Editorial

«Caminhos árduos, a exigirem muito trabalho, muito esforço, muita determinação»

OS CAMINHOS DO PARTIDO

A necessidade de derrotar a ofensiva política, económica, social e cultural levada a cabo pelo Governo PSD/CDS-PP – cujos efeitos devastadores se repercutem na situação dos trabalhadores, do povo e do País - adquire, a cada dia que passa, um crescente carácter de urgência. Mais ainda se tivermos em conta que a maioria de direita e extrema-direita, com o reaccionarismo arrogante que a caracteriza, anuncia a sua intenção de desferir novos e profundos golpes no conteúdo democrático do regime nascido com o 25 de Abril – para além de praticar uma política externa que, colocando Portugal na dependência subserviente dos interesses do imperialismo norte-americano e dos donos da União Europeia, fere gravemente a soberania nacional e ameaça hipotecar o futuro do País.
Às forças da oposição coloca-se, assim, o dever imperioso de enfrentar decididamente esta situação, dando cada uma o seu contributo para, com o suporte indispensável do movimento de massas e através de acções convergentes, derrotar a direita e construir uma verdadeira alternativa – uma alternativa de facto e não o prosseguimento do velho jogo de alternâncias que está na origem dos muitos e graves problemas que têm vindo a flagelar Portugal e os portugueses. É esse o sentido da intervenção do PCP, reafirmado na recente reunião do Comité Central. Pela sua natureza de classe, pelo papel que desempenha na organização e dinamização da luta dos trabalhadores e de outros sectores e camadas sociais, pelas soluções que defende para o País, pela sua intervenção coerente e persistente na defesa dos interesses das massas populares, do regime democrático, da soberania nacional – o PCP afirma-se como uma força não só necessária mas insubstituível na luta pela derrota do Governo e da política de direita e pela concretização de uma alternativa de esquerda.

Assim, o reforço do PCP apresenta-se como um elemento integrante e determinante desse objectivo político, pelo que os caminhos e medidas conducentes a esse reforço foram tema em debate na reunião do Comité Central.
Sublinhando a importância e os desenvolvimentos positivos do movimento geral de reforço da organização partidária, o CC realçou os avanços verificados, e a que é necessário dar continuidade: o prosseguimento da realização regular de Assembleias das Organizações – com o consequente enriquecimento da vida democrática interna do Partido; o recrutamento de novos militantes, onde avulta uma considerável percentagem de jovens, e a sua integração na vida e na actividade partidárias – confirmando as enormes potencialidades existentes de aumentar o núcleo activo do Partido; o alargamento da difusão da imprensa partidária – aumentando o número de leitores do Avante! e do Militante e fazendo chegar mais longe a voz, a opinião, a análise, as propostas do Partido; o reforço da organização e da intervenção nas empresas e locais de trabalho, dinamizando e fortalecendo as células existentes e criando-as onde elas não existem – sempre procurando tornar mais forte, mais estreita, mais sólida a ligação do Partido aos trabalhadores, aos seus anseios e aspirações; a campanha em curso por «um dia de salário para o Partido» - fundamental enquanto fonte das receitas indispensáveis ao pleno desenvolvimento da actividade política; o prosseguimento da acção nacional de contactos com os membros do Partido, já concretizada em dezenas de milhares de casos com resultados altamente positivos – e à qual há que dar a continuidade necessária (até Abril do próximo ano e com o envolvimento de toda a estrutura partidária) para nos permitir saber, com o máximo de rigor, quantos somos, quem somos, onde estamos, quais as disponibilidades militantes de cada um.

Tudo isto, sem esquecer, antes considerando como tarefas da máxima importância, tudo o que decorre do facto de sermos o Partido que somos, nomeadamente: o desenvolvimento, a par da intervenção nas instituições, da acção política junto dos trabalhadores e das populações, visando a intensificação das lutas do dia a dia e a sua integração na luta mais geral contra a política do Governo; o fortalecimento dos movimentos unitários de massas e, em particular, do movimento sindical, no qual, em sede de Congresso da CGTP-IN, os sindicalistas comunistas, no respeito pela autonomia e pela natureza unitária da Central Sindical, devem intervir no sentido de assegurar as características essenciais da CGTP-IN, suas fontes de força e de prestígio; a participação intensa e activa nas eleições para o Parlamento Europeu e nas eleições regionais dos Açores e da Madeira e a realização de uma campanha nacional de fundos para fazer face aos custos dessas campanhas eleitorais; as comemorações do 83.º aniversário do PCP, momento de reforço da militância, de afirmação dos ideais, das propostas, do projecto do Partido; a comemoração dos 30 anos de Abril, sublinhando a actualidade e a modernidade das suas conquistas e valores e defendendo-os da brutal ofensiva em curso; a realização do XVII Congresso do PCP, para cuja preparação é indispensável a activa participação do maior número de militantes, com as suas opiniões, propostas, análises, reflexões – produzidas no espaço amplo, aberto e democrático do colectivo partidário.
Estes são alguns dos caminhos que, percorridos com êxito, conduzirão ao reforço do PCP e contribuirão para os objectivos políticos desejados. Caminhos árduos, a exigirem muito trabalho, muito esforço, muita determinação – exigências que os militantes comunistas conhecem e às quais, hoje como no passado, responderão positivamente.


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