Acidente mata operário

Um operário morto e nove feridos, entre os quais três em estado considerado grave, foi o saldo de mais um acidente de trabalho nos estaleiros da Lisnave, em Setúbal.
A explosão deu-se na manhã de quinta-feira quando uma equipa de soldadores procedia ao reforço do casco de um dos tanques do petroleiro Gerês, atracado para reparações nos estaleiros navais há cerca de quinze dias.
As corporações de bombeiros de Setúbal, Palmela, Pinhal Novo e Águas de Moura, bem como elementos da Protecção Civil e do INEM, deslocaram-se ao local do acidente para socorrer os sinistrados e debelar o violento incêndio que entretanto se alastrou até à casa das máquinas, tendo as operações de salvamento terminado a meio da tarde.
A empresa abriu um inquérito para apurar responsabilidades sobre as causas, ainda desconhecidas, que estiveram na base de mais um acidente.
Para já, as únicas informações disponíveis revelam que no interior da estrutura da embarcação encontravam-se dez pessoas (um bombeiro, quatro tripulantes e cinco operários), todos subcontratados pela Soponata, a proprietária do navio.
A vítima mortal é um trabalhador de nacionalidade filipina.


Frota em perigo

Apesar de o Governo português, por intermédio do ministro Sevinate Pinto, ter qualificado o acordo relativo aos totais de captura de pescado como uma «vitória para Portugal», a Associação de Armadores de Pesca Industrial (AAPI) considerou-o lesivo para os interesses da frota nacional.
Instado a comentar os termos do acordo estabelecido, sexta-feira, em Bruxelas, pelos ministros da Agricultura e Pescas dos quinze países da União Europeia, o presidente da AAPI, Pedro França, revelou que para aquela estrutura foi «um mau acordo» que reduz mais uma vez as quotas de pesca e coloca em causa, a curto e médio prazo, a sobrevivência da já debilitada frota lusitana.
Inicialmente a Comissão Europeia (CE) apresentou uma proposta ainda mais drástica, mas mesmo com as «cedências» registadas a CE reduziu em 15 e 43 por cento, respectivamente, as quantidades de pescada e tamboril que podem ser capturadas, entre outras espécies.


Desemprego no «sapatinho»

O período festivo que se assinala esta semana não se estende de igual modo a muitos milhares de famílias portuguesas devido ao desemprego, flagelo que atinge cada vez mais pessoas.
Segundo dados oficiais, divulgados quarta-feira da semana passada, pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a taxa de desemprego cresceu mais 1,3 por cento no transato mês de Novembro, sendo que a subida em relação ao mesmo período do ano passado é de 19,6 por cento.
Os números revelam que mais de 450 mil portugueses não têm trabalho, sendo que os homens são a categoria mais afectada, com uma subida homóloga de 24,4 por cento contra os 16,3 por cento das mulheres.
Do mesmo modo, as estatísticas do IEFP sublinham que a população adulta sofreu uma penalização de 20,7 por cento de 2002 para 2003, enquanto que o desemprego das faixas etárias mais jovens se cifrou nos 14,5 por cento.


Doentes gastam mais

O Observatório Farmacêutico do Medicamento da Associação Nacional de Farmácias (ANF) revelou, na passada semana, que apesar de ter entrado em vigor em Março deste ano a nova política do medicamento, os doentes gastaram, até Outubro, mais 370 mil euros na compra de remédios.
A leitura dos dados destaca que, desde então, o Estado determina a percentagem de comparticipação com referência ao valor do medicamento genérico mais caro disponível no mercado, mas dada a fraca taxa de prescrição destes por parte dos médicos tal resulta em prejuízo dos utentes do Serviço Nacional de Saúde, obrigados a pagar mais pelos fármacos de marca.
A ANF afirmou-se satisfeita com a redução do montante da dívida do Estado às suas associadas, mas adverte que a implementação da nova política deve ter em conta que «com uma simples cruz» o médico veta a utilização dos genéricos, pelo que apela ao «aperfeiçoamento da legislação».


Uma «rede» sem direitos

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) alertou, em comunicado datado da passada sexta-feira, para a degradação dos direitos dos jornalistas pertencentes ao grupo de empresas que compõem a chamada «Rede Expresso».
De acordo com a estrutura sindical, o protocolo assinado entre o semanário Expresso e outras 17 publicações regionais «com vista à instituição de um sistema de permuta de criações jornalísticas e de desenvolvimento de “sinergias” de natureza comercial, publicitária e de distribuição» tem que comportar «a obtenção da autorização dos respectivos autores, designadamente quanto à republicação da obra e à eventualidade de esta ser alterada», a «justa retribuição pela sua reutilização» e não se deve sobrepor «às disposições da lei e do instrumento de contratação colectiva aplicável».
A chamada de atenção feita pelo SJ surge na sequência de informações que dão conta de «várias empresas» onde «os jornalistas têm sido abordados com vista à assinatura de declarações de autorização» que não garantem nenhum dos direitos acima referidos.
Para além disto, as empresas têm apresentado como contrapartida para a assinatura das autorizações «a possibilidade de o protocolo oferecer formação profissional», facto que o SJ recorda ser «uma obrigação que em caso algum pode substituir a retribuição devida».


Resumo da Semana