Breves
MÉRTOLA
Câmara discrimina munícipes
A Câmara Municipal de Mértola discrimina os munícipes que não vivem na sede do concelho, acusa a Comissão Concelhia do PCP.
Em Julho, o presidente da autarquia apresentou uma proposta de Regulamento para Arrendamento de Habitação Social, que previa que as casas da CM se destinassem apenas a quem residisse na vila de Mértola. A medida foi condenada pelos eleitos do PCP, que a consideraram «injusta, imoral e absurda do ponto de vista técnico».
Um mês depois, o presidente reconheceu que o regulamento devia destinar-se a todos os habitantes do concelho, mas, em Outubro, foi publicado um edital que abriu concurso para o arrendamento de habitação social, mas a que apenas podiam concorrer os residentes da vila.
Na última reunião da CM, realizada no início de Dezembro, foi discutido um novo edital, depois do PCP alertar para a ilegalidade da situação. «O presidente – no seguimento das suas habituais cambalhotas políticas – deu o dito por não dito e propôs que saísse um novo edital, alargado a todo o concelho». No entanto, o prazo seria de apenas uma semana e os habitantes de Mértola teriam prioridade. «Só depois de todos os concorrentes da vila beneficiarem – e caso sobrem habitações – é que seriam contemplados os restantes cidadãos do concelho», explicita a Comissão Concelhia.
Os eleitos do PCP votaram contra, defendendo que o prazo deve ser alargado pois «as casas da câmara, numa situação de arrendamento social, deveriam estar acessíveis a todos os cidadãos do concelho».

SOFLUSA
Unidade foi fundamental
O acordo de princípio assinado entre a administração e os representantes sindicais da Soflusa «só foi possível com a unidade de todos os trabalhadores, cujo momento alto foi a greve de 19 de Setembro a 3 de Outubro. Fica assim provado que vale a pena lutar», afirma a célula do PCP na transportadora naval.
«É com este espírito de unidade e luta que os trabalhadores se devem manter atentos, de forma a defender os seus mais legítimos interesses e anseios», consideram os comunistas.
O acordo de princípio não retira direitos aos trabalhadores e consagra algumas reivindicações dos funcionários, como o pagamento de 10 por cento sobre a remuneração base e a unificação do prémio de assiduidade equiparando o pessoal de terra ao pessoal tripulante. Não haverá despedimentos, os funcionários considerados não dispensáveis são colocados noutras funções e o número de tripulantes nos catamarans mantém-se. Este acordo «não corresponde às justas aspirações dos trabalhadores, mas sim ao que foi possível alcançar no complexo quadro da empresa», comenta a célula do PCP.
Os comunistas alertam para o aumento dos preços dos bilhetes em 24 por cento, de 1,05 euros para 1,30 euros. «Trata-se de uma situação inaceitável e que configura um autêntico roubo aos utilizadores da Soflusa. Põe claramente em causa o serviço social que é prestado e deve merecer repúdio», dizem.
A célula do PCP recusa a união da Soflusa e da Transtejo, considerando que são duas empresas «com o seu espaço próprio» e que, pelo serviço social que prestam às populações, não devem ser privatizadas.

OLHÃO
Mais despedimentos na Bela Olhão
A Comissão Concelhia de Olhão do PCP alerta para o facto de estar em curso mais uma vaga de despedimentos na conserveira Bela Olhão. Todos os dias trabalhadores da empresa recebem cartas de rescisão dos contratos. «É já voz corrente que a Bela Olhão vai encerrar definitivamente as portas», diz o PCP.
Sete anos depois da sua fundação e depois de muitas promessas de criação de postos de trabalho e do aumento do número de barcos por parte da administração, «o que a empresa deixa atrás de si é mais desemprego, mais exclusão social e mais pobreza». «Dirão alguns tratar-se de mais um fantasma que os comunistas olhanenses vêem. Esperemos que não sejam fantasmas como foram os casos da Pescrul, da Gelmar, do Carapucinha e da Litografia/Ormis», comenta o PCP.
A Comissão Concelhia lembra que houve «personalidades e entidades que andaram com esta empresa ao colo e a quem concederam todas as facilidades, inclusivé terrenos a preços baixíssimos que agora a administração poderá vender com o valor que lhe convier.»