«A Líbia não está em condições de possuir a arma atómica»
Tripoli promete cooperação total
Inspectores da ONU na Líbia
A Líbia recebe os inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica e vai assinar o protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.
Oito dias depois do regime de Muammar Kadhafi ter renunciado ao programa de desenvolvimento de armas de destruição em massa (ADM), o director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Mohamed ElBaradei, e a sua equipa começaram a inspeccionar as instalações nucleares líbias.
Segundo o porta-voz da AIEA, Mark Gwozdecky, citado pela Lusa, as inspecções «começaram bem» e «neste momento, prosseguem as conversações técnicas com as autoridades com o objectivo de definir um programa de trabalho para as próximas semanas».
Após nove meses de negociações secretas com os EUA e a Grã-Bretanha, a Líbia anunciou, a 19 de Dezembro, que renunciava ao programa de desenvolvimento de ADM. Três dias depois, afirmou que assinaria o protocolo adicional do TNP, autorizando «com total transparência» inspecções de surpresa da AIEA a instalações nucleares consideradas suspeitas. Segundo ElBaradei, «este protocolo não pretende ser uma ameaça à segurança
nacional ou dignidade de um país, mas uma ferramenta que permita assegurar que as
actividades têm fins pacíficos».
Os inspectores da ONU chegaram à Líbia no fim-de-semana, onde foram recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros líbio, Adel-Rahman Shalqam, com a promessa de cooperação total por parte de Tripoli.

Um recado para Israel

«Estamos certos que este é um passo estratégico, e apelamos a outros que o sigam», afirmou
Adel-Rahman Shalqam, que fez questão de acrescentar que a sua mensagem tem como especial destinatário o governo israelita.
Israel, que devido às suas estreitas relações com os EUA não tem sofrido quaisquer pressões para aderir à AIEA e subscrever o TNP, é o único país do Médio Oriente a possuir armas nucleares. «Têm de começar a abdicar das armas de destruição maciça», disse o chefe da diplomacia líbia, reafirmando que a Líbia não chegou ao ponto de as produzir.
O director-geral da AIEA acredita que o país não dispõe de capacidade nuclear, tendo afirmado ao chegar a Tripoli, que «a Líbia - apesar de ser necessário verificar pormenores - não está em condições de possuir a arma atómica». Nas suas declarações à imprensa, ElBaradei sublinhou que «havia a ideia de que a Líbia tinha desenvolvido alguma capacidade para enriquecer urânio», pelo que os inspectores estão «a tratar com as autoridades medidas correctivas».
A Líbia é membro da AIEA desde 1963 e subscreveu o TNP em 1969, tendo ratificado este tratado em 1975. Em 1980 acordou colocar sob controlo internacional todas as
suas instalações nucleares. A AIEA, cujo conselho reúne em Março de 2004, espera que até essa data Tripoli assine o protocolo adicional do TNP.


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