PJ prende Valentim

A Polícia Judiciária (PJ) deteve, na manhã de terça-feira, o presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e da Câmara Municipal de Gondomar, Valentim Loureiro, por suspeitas de envolvimento em alegados casos de corrupção, tráfico de influências na arbitragem e falsificação de documentos.
Com Valentim Loureiro, foram também detidos para interrogatório o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pinto de Sousa, um outro membro do mesmo órgão, o ex-árbitro Azevedo Duarte, e ainda o presidente do Gondomar Sport Clube e edil da autarquia da cidade, José Oliveira.
Às figuras mais conhecidas, juntam-se outros conselheiros da arbitragem da FPF e árbitros ainda no activo.
A operação a que a PJ chamou de «Apito Dourado» integra-se numa investigação que dura à mais de um ano e envolveu cerca de 60 actos de busca, realizados entre Bragança e Setúbal, mas com especial incidência no norte do País, tendo sido também efectuadas investigações na sede da FPF, em Lisboa.
As sedes do SC de Braga e da Naval 1.º de Maio também foram investigadas pelos agentes, estruturas às quais se junta a Câmara Municipal de Marco de Canaveses, cujo presidente, Avelino Ferreira Torres, se encontra em parte incerta.


L’Humanité fez cem anos

O jornal francês l’Humanité fez, no passado domingo, cem anos. Durante décadas órgão central do Partido Comunista Francês, o l’Humanité foi fundado pelo socialista Jean Jaurés em 1904 e desde cedo que se assumiu como o grande periódico da classe operária e dos trabalhadores franceses. Após o assassinato de Jaurés – devido à sua forte oposição à primeira Grande Guerra – e o Congresso de Tours, onde foi fundado o Partido Comunista Francês, o l’Humanité passa de «jornal socialista» a «jornal comunista».
A partir de 1923, e até 1994, o jornal assume o papel de órgão central do PCF, defendendo as causas dos comunistas franceses na defesa dos trabalhadores e dos povos coloniais. A solidariedade com os povos em luta e a elevação do nível cultural da classe operária e dos trabalhadores foram outras das causas abraçadas pelo jornal ao longo da sua história.
Durante os anos da ocupação nazi, o l’Humanité não deixou de se publicar, clandestinamente, sendo a única voz coerente e combativa contra o ocupante nazi. Neste período, vários dos seus redactores e colaboradores foram fuzilados.


Jantar com Abril

Realizou-se no passado sábado, no Pavilhão Municipal de Almada, um jantar evocativo do 30.º aniversário da Revolução de Abril.
O evento, organizado pelas estruturas do Movimento Associativo e Popular daquela cidade, contou com a presença de mais de seis centenas de pessoas que se juntaram para lembrar as grandes conquistas revolucionárias e reafirmar a sua actualidade e importância para Portugal.
Entre os presentes estavam muitos militares de Abril, autarcas do concelho e diversos activistas e dirigentes associativos e políticos.
O programa cultural das festividades contou com interpretação de canções marcantes da Revolução, a cargo de Luisa Bastos, e com a declamação de poemas de Abril por parte de Maria do Rosário, Teresa Gafeira e Fernando Jorge.
A fechar a iniciativa, intervieram Alexandre Castanheira, em representação do Movimento Associativo e Cultural do Concelho de Almada, Augusto Flor, da Confederação Portuguesa das Colectividades, Vasco Gonçalves, primeiro-ministro de quatro Governos Provisórios entre 1974 e 1975, e Maria Emília de Sousa, Presidente da Câmara Municipal da Almada.


Vanunu denuncia Israel

O cientista nuclear israelita Mordechai Vanunu foi libertado, quarta-feira, da prisão de Shikma, em Israel, após ter cumprido uma pena de 18 anos de prisão.
Vanunu foi acusado de traição pelo estado israelita após ter revelado segredos nucleares numa entrevista ao jornal britânico The Sunday Times.
À saída do estabelecimento prisional, o cientista declarou, à comunicação social e aos apoiantes que o esperavam, que tinha sido vítima de tratamento «cruel e bárbaro» durante o tempo de encarceramento.
Esclarecendo que não conhece mais segredos sobre o programa nuclear israelita, Vanunu apelou ainda à realização de uma inspecção ao reactor nuclear de Dimona, o qual, segundo denúncias de organizações pacifistas, não é usado exclusivamente para produção de energia.
As autoridades recusaram recentemente a Vanunu a renúncia à cidadania israelita e, apesar de o terem libertado, proibiram-no de se aproximar de portos marítimos, aeroportos, de falar com cidadãos estrangeiros sem autorização prévia ou de possuir passaporte.


Cuba pede investigação aos EUA

O chanceler cubano Felipe Perez Roque apelou, quinta-feira da semana passada, à Comissão dos Direitos Humanos (CDH) da ONU que investigue as condições de detenção dos cerca de 600 prisioneiros encarcerados na base norte-americana de Guantanamo.
De acordo com as declarações de Perez Roque, na conferência de imprensa, em Havana, aquele organismo das Nações Unidas tem a obrigação de nomear um relator especial para investigar as suspeitas de violação dos Direitos Humanos perpetradas pelos EUA contra os alegados terroristas, presos pelos americanos sem formulação de acusação.
O pedido surgiu na sequência de uma resolução anticubana apresentada pelas Honduras, no mesmo dia, em Genebra, aprovada na CDH com 22 votos a favor, 21 contra e dez abstenções.
Cuba anunciou ainda a intenção de pedir às 22 nações que aprovaram a resolução que patrocinem igualmente aquela iniciativa, a qual poderá ser examinada na próxima sessão da CDH, em 2005.


Resumo da Semana