ABIC exige actualização de bolsas
A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) escreveu uma carta aberta à ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, reclamando a actualização dos montantes das bolsas de investigação.
A carta está a ser divulgada junto de todos os bolseiros de investigação, convidados a enviar o texto por correio electrónico para o Ministério da Ciência e Ensino Superior, o gabinete do primeiro-ministro e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
O documento protesta contra a não actualização do montante das bolsas, «o mesmo será dizer, a diminuição pelo segundo ano consecutivo do valor real das bolsas de investigação».
Em 2002, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia assumiu o compromisso de proceder anualmente à necessária actualização do montante das bolsas. «Contudo, à actualização feita em 2002 (que não cobriu a desvalorização ocorrida nos anos anteriores), não se seguiu a devida em 2003 e, até ao momento, não foi anunciada qualquer actualização para 2004», denunciam os bolseiros.
A ABIC lembra os problemas e as dificuldades dos bolseiros portugueses «que decorrem de um estatuto que os priva de direitos e regalias fundamentais» e que «abriu portas para que os bolseiros sejam hoje encarados como mão-de-obra qualificada mas barata e descartável» pelas instituições onde trabalham.
O texto da carta refere ainda as recentes afirmações de Maria da Graça Carvalho sobre o futuro reforço da capacidade científica e tecnológica nacional, nomeadamente através da aposta na formação avançada de recursos humanos.
«Reconhece assim vossa excelência a importância que naturalmente têm em qualquer sistema científico e tecnológico os recursos humanos – portadores, criadores e difusores do conhecimento científico e suas aplicações. Sabe decerto que, no caso do sistema científico e tecnológico nacional, uma boa parte desses recursos desempenham a sua actividade de investigação científica (ou outra conexa) na condição de bolseiro», lê-se.
A carta promovida pela associação defende ainda que «a aposta na ciência e na tecnologia, e em quem a faz, é certamente essencial para o desenvolvimento do País».


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