Editorial

«A participação militante é uma fonte de força essencial do Partido»

CONTACTAR, CONTACTAR SEMPRE

Cada vez mais, o conceito dominante de democracia exclui a vertente participativa, tanto a nível da sociedade como do funcionamento interno dos partidos. Os alternantes detentores do Poder fazem tudo para reduzir a participação dos trabalhadores e dos cidadãos ao acto de votar, afastando-os da intervenção política, limitando-lhes ou coartando-lhes a liberdade de agir. No plano partidário, na generalidade dos casos, aos membros dos partidos está reservado o papel de conferirem uma fachada democrática (fingindo democraticidade onde ela não existe) ao conteúdo do funcionamento interno dos respectivos partidos. Não é difícil entender que assim seja, sabendo-se que nada incomoda, preocupa e perturba mais os donos do Poder do que a intervenção consciente e lúcida dos trabalhadores organizados – precisamente porque a organização para a acção, inclusive para a acção de votar, decorre, em grande medida, da consciência e da lucidez políticas.
No PCP, a participação militante é uma preocupação de todos os dias, pelo simples facto de que, para o colectivo partidário, essa participação, constitui condição indispensável ao funcionamento democrático do Partido e, por isso mesmo, é uma fonte de força essencial do Partido. Daí os esforços constantes, no sentido de a ampliar e reforçar, nomeadamente através da criação de condições susceptíveis de aumentar o núcleo activo do Partido.

É à luz desta perspectiva que deve ser vista a acção nacional de contacto com os membros do Partido, decidida pela Conferência Nacional realizada há cerca de dois anos. Esclarecer situações, actualizar dados, elevar a participação na vida partidária, ou, dito de outra forma, sabermos, com o máximo de rigor, quantos somos, quem somos, onde estamos e quais as disponibilidades militantes de cada um: eis os objectivos essenciais desta iniciativa, na continuidade do esforço, no mesmo sentido, que se vinha fazendo há muito tempo, embora sem a persistência e a regularidade necessárias. Para isso, foi colocada aos militantes comunistas a tarefa de contactar pessoalmente os 131 mil inscritos no Partido, aí incluídos os cerca de 65 mil que, de acordo com os dados disponíveis, tinham ligação regular ou esporádica com o Partido por alturas do XVI Congresso. Como facilmente se percebe, trata-se de uma tarefa difícil e complexa, com múltiplas exigências de disponibilidade e de tempo, apelando a um considerável esforço de militância acrescida. Milhares de quadros e activistas do Partido têm participado nesta campanha de contactos, com resultados positivos quer no que respeita à quantidade de contactos concretizados quer no que diz respeito à receptividade dos contactados. Todavia, e porque estamos ainda muito aquém da meta estabelecida, impõe-se agora um esforço particular, até Maio, de modo a que se criem condições para conferir à campanha o ritmo e a continuidade exigidos. Daí a jornada nacional de contactos em curso.

Com resultados diversificados de organização para organização, já foram concretizados até agora cerca de 50 mil contactos (e, pela dinâmica da campanha e pela adesão dos contactados, é previsível que, a breve prazo, se ultrapasse os 65 mil assinalados no XVI Congresso). Para além da relevância de que esse facto, por si só, se reveste, importa sublinhar alguns resultados concretos decorrentes desta campanha de contactos. Em primeiro lugar, o facto de a imensa maioria dos contactados manifestar a disposição de continuar; depois, o facto de, de entre os milhares de militantes que retomaram o seu contacto com o Partido, muitos terem sido os casos dos que se disponibilizaram para assumir tarefas, que actualizaram as suas cotizações e aumentaram o valor das mesmas, que deram contribuições especiais para o Partido. Para além disso, estes contactos forneceram, ainda, preciosas informações sobre o local de trabalho de milhares de camaradas, abrindo assim o caminho à criação de novas células e ao reforço do Partido nas empresas e proporcionando o alargamento da intervenção dos comunistas junto da classe operária e dos restantes trabalhadores. Se tivermos ainda em conta que, por efeito desta acção nacional de contactos, mais de 400 novos militantes aderiram ao Partido neste primeiro trimestre de 2004 e que o alargamento da difusão do Avante! se traduziu em várias centenas de novos leitores, ficaremos com uma ideia aproximada da dimensão da importância desta iniciativa – e, por isso mesmo, da necessidade de lhe dar continuidade regular.

Outro aspecto a realçar desta acção nacional de contactos, é o que decorre da sua complementaridade com as restantes tarefas do Partido no momento actual. Assim, numa altura em que ao colectivo partidário se coloca a necessidade imperiosa de um envolvimento profundo na campanha eleitoral para o Parlamento Europeu – e sabido que é o peso decisivo desse envolvimento nos resultados que nos propomos obter – o contacto com milhares de membros do Partido até agora desligados da actividade partidária, assume uma relevância acrescida. Na verdade, esse contacto, no decorrer do qual as eleições para o Parlamento Europeu e a sua importância são tema inevitável, constitui, também ele e de que maneira, um caminho para atrair mais e mais militantes e simpatizantes – homens, mulheres e jovens comunistas e de esquerda – à participação na campanha eleitoral e ao voto na CDU.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: