O ano do desemprego

De acordo com dados revelados, sexta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a taxa de desemprego em Portugal cresceu, em 2003, 26,5 por cento face ao ano anterior.
Os números do INE indicam que a taxa anual se cifrou entre os 6,4 e os 6,5 por cento, ou seja, o valor mais elevado nos últimos seis anos.
Os homens foram o escalão etário mais afectado pela crise no emprego, registando uma subida homóloga de mais de 17 por cento.
Os serviços foram, por seu turno, um dos sectores mais afectados com o crescimento da taxa de desocupação laboral, a rondar os 3 por cento em todos os sub-sectores considerados estatisticamente, com uma afectação negativa no volume de negócios em cerca de 2,8 por cento no conjunto do ano de 2003.
O Instituto do Emprego e Formação Profissional revelou, entretanto, que no primeiro mês de 2004 o número de inscritos nos Centros de Emprego subiu 15,4 por cento face ao mesmo período de 2003.


Vasco recordou Abril

O ciclo de conferências sobre a Revolução de Abril de 1974, a decorrer no espaço da Alfândega do Porto no âmbito do trigésimo aniversário do derrube da ditadura fascista, contou, na passada quinta-feira, com a presença do general Vasco Gonçalves.
O ex-primeiro-ministro do IV e V governos provisórios recordou alguns dos momentos e personalidades mais marcantes daquele período, e analisou o processo da Revolução dos Cravos até ao golpe de 25 de Novembro de 1975.
Sublinhando que não faz parte das suas intenções ajustar contas com ninguém em relação à história da Revolução, Vasco Gonçalves destacou o papel de Mário Soares, acusando-o de ter liderado «a parte civil da contra-revolução» e de ter demonstrado, pelas posturas assumidas, ser «um político ambicioso e sem princípios».
Quanto ao quadro político actual, Vasco Gonçalves considerou que os ministros Paulo Portas, Celeste Cardona e Bagão Félix representam a extrema-direita no Governo de coligação PSD/PP, chefiado por Durão Barroso, o qual só a mobilização popular pode derrotar, pelo que, afirmou, «a luta continua».
A provar que o general revolucionário ainda incomoda muita gente, antes da iniciativa o edifício teve que ser evacuado devido a uma ameaça de bomba, a fazer lembrar os tempos do terrorismo bombista no «verão quente» de 1975.


EUA enfrentam crise

A crise da economia norte-americana é um facto incontornável que nem o saque dos recursos petrolíferos do Iraque parece ter força para escamotear.
Dados divulgados, sexta-feira, pelo Departamento do Comércio e pela Universidade de Michigan confirmam que, em diversas áreas, a crise veio mesmo para ficar.
Os números revelam que, no transato mês de Dezembro, a balança comercial registou um aumento do défice em cerca de 10,6 por cento, fazendo disparar o montante em mais de dois mil milhões de euros que o previsto, só para referir a variação mensal.
As vendas a retalho e o índice de confiança dos consumidores americanos também apresentam sinais da crise, com quebras acentuadas que confirmam a tendência dos últimos quatro meses no país.
Finalmente, a taxa de desemprego volta subir, em duas semanas consecutivas. Mesmo considerando neste âmbito apenas os dados oficiais, isto é, os pedidos expressos de subsídio de desemprego, o número de norte-americanos em busca de trabalho subiu, numa só semana, em mais de seis mil pessoas.


Fora de prazo

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu, quinta-feira, milhares de embalagens de medicamentos fora de prazo com invólucro contrafeito, desmontando, desta forma, várias redes que operavam com base no tráfico destes produtos.
Para além da apreensão, a PJ confirmou que os grupos criminosos envolvidos também detinham receitas falsas e comercializavam medicamentos inócuos com elevada comparticipação do Estado, especialmente fármacos receitados para disfunções do sistema nervoso central.
O número de detidos conta-se às dezenas, entre médicos, enfermeiros, técnicos e responsáveis por laboratórios farmacêuticos, tipógrafos, entre outros, mas o único estabelecimento encerrado no contexto das investigações foi uma farmácia na Amadora.
O destino provável de muitos dos medicamentos era o mercado dos países africanos de expressão portuguesa, esboçando contornos de uma organização altamente sistematizada e com expressão internacional.
Responsáveis ligados ao Infarmed declararam, entretanto, que o risco para a saúde pública é pouco expressivo, uma vez que o prazo de degradação dos medicamentos é mais alargado que o prazo de validade atribuído.


Má gestão

Um relatório do Tribunal de Contas (TC), divulgado segunda-feira, afirma que as 48 empresas que constituem o sector público do Estado acumularam, entre 1999 e 2001, prejuízos que deixavam algumas em situação de falência técnica.
O documento revela que, nos dois anos considerados, as empresas registavam um grave endividamento, com crescimento anual de 11,7 e 24 por cento, respectivamente.
Apesar de não terem sido apontadas publicamente as causas de fundo de tal situação, o TC apela à implementação de medidas correctivas, mas alerta para a possibilidade de crescimento do défice em face da recente «empreserialização» de muitas unidades públicas, particularmente no caso dos chamados «Hospitais SA».


Resumo da Semana