• Sérgio Ribeiro

Comentário
Para só referir o que será de mais importante e oportuno
Poderia esperar-se que o final da «legislatura», os escassos meses que nos separam de 13 de Junho, fosse calmo em Bruxelas e Estrasburgo, com todas as atenções voltadas para os países, para os Estados-membros, que é onde se vão realizar as eleições, em listas nacionais, propostas por partidos e coligações nacionais, sendo votantes os cidadãos nacionais (oh! que incomodidade para os que tudo medem à escala europeia, do supra e do transnacional…).
Afinal, enganava-se quem tal esperasse encontrar, se tal esperasse encontrar…, num regresso a antiga tarefa. Parece que se reservaram para o final da «legislatura» dossiers importantes e/ou delicados, e a primeira impressão é que há «obras» de vulto no «estaleiro» antes deste encerrar… para eleições, e o ambiente é de alguma azáfama como se essas «obras em curso» fossem pelo menos tão importantes como a escolha dos «futuros obreiros» (designação que poucos merecerão mas que fica para não trair a imagem) para a reabertura do «estaleiro», depois de escrutinados os resultados das eleições de 13 de Junho.
Esse ambiente azafamado não resulta, só, do esforço dos que, sabendo-se já candidatos ou candidatando-se a candidatos, querem apresentar serviço e valorizar o curriculum de que antes estiveram distraídos ou em incompatibilidade com outras preocupações e apetências a que a função convida.
Também julgo que não será avaliação destorcida de quem encara estes escassos meses de trabalho com a responsabilidade de serem o seu tempo útil na tarefa e que, por isso, naturalmente sobrevaloriza o que se lhe apresenta como toda a legislatura… e, de certo modo, é toda a sua legislatura. Isto sem prejuízo do grande respeito pelo trabalho dos que lá foi (re)encontrar, e até reconhecimento e admiração por camaradas, deputados ou do secretariado, que o fizeram com a intenção de serem uma frente de luta da luta mais larga e transformadora da sociedade em que vivemos e em que lutamos para que outra seja.
Passando das questões prévias, cuja extensão espero se compreenda e releve, dadas as circunstâncias e, também, as características, deste «novel» deputado, diria que confrontei uma série de dossiers que me parecem da maior relevância e exigem aturado e exigente trabalho de estudo e intervenção.
Vou apenas – e quase só – enunciar, através de critério de selecção que impede a referência exaustiva mas que se resume a anotar alguns dos tais dossiers em «estaleiro» por estes tempos mais próximos:
- um relatório sobre organização do tempo de trabalho, revendo uma directiva de 1993, que inevitavelmente vai levantar questões maiores da sociedade em que vivemos e trabalhamos;
- um relatório sobre comunicações da Comissão ao Conselho e ao Parlamento sobre o desenvolvimento das empresas nos países em vias de desenvolvimento, com referência particular à «reforma das empresas estatais nos países em vias de desenvolvimento», o que, evidentemente, vai tentar ser mais um passo no caminho da institucionalização da ideologia de que democracia é igual a economia de mercado e livre empresa, quando, tantas vezes, é exactamente o contrário;
- relatórios sobre ambiente, consumo, prevenção e controlo de doenças, gestão de resíduos, ilhas ultraperiféricas e o sector das pescas;
- declaração da Comissão (com participação do Conselho) sobre a questão maior (enorme!) do enquadramento político geral das próximas perspectivas financeiras;
- o caso Parmalat, que trouxe para as evidências europeias os escândalos das gestões empresariais libérrimas (libertinas) em tempo de ultraliberalismo, e que têm antecedentes próximos e exemplares (ENRON e outros) no outro lado do Atlântico;
- um relatório sobre a situação no Afeganistão, que inquieta particularmente pela situação das mulheres nesse país;
- um relatório que aborda a questão de transcendente significado do «papel das associações industriais europeias na definição das políticas da UE» sabido como é, mesmo quando escondido está, o papel que essas associações, como a Mesa Redonda de Industriais (ERT) tem tido na «inspiração» e preparação das estratégias que a Comissão leva à prática, com passagem por outras instâncias;
- a visita do Álvaro Uribe, presidente da República da Colômbia, que levantou celeuma e provocará legítimas reacções dadas as bem pouco democráticas características deste senhor.

E por aqui me fico, apenas com exemplos do curtíssimo prazo, retirados da ordem de dia da sessão plenária que decorre na semana em que este número do Avante! vai sair.


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