Escravos emigrantes

Cerca de duas centenas de emigrantes portugueses na Holanda denunciaram, sexta-feira da semana passada, as inaceitáveis condições de vida e de trabalho a que estão sujeitos naquele país da União Europeia.
De acordo com relatos ouvidos pela Lusa, os emigrantes vivem em camaratas sobrelotadas, estão continuamente sujeitos a multas e castigos pecuniários, sofrem ameaças de despedimento e de agressão física constantes e não gozam de total liberdade de movimentos, não podendo, assim, regressar a Portugal ou deslocarem-se para qualquer outro país da UE.
Os trabalhadores em causa queixam-se ainda de terem um acesso limitado aos salários e às contas bancárias que, acusam, são controladas pela entidade patronal.
A Columbus Detacheringen B.V, empresa para a qual trabalham os portugueses, dedica-se ao fornecimento de mão-de-obra emigrante para diversas indústrias de diferentes áreas de actividade, sobretudo unidades de transformação de madeira, metalomecânica e carne.


Confap critica Governo

Depois de ter criticado a implementação de exames nacionais no 1.º e 2.º ciclos do ensino básico e secundário, a Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) acusou o Governo de se querer demitir das suas responsabilidades na aplicação e frequência da disciplina de educação sexual nas escolas.
De acordo com declarações proferidas sexta-feira da semana passada pelo presidente daquela estrutura associativa, Albino Almeida, o ministro da Educação não esclareceu quais as áreas em que os pais podem impedir os adolescentes de participarem nas aulas de educação sexual, embora a Confap desconheça a versão final da Lei.
Paralelamente ao 29.º Encontro Nacional da organização, que decorreu durante o fim-de-semana em Albufeira, Albino Almeida afirmou que «é um perfeito disparate ter uma disciplina obrigatória, que conta para avaliação, que tem áreas que os pais possam dizer que os filhos não frequentam», concluindo que «não é sério que o Estado não assuma as suas responsabilidades e não deve ceder a pressões, mormente das igrejas, que acham que nós temos que esconder estas questões aos nossos filhos».


Faltam milhares de enfermeiros

Segundo um estudo da responsabilidade da Escola de Enfermagem de Lisboa, divulgado esta semana, Portugal necessita de formar mais de 20 mil quadros especializados naquela área dos cuidados de saúde.
O relatório indica que o nosso país apresenta valores inferiores quando comparado com outros estados com semelhantes índices de desenvolvimento.
Quanto à UE, Portugal está muito abaixo da média dos valores de referência, confrontação a partir da qual foi possível apurar o número de enfermeiros necessários.
Outro dado relevante do documento é que, paralelamente a um esforço de formação, é urgente corrigir as assimetrias regionais na distribuição de efectivos, os quais se concentram maioritariamente nas grandes cidades, sobretudo Lisboa, Porto e Coimbra.


Repórteres da vergonha

A associação internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) foi condenada, quarta-feira da semana passada, a pagar cinco mil euros a Diana Díaz Lopez, filha do fotógrafo cubano Alberto Korda, entretanto falecido.
A sentença, proferida por um tribunal francês, condenou a organização por uso indevido da célebre foto de Che Guevara, tirada por Korda, num comício em Havana em 1960, e massificada pelo editor italiano Giacomo Faltrinelli.
As instâncias judiciais haviam já interrompido uma campanha anticubana dos RSF, na qual a cara de Che Guevara aparece colada num cartaz de Jamie Reed sobre a repressão dos estudantes na sublevação de Maio de 1968.
O cartaz foi considerado pelos juizes como uma brincadeira que «carecia de humor» unicamente com o propósito de «denegrir a imagem de Cuba» e uma manifesta modificação do sentido da obra de Alberto Korda.
Alheio às deliberações contrárias aos seus interesses e campanhas contra o povo cubano, Robert Menard, presidente da RSF e influente personalidade junto da máfia de Miami, insistiu na provocação e concedeu uma entrevista televisiva ladeado pelo referido cartaz, facto sobre o qual incidiu a multa aplicada.


Golpe palaciano na Coreia do Sul

Muitas dezenas de milhar de sul coreanos manifestaram-se, no início da semana, contra a destituição do presidente do país, Roh Moo-hyun.
Os protestos concentraram-se junto da embaixada dos EUA, acusados de estarem envolvidos no pedido de impugnação apresentado no parlamento.
Apesar de ainda decorrer um recurso junto das mais altas instâncias judiciais de Seul, os manifestantes acreditam que só a pressão popular pode devolver o cargo a Moo-hyun, o primeiro chefe de estado da Coreia do Sul a ser destituído após a implementação de um regime de democracia «musculada» no sul da península coreana, há mais de 50 anos.
Segundo informações veiculadas por agências internacionais, a mobilização popular só encontra paralelo nas manifestações de 2002, convocadas precisamente contra a ingerência de Washington nos assuntos internos do país.


Resumo da Semana