Editorial

«Queira ou não queira Durão Barroso, a luta vai continuar e intensificar-se»

O CONGRESSO E A LUTA

É sabido que sempre os congressos da CGTP-IN têm marcado impressivamente a vida e a acção dos trabalhadores, do País e da sociedade. E mais uma vez assim aconteceu no 10º Congresso agora realizado. A análise aprofundada e rigorosa à situação actual e a disponibilidade e determinação de intervir na luta pela conquista de uma alternativa real à política de direita; a definição de orientações de trabalho e de luta capazes de dar resposta aos múltiplos e graves problemas que se colocam aos trabalhadores portugueses; a reafirmação clara das características essenciais da CGTP-IN, constituem algumas das conclusões marcantes deste Congresso que, ainda que sem surpresa, é justo sublinhar e valorizar. Sem surpresa para quem conheça e tenha presente a história da CGTP-IN, obviamente. O movimento sindical unitário saiu deste Congresso mais forte e melhor preparado para as inevitáveis e indispensáveis batalhas do futuro imediato. A confirmá-lo aí estão quer o ambiente de camaradagem em que decorreu o Congresso, quer os vários documentos aprovados pela quase totalidade dos delegados, quer o entusiasmo com que foi recebida a decisão, comunicada pelo Secretário Geral, Manuel Carvalho da Silva, de levar por diante, no dia 11 de Março próximo, «um dia nacional de luta», com «greves para que os trabalhadores possam vir para as ruas».

Num tempo em que a ideologia dominante leva por diante uma ofensiva,
talvez a mais forte de sempre, visando a descaracterização do movimento sindical de classe e a sua integração no sindicalismo reformista tão caro ao grande capital – ofensiva que, lamentavelmente, se traduziu já em resultados dramáticos para milhões de trabalhadores de diversos países – os cerca de mil delegados ao 10º Congresso, representando centenas de milhares de trabalhadores, reafirmaram de forma clara e inequívoca, a sua firme determinação de darem continuidade e reforçarem as características essenciais que têm feito da CGTP-IN a grande, a forte, a prestigiada central sindical dos trabalhadores portugueses. Porque, quem quiser encontrar as razões que estão na origem da existência, neste ano de 2004, de uma central sindical com a força, a implantação, a influência e os objectivos da CGTP- IN - que resistiu e venceu todas as tentativas de liquidação, desde as já longínquas juras de lhe «quebrar a espinha»... - terá que procurá-las nas suas características essenciais, nas suas componentes unitária, democrática, independente, de classe e de massas; terá que procurá-las, ao fim e ao cabo, na natureza de classe e revolucionária do movimento sindical unitário, com as suas raízes profundas na consciência dos trabalhadores e intimamente ligada aos ideais de justiça social e de progresso que fazem a história do movimento operário.

Nas apreciações ao Congresso, não faltaram os habituais comentários produzidos pelos habituais analistas de serviço apostados, como sempre, em procurar atear focos de divergência e de divisão e, como sempre, condenados ao fracasso nos seus intentos. Preocupa esses analistas, por exemplo, o facto de entre os eleitos para os órgãos de direcção da CGTP-IN se encontrar uma percentagem elevada de militantes comunistas - e comentam esse facto como se os dirigentes sindicais comunistas tivessem tomado esses lugares de assalto ou através de maquiavélicas manobras de bastidores. Custa-lhes reconhecer – e jamais o farão, por incapacidade congénita - que a eleição desses militantes comunistas para a direcção da CGTP-IN decorre, tão somente, da sua abnegada, persistente e contínua actividade sindical em centenas e centenas de empresas, nas quais, ao lado de milhares de outros trabalhadores, entre os quais muitos outros militantes do PCP, fazem da luta pela defesa dos interesses e dos direitos dos trabalhadores um dos seus objectivos de vida. Assim tem sido ao longo de muitos anos e assim continuará a ser no futuro. E para já, com a certeza de que os militantes comunistas activistas sindicais, eleitos ou não para a direcção da CGTP-IN mas conscientes, todos, do papel determinante que lhes cabe no desenvolvimento da luta sindical, social e política, vão empenhar-se, com todo o seu esforço e dedicação, na aplicação prática das conclusões decididas e aprovadas pelo 10º Congresso.

Reacção esperada foi, igualmente, a do Primeiro-Ministro: «Quaisquer greves, quaisquer jornadas de luta, que são um direito que eu respeito, não podem prejudicar um dever que eu tenho que é o de governar de acordo com os recursos de que o país dispõe» - afirmou ele, reagindo ao anúncio do Dia Nacional de Luta, decidido pelo Congresso da CGTP-IN. Registe-se a hipocrisia da sua pretensa manifestação de «respeito» pelo «direito» dos trabalhadores a lutarem (que outra coisa poderia ele dizer em público?...) e recorde-se-lhe que as causas dos muitos e graves problemas que afectam a imensa maioria dos portugueses se situam, precisamente, nesse sentido único da sua preocupação com «os recursos de que o país dispõe»: um governo que faz do grande capital o beneficiário quase exclusivo da sua política e que faz recair sobre quem trabalha todo o peso das dificuldades resultantes dessa política, é um governo que despreza e maltrata o mais valioso de todos os recursos: os trabalhadores que são, de facto, a força da Nação.
Queira ou não queira Durão Barroso, a luta vai continuar e intensificar-se. Disse-o o Congresso da CGTP-IN e demonstrá-lo-ão as massas trabalhadoras nos próximos dias, nas próximas semanas, nos próximos meses.


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