Hospitais em crise

Os directores clínicos e de serviço do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, demitiram-se em bloco, sexta-feira, devido a divergências com o Conselho de Administração (CA) daquela unidade de saúde.
Inicialmente apenas resignaram aos cargos a directora clínica e três dos seus adjuntos, aos quais se juntaram posteriormente as restantes 28 chefias médicas, alegando dever de solidariedade para com os demissionários.
Na base da clivagem está um conjunto de decisões de natureza técnica tomadas à revelia dos responsáveis médicos, que exigem respeito pela competência e autonomia devida na coordenação das áreas clínicas.
Situação semelhante ocorreu, no mesmo dia, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, com a demissão do director clínico e de três chefes de serviço. Também neste caso foram alegadas divergências com o CA, nomeadamente quanto ao modelo de gestão seguido pela administração desde que, a par de outras 30 unidades públicas, aquele hospital foi integrado pelo ministro da Saúde nos chamados «Hospitais-empresa».
Na Figueira da Foz, factos homólogos quase precipitaram o abandono dos cargos ocupados por parte directores clínicos e de serviço daquele hospital distrital, mas a crise parece para já resolvida com a saída de um dos elementos da administração, igualmente em ruptura motivada por questões de gestão da instituição.


Explosão mata 300

Um comboio de mercadorias explodiu, na quarta-feira da semana passada, na localidade de Neyshabur, no Irão, matando 300 pessoas e deixando outras 460 feridas.
A composição, constituída por 38 carruagens, transportava químicos para uso industrial, combustíveis e algodão, e explodiu cerca de cinco horas depois de ter descarrilado, quando viajava a uma velocidade de 150 Kms por hora.
O rebentamento abriu uma cratera com mais de 15 metros de profundidade e atingiu cinco aldeias próximas da linha férrea.
De acordo com declarações do governador da província de Khorasan, Hassan Rasuli, as causas do acidente ficam a dever-se a uma falha no sistema de travagem da locomotiva, embora não seja de descartar a hipótese de erro humano ou negligência por parte do funcionário da estação de comboio mais próxima.


Associação exige transparência

A Associação Portuguesa de Direito do Consumo (APDC) exigiu, sábado, em comunicado, que o Governo obrigue as estações de serviço e postos de abastecimento a afixarem os preços de revenda dos combustíveis nas respectivas áreas comerciais.
A medida permitiria, segundo a APDC, que os consumidores optassem tendo em conta «informação clara, objectiva e adequada», prática que apesar de não ser corrente na maioria dos revendedores do nosso país, está prevista na Lei dos Preços, aprovada há mais de uma década.
Ainda de acordo com o documento da APDC, «há que pressionar o Ministério da Economia e a presidência do Conselho de Ministros, cujo ministro-adjunto detém responsabilidades em matéria de política de consumidores, por forma a que se edite uma portaria que obrigue que as colunas com uma dada dimensão e visibilidade reflictam invariavelmente os preços praticados», medida que por si só faria diminuir o número de pessoas enganadas por falsas promoções.


Pentágono censura ambiente

De acordo com informações divulgadas esta semana pelo jornal britânico The Observer, o ministério da Defesa dos EUA censurou um relatório que alerta para as consequências devastadoras das alterações climáticas em curso no planeta.
O documento, encomendado pelo Pentágono, refere que o esgotamento das reservas energéticas, dos recursos hídricos, a degradação das condições ambientais fruto do abuso de matérias-primas altamente poluentes e a emissão de gases nocivos à atmosfera, poderão estar na base de futuros conflitos mundiais, representando um perigo bem mais real que a suposta ameaça «terrorista» propagandeada pelo imperialismo norte-americano e seus aliados.
Segundo os dados recolhidos, algumas das mais importantes cidades europeias arriscam-se a ficar submersas no prazo de uma vintena de anos, devido à subida do nível do mar desencadeada pelo sobreaquecimento do planeta.
Paralelamente, o governo dos EUA rejeita as disposições dos tratados internacionais relativos à protecção do ambiente, tendo-se recusado recentemente a assinar o Protocolo de Quioto, o qual visa dar resposta a algumas das questões agora divulgadas.


Morreu Maria Helena de Freitas

Maria de Freitas Barreiro, ou melhor, Maria Helena de Freitas, conforme o pseudónimo pelo qual gostava de ser conhecida, faleceu, no sábado, com 91 anos, deixando como legado mais de quatro décadas de crítica musical.
Recentemente, Maria Helena de Freitas trabalhava como consultora da Rádio Difusão Portuguesa, emissora à qual ficará sempre ligada devido à sua participação em programas como «O Canto e os Seus Intérpretes» e «Ópera Comentada».
Em sua homenagem, a Antena 2 irá repetir, durante o próximo mês de Março, «O Canto e os Seus Intérpretes», assim como uma entrevista, conduzida por João Pereira Bastos, por altura do nonagésimo aniversário da autora.
Para além do espólio pessoal, Maria Helena de Freitas deixa um vastíssimo número de obras do maestro João de Freitas Branco.


Resumo da Semana