Aviões sem armas

O Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) decidiu, segunda-feira, não autorizar a presença de armas ou de agentes armados nos voos das companhias aéreas nacionais.
Os EUA exigiram recentemente que todos os aviões que sobrevoem o seu espaço aéreo se façam acompanhar pelos chamados «air marshalls» devido a alegadas ameaças terroristas, intenção rejeitada pelo INAC por, como afirmou o director de segurança daquela estrutura, «numa situação concreta, num voo específico, e analisadas as vertentes de um risco, poderemos considerar a possibilidade de reforçar as componentes de segurança, mas como é óbvio, se o risco impuser a utilização de pessoal armado a bordo, o que se considerará em alternativa é a anulação do voo».
José Carvalho avançou ainda que outras medidas de segurança em terra estão a ser equacionadas e que «estão a ser desencadeados contactos, com as autoridades norte-americanas e com a própria União Europeia, no sentido de se desencadearem procedimentos de coordenação relativos a esta matéria, mas Portugal e as companhias portuguesas não são de risco».
Recorde-se que a Federação Internacional das Associações de Pilotos Comerciais rejeitou a «proposta» americana qualificando-a de «um inaceitável abuso de poder», posição igualmente assumida por algumas companhias aéreas europeias, o que motivou já o cancelamento de voos para as principais cidades americanas.


Morreu José Carreira

Faleceu, na terça-feira da semana passada, aos 48 anos, em consequência de prolongada doença, o ex-dirigente sindical da ASPP/PSP, José Carreira.
Ex-operário da industria têxtil, José Carreira ingressou na Escola de Polícia já no dobrar da década de 70, batendo-se desde então pelo reconhecimento por parte da tutela de uma estrutura sindical representativa e pela desmilitarização daquela força, entre outras batalhas associadas à dignificação da carreira profissional dos polícias.
Eleito por unanimidade coordenador nacional da associação sindical da PSP em 1989, Carreira foi o mais destacado impulsionador do movimento que, em Abril desse mesmo ano, realiza uma manifestação violentamente reprimida junto ao Ministério da Administração Interna, motivando a solidariedade de milhares de indivíduos daquela classe profissional e a adesão de muitos à estrutura sindical.
Em nota enviada à direcção da ASPP e à família de José Carreira, a direcção do PCP expressou as mais profundas condolências e destacou o papel do ex-dirigente enquanto «convicto defensor da liberdade e da democracia».
Os eleitos do PCP apresentaram, segunda-feira, uma moção na Câmara de Lisboa para que seja dado o nome de José Carreira a uma rua da cidade, proposta aprovada por unanimidade.


Perigo no ar

Um Boeing 737 da companhia aérea privada «Flash Airlines» despenhou-se, sábado, no Mar Vermelho, vitimando todos os 148 ocupantes e tripulantes a bordo.
A aeronave que partiu da estância balnear de Charm el-Cheike rumo a Paris, com escala prevista na cidade do Cairo, caiu devido a uma falha técnica ainda não apurada.
A tese do atentado parece pouco credível muito devido às reacções públicas das empresas e entidades responsáveis pelo supervisionamento do aparelho, faltando apenas encontrar a «caixa negra» ainda não resgatada pelas operações de busca.
Segundo informação recolhida pela ANSA, agência noticiosa italiana, o avião realizou, na sexta-feira, dois voos de ligação entre as cidades de Turim e Veneza e o famoso destino turístico do Mar Vermelho, totalizando, horas antes da trágica madrugada de sábado, quatro viagens.
Do mesmo modo, um representante da Federação Suíça da Aviação Civil afirmou que tinham sido detectados problemas que faziam do Boeing um perigo para a segurança dos passageiros, proibindo a «Flash Airlines» de circular no espaço aéreo helvético.
Estas acusações, rejeitadas pela companhia aérea, pelos representantes da empresa de manutenção da «Flash Airlines» e pelas autoridades francesas, confirmam ainda as recomendações de inspecções rigorosas a todos os aviões da companhia feitas anteriormente pela instância europeia de regulação da aviação civil.


Balanço das festas

Segundo os dados apresentados, segunda-feira, pelo comando-geral da GNR, a Operação Ano Novo terminou com menos seis vítimas e menos 71 acidentes, embora o saldo dos feridos tenha aumentado em relação ao mesmo período do ano passado.
No balanço agregado do Natal e do ano Novo, a sinistralidade nas estradas decresceu em cerca de 18 por cento, do que resultou menos um terço de mortes.
Apesar de não estarem satisfeitos com os resultados, os responsáveis da GNR atribuíram o saldo ao redobrado cuidado dos condutores na circulação rodoviária.
Ainda assim, só na operação de Natal, foram detectados mais de 1300 automobilistas com excesso de álcool no sangue, mais de cinco milhares em excesso de velocidade e cerca de 2000 que transportavam crianças sem cinto de segurança, factos que, aliados aos erros de concepção das vias nacionais, ajudam a conhecer as razões pelas quais Portugal é o país da UE com maior número de mortos na estrada.


Resumo da Semana