Um milhão sem água

De acordo com dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), revelados segunda-feira, cerca de 9 por cento da população portuguesa não é servida por estruturas de abastecimento de água potável.
Aos cerca de um milhão de pessoas que quotidianamente sobrevivem no nosso país sem o líquido vital, juntam-se algumas centenas de milhar que consomem água inquinada ou com níveis de qualidade extremamente baixos, segundo informações divulgadas pelo Instituto Regulador de Águas e Resíduos.
Ao nível internacional, as Nações Unidas estimam, ao assinalar a passagem do Dia Mundial da Água, que a escassez irá afectar, no prazo de 20 anos, cerca de metade da população mundial e que tal constituirá um foco de conflitos futuros se não se tomarem medidas sérias para inverter a delapidação rápida dos recursos hídricos.
A ONU alerta ainda para o facto de cerca de 80 por cento das doenças no mundo resultarem dessa falta o que, paralelamente às cinco milhões de mortes por consumo de água imprópria, ajuda a explicar por que é que metade das camas de hospital nos países em vias de desenvolvimento são ocupadas por vítimas de água imprópria e saneamento básico deficiente.


Açores contra o racismo

Mais de uma centena de pessoas concentrou-se, domingo, na Avenida Marginal de Ponta Delgada, nos Açores, para protestar contra o racismo e a xenofobia.
A marcha, promovida pela Associação dos Imigrantes dos Açores, pretendeu, nas palavras do seu presidente, Paulo Mendes, «lembrar que os imigrantes acabam por ser vistos como bodes expiatórios, daí a necessidade de chamar a atenção para um problema das sociedades que está actualmente relacionado com os movimentos migratórios e as questões culturais».
Os manifestantes, envergando camisolas com o lema «Racismo nem pintado», percorreram o caminho até às portas da cidade, onde diversos concertos animavam a jornada.
Na Região Autónoma dos Açores - terra de muitos portugueses que emigraram em busca de melhor sustento - estima-se que residam mais de cinco mil imigrantes, na sua maioria provenientes de Cabo Verde, Brasil, Angola e países do Leste da Europa.


Governo compromete segurança

No encerramento da Assembleia Geral da Associação dos Profissionais da Guarda, sábado, o presidente daquela estrutura associativa acusou o Governo de querer «subordinar a GNR e os seus profissionais ao Exército».
José Manageiro disse que existem «11 oficiais generais das Forças Armadas nos quadros da GNR que têm um vínculo muito próximo ao Exército», pelo que, «toda a sua concepção da Guarda se produz com base nessa experiência».
Desta forma, continuou «a GNR perde a sua razão de existir, é uma força que tem de estar junto dos cidadãos e dos tribunais e vocacionada assumidamente para a actividade policial e não militar».
No dia anterior, também a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) revelou, através de declarações do seu presidente, Alberto Torres, estar cansada das promessas do executivo de Durão Barroso, que acusam de «só em altura de eleições» tentar «acalmar os ânimos dentro das forças de segurança e prometer melhorias para os profissionais da Polícia de Segurança Pública».


Guerra já matou 10 mil civis

De acordo com dados recolhidos pela Amnistia Internacional (AI), divulgados para assinalar o primeiro aniversário da invasão do Iraque, já morreram cerca de 10 mil civis iraquianos desde o início da intervenção militar.
Apesar de também terem morrido mais de 500 soldados das forças ocupantes, as vítimas da guerra encontram-se sobretudo entre o povo do Iraque, sujeito, segundo a AI, ao «uso excessivo da força por parte das tropas norte-americanas» e a «constantes violações dos Direitos Humanos».
As pessoas, conclui a AI, encontram-se sujeitas a detenções arbitrárias «em condições difíceis, muitas torturadas e outras que acabam por morrer na prisão». O número dos presos da coligação, segundo estimativa da organização, ronda as 15 mil pessoas.


Mentiras e repressão

A Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH) promoveu, sábado, frente à embaixada de Espanha em Lisboa, uma conferência de imprensa para denunciar as mentiras em relação aos atentados do passado dia 11 de Março em Madrid e protestar contra a escalada da repressão que se abateu sobre o povo e as organizações políticas e sociais bascas.
De acordo com o comunicado distribuído à imprensa, a ASEH «solidariza-se com as vítimas e famílias do brutal atentado, que teve como resultado a morte de mais de 200 pessoas que se deslocavam para os seus locais de trabalho» e apontou as responsabilidades do sucedido à «política externa do governo de Aznar, em parceria com Bush, Blair e Durão Barroso».
Tal como tem vindo a acontecer na guerra de ocupação do Iraque e no suposto combate ao terrorismo «os media nacionais e estrangeiros» manipularam os factos na tentativa de «garantirem uma vitória ao PP e legitimarem o governo espanhol a aumentar ainda mais as medidas repressivas sobre o povo basco», acusou a ASEH.
Medidas que se fizeram «imediatamente sentir em Iruñea» com o assassinato de Angel Berrueta pela polícia por este «se ter recusado a colocar um cartaz, no seu estabelecimento, defendendo a manipulação e a mentira do governo de Aznar», lê-se ainda no documento.
A terminar, a ASEH «congratula-se com a derrota do PP nas últimas eleições, mas lembra que o PSOE esteve sempre ao lado do PP na elaboração das leis “antiterrorismo” e do “funcionamento dos partidos” que permitiram a ilegalização de partidos políticos, organizações de direitos humanos, organizações juvenis e órgãos de comunicação social, comprometendo, assim, a democracia, a liberdade de expressão e a paz no País Basco.


Resumo da Semana