, para mais esclarecimentos, seria «melhor perguntar ao Ministério da Educação e à Ordem dos Médicos, porque durante tantos anos não deixam formar médicos, com uma lógica de numeros clausus que obriga o alunos a serem os melhores do mundo e levando muitos estudantes a mudarem de curso».
As declarações surgem na sequência da divulgação pública de alguns casos de ruptura de recursos materiais e humanos nos serviços de pediatria e obstetrícia em hospitais centrais e distritais.
Jorge Sampaio afirmou ainda que tal situação não o surpreende, devido à «distracção» que se instalou e prolongou na última vintena de anos.


...e administradores acusam Governo

No mesmo dia em que o PR apontava o Ministério da Educação e a Ordem dos Médicos como principais responsáveis pela situação calamitosa a que chegou o número de efectivos nos serviços de pediatria e obstetrícia nos hospitais nacionais, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Manuel Delgado, acusou o Ministério da Saúde de estar a proceder à nomeação de gestores com «currículo duvidoso» para a administração dos 31 hospitais «empresarializados».
Segundo o responsável máximo pelo Hospital dos Capuchos, em Lisboa, o desencanto dos gestores de carreira pública deve-se ao facto de que «alguns administradores, com provas dadas, estão a ser substituídos por pessoas com currículos duvidosos, alguns apenas por afinidades pessoais».
Paralelamente, o processo de funcionamento dos hospitais públicos como sociedades anónimas não está a colher o apoio daqueles profissionais, uma vez que «não há nenhuma prova ou evidência de que há poupança», referiu Manuel Delgado.
Em face destas situações, a APAH propõe a criação de um grupo de trabalho integrado para avaliar os resultados dos chamados «hospitais SA».


Barreiras da igualdade

Segundo dados avançados no colóquio intitulado «As Mulheres na Ciência ao Serviço da Paz e do Desenvolvimento», que se realizou segunda-feira, em Lisboa, sob a tutela da Comissão Nacional da UNESCO e da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, apesar de cada vez mais mulheres ocuparem a cargos em áreas científicas e tecnológicas no ensino superior, o acesso aos mais elevados escalões da carreira académica são ainda quase inacessíveis à maioria destas investigadoras.
Tal é confirmado pelos números revelados, que apontam para a existência de apenas 6,7 por cento de professoras catedráticas entre as profissionais doutoradas.
Destas, a imensa maioria - 53,4 por cento - encaixam-se na categoria de «professor auxiliar», sendo que as restantes 32,6 por cento são dadas como «professores associados».
Ainda com base no mesmo estudo, aproximadamente metade dos inquiridos do sexo masculino eram responsáveis por equipas de investigação, sendo que no caso das mulheres tal situação só equivale para um terço das consideradas. A assimetria agrava-se nesta área, mais uma vez, quando se reportam os dados aos professores doutorados.


Expedição ilegal

O ex-número dois na hierarquia de comando da Guarda Nacional Republicana (GNR), o major-general Monteiro Valente, criticou, em artigo publicado, quarta-feira da semana passada, no semanário Jornal de Coimbra, a decisão do Governo português de enviar efectivos daquela corporação para o Iraque, qualificando-a de ilegal.
Segundo afirmou Monteiro Valente, a resolução das Nações Unidas que o executivo de Durão Barroso evoca como cobertura legal «não legitimou a invasão, nem a ocupação do Iraque, nem outras decisões políticas com ela relacionadas», antes, «tão somente legitimou a criação de condições para uma mais rápida devolução da soberania ao seu povo» e deixa em suspenso a pergunta já formulada anteriormente pela associação profissional daquela força: «Qual o suporte legal para a GNR ficar na dependência operacional directa de comandos militares, o que nem no âmbito interno a lei prevê?».
Em conclusão, o ex-comandante geral acusa Paulo Portas de encabeçar um projecto de fusão entre Defesa e Segurança, uma vez que esta missão corporiza a «militarização da GNR, o retorno à sua matriz “estado-novista” de guardiã da autoridade do Estado – leia-se Governo – e a sua transformação no quarto ramo das forças armadas».


Defender o património colectivo

A plataforma Iniciativa pelos Serviços Públicos, que integra o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), Federação dos Sindicatos da Função Pública (FSFP) e Federação das Indústria Eléctricas (FIE), realizou, na quinta-feira passada, uma acção de distribuição de documentos em defesa dos serviços públicos, ameaçados pela política de privatizações do governo PSD/PP e pelos anteriores executivos.
A acção, desenvolvida em Lisboa, Porto, Grândola, Setúbal e Almada, visou sensibilizar a população para a problemática e alertar para o facto de os processos em curso colocarem em causa a universalidade, a qualidade e o preço dos serviços em áreas como a saúde, energia, água e saneamento e transportes, entre outras.


Resumo da Semana