Contas da discórdia

Na sequência da apresentação pública do relatório do primeiro ano de funcionamento dos Hospitais S.A., quarta-feira da semana passada, foram divulgadas informações que acusam o ministro Luís Filipe Pereira de ter autorizado o «emagrecimento» das contas daquelas unidades.
Apesar de o ministro da Saúde ter, entretanto, rejeitado as acusações, o presidente da associação dos Administradores Hospitalares, Manuel Delgado, questionou a tutela quanto ao facto de as despesas com os medicamentos não constarem nas contas dos hospitais de gestão privada, o que não só alivia os prejuízos daquelas unidades como também as coloca em vantagem relativamente aos hospitais de gestão pública.
O Diário de Notícias, na edição de segunda-feira, cita mesmo uma circular, datada de 30 de Janeiro e classificada como «muito urgente», segundo a qual o Governo apelava à transferência, para as Administrações Regionais de Saúde, das despesas com fármacos prescritos nas consultas externas e nas urgências dos Hospitais-Empresa.
Recorde-se que o modelo de gestão hospitalar privada implementado por Luís Filipe Pereira foi apresentado como um exemplo a seguir na execução rigorosa dos orçamentos previstos e dos actos médicos prestados aos utentes.


Mortes por explicar

A Inspecção-Geral de Saúde (IGS) e o Ministério Público abriram processos de investigação para apurar responsabilidades sobre a morte de dois doentes, a semana passada, no bloco operatório do Hospital de Lagos.
De acordo com o relatório preliminar da IGS, divulgado segunda-feira, os elementos recolhidos apontam para uma actuação deficiente da médica anestesista que assistiu as duas cirurgias, embora o director clínico daquela unidade de saúde seja também referido no documento.
Na sequência das mortes, o bloco operatório do Hospital de Lagos foi encerrado e os dois profissionais encontram-se suspensos até à conclusão das investigações.
De salientar que o Infarmed advertiu, o ano passado, para a possibilidade do fármaco usado nas duas cirurgias provocar insuficiências cardio-respiratórias, o que se confirmou fatalmente com a morte de um homem e de uma mulher numa sala de operações, onde se deveriam submeter a pequenas intervenções previamente agendadas.


Sargentos exigem progressão

A Associação Nacional de Sargentos (ANS) exigiu, no domingo, medidas concretas da parte do Governo no sentido de serem resolvidos os problemas que afectam o sector.
No almoço comemorativo do 30.º aniversário da Revolução de Abril organizado por aquela estrutura associativa, António Lima Coelho, presidente da ANS, acusou a tutela de não responder positivamente à «falta de perspectivas de progressão na carreira», problema que mantém alguns dos profissionais há mais de quinze anos na mesma categoria.
Para além da progressão nas carreiras, os sargentos pretendem que sejam resolvidas questões relacionadas com o associativismo sócio-profissional e as pensões de reforma, advertindo que «as dívidas do Estado aos militares começam a ter uma dimensão preocupante».


Cidadão da verdade

Mordechai Vanunu, o cientista nuclear israelita detido por divulgar informações confidenciais sobre o programa nuclear do seu país, requisitou, na semana passada, a renúncia da cidadania israelita.
O pedido do cientista tem como objectivo evitar que as autoridades o retenham no território após a sua libertação do cárcere, facto que deverá acontecer no próximo dia 21 de Abril.
Vanunu, capturado pela polícia secreta Mossad em 1986, encontra-se detido a cumprir uma pena de prisão de 18 anos por traição e espionagem, medida aplicada após ter entregue documentos e fotos de um complexo nuclear israelita ao jornal britânico The Sunday Times.
Este e outros complexos atómicos não declarados pelo governo de Israel estão na base da aplicação de medidas restritivas a Vanunu, medidas que o Estado de Israel pretende manter mesmo depois da sua libertação da cadeia, sob o pretexto de que o cientista continua possuir informações consideradas secretas.
Recorde-se que Israel é um dos países que, sob protecção dos EUA, não assinou o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, nunca aceitou qualquer inspecção internacional ou sequer admitiu ser uma potência no que respeita à utilização militar da energia atómica.


Putin proíbe protestos

O (re)eleito presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, fez aprovar na câmara baixa do parlamento do país, a Duma, uma lei que proíbe concentrações e manifestações em quase todos os locais públicos.
A disposição, aprovada quarta-feira da semana passada com os votos favoráveis dos partidos que apoiam o governo e rejeitada, entre outros, pelos deputados comunistas, visa limitar o direito dos russos ao protesto público.
Contidos no rol de locais vetados às manifestações estão, por exemplo, as imediações dos edifícios do Estado, embaixadas ou representações de organismos internacionais e algumas ruas consideradas «fundamentais».
As razões invocadas para limitar ainda mais a liberdade colectiva do povo foi, ao estilo dos velhos czares, a «segurança» interna.
Para completar as proibições, Putin incluiu na lista as escolas, hospitais, salas de espectáculos, estádios, centros religiosos e, sobretudo, estruturas e zonas industriais ou de transformação e transporte de combustíveis.


Resumo da Semana