É possível vencer o «terrorismo» patronal
Sindicato insiste em unidade e luta
Pressão na <em>Sumolis</em>
Apesar dos processos disciplinares e de outras formas de pressão, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Bebidas pretende desenvolver a luta.
Por estarem classificados em profissões e categorias inferiores àquelas que corresponderiam às funções que efectivamente exercem, há trabalhadores que estão a sofrer perdas mensais que chegam aos cem euros.
Há vários casos em que o bónus anual (antes designado como distribuição de lucros) ou até a actualização do salário foram negados, por motivos como uma baixa prolongada ou um qualquer processo disciplinar levantado por motivos muito discutíveis.
Estes não são problemas novos na empresa, que ocupa lugar destacado no Grupo Sumol, um dos maiores operadores na produção e distribuição de bebidas no nosso país. De acordo com os dados disponíveis no sítio Internet do grupo, este tem um total de 1275 trabalhadores, dos quais 404 na Sumolis e 584 na Cibal, e prevê atingir este ano um volume de vendas de 170 milhões de euros (34 milhões de contos).
A actual estrutura de grupo económico, com nove empresas, começou a traçar-se em 1993, quando a Sumolis absorveu outras quatro empresas, prosseguiu em 2001, quando a Refrigor se constituiu em SGPS, e ficou definida em Junho de 2003, na Assembleia Geral da Sumolis que determinou o actual quadro. É neste período que se acentuam os traços de desumanização nas relações laborais, como nos referiram dirigentes sindicais que têm acompanhado a situação nas empresas que constituem agora o Grupo Sumol. A evolução verificada nos últimos anos, segundo o SNTIB/CGTP-IN, afastou-se muito do «ambiente quase familiar» que ainda recordam trabalhadores que estavam na Sumolis nos anos 70 do século passado.
No recente congresso da União dos Sindicatos de Lisboa, o representante do SNTIB apontou alguns «exemplos da desumanização total das relações laborais» na Sumolis. Afirmou, nomeadamente, que «está a verificar-se uma sucessão preocupante de processos disciplinares», cuja justificação é posta em dúvida. «Se um trabalhador se ausenta do posto de trabalho para ir tomar o pequeno-almoço e avisa a chefia para o substituir, e a chefia não o fizer, quem é que merece o processo disciplinar», perguntou o representante das Bebidas no congresso da USL.
Questionou, igualmente, «como se admite que trabalhadores com baixa prolongada não recebam aumento de salário se, estando doentes, precisam mais do que nunca desse dinheiro» e «em nome de que princípios se nega aumento salarial a trabalhadores que tenham sido alvo de processos disciplinares».
As penalizações atingem ainda, segundo um trabalhador da empresa, mães que usufruem do direito de amamentarem os seus filhos e que, por isso, vêm cortado o subsídio de transporte.
Um castigo duplo, também aplicado na Portela de Carnaxide, é a atribuição de tarefas inferiores à qualificação profissional: a par da punição psicológica, vêm ainda as perdas económicas do trabalhador. O motivo da pena pode ser, por exemplo, a recusa de uma proposta de rescisão do contrato.

Higiene?

Numa empresa que produz e comercializa bebidas, com ampla distribuição e consumo em todo o País, é encarado com especial preocupação pelo sindicato o facto de não estar em funcionamento a Comissão de Higiene, Saude e Segurança no Trabalho, que não reúne «há quase um ano». Os trabalhadores, com o apoio do SNTIB, empenharam-se na sua formação, elegeram os seus representantes, mas o esforço não está a ser correspondido com o devido empenhamento da administração.

Sabores de injustiça

As marcas de bebidas produzidas ou comercializadas pela Sumolis e pelas empresas do grupo carregam consigo as situações de injustiça que o SNTIB denuncia e às quais, com os trabalhadores, quer dar ainda mais firme combate.
A água Serra da Estrela e a cerveja Tagus registam níveis de crescimento acima do mercado, referia a empresa, em comunicado, no final de Outubro, dando nota de um crescimento de mais de sete por cento nas vendas no terceiro trimestre deste ano.
Tiveram performances menos positivas os refrigerantes e os sumos e néctares. Aqui se incluem as marcas Sumol, Seven Up, Pepsi Cola.
Na carteira do grupo figuram ainda a cerveja Grolsch, o sumo Quick Meal, as águas Campilho, Castelo e Perrier, os refrigerantes Sucol, Ice Tea, Moove e Guaraná.


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