Há uma guerra aberta contra as tropas ocupantes
Agravamento da situação no Iraque
A desorientação do Governo
Insensatez e seguidismo acéfalo em relação às posições irresponsáveis das autoridades norte-amercicanas continuam a ser o traço dominante na acção do Governo de Durão Barroso em relação ao Iraque.
A acusação é do Grupo comunista que voltou a chamar o assunto para primeiro plano do debate parlamentar em intervenção do deputado António Filipe, faz hoje uma semana, um dia depois de o Ministro da Administração Interna ter afirmado que as forças da GNR deverão manter-se no Iraque após a tomada de posse do Governo provisório iraquiano, prevista para 30 de Junho.
Figueiredo Lopes, que falava na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, invocou em defesa da posição do Executivo PSD-CDS/PP a alegada vontade expressa por membros que integrarão o futuro Governo provisório iraquiano no sentido de as forças de ocupação continuarem no país.
«Uma retirada das forças da GNR a 12 de Maio próximo, quando termina o seu mandato de seis meses, seria uma acção verdadeiramente irresponsável», afirmou o titular da pasta da administração interna, que interpretou ainda esse regresso a casa como um sinal de «fraqueza» e de «capitulação» que poria «em causa a credibilidade internacional de Portugal».
Argumentos estes que foram de imediato desmontados pelo deputado António Filipe, para quem a postura do Governo vem evidenciando uma crescente desorientação e uma enorme falta de transparência relativamente aos acontecimentos no Iraque.

Erros de cálculo

«Aconteça o que acontecer no Iraque, o senhor ministro diz sempre a mesma coisa, mas é evidente, agora, que o Governo cometeu um enorme erro de cálculo», sublinhou o deputado comunista, lembrando, com ironia, «como vai longe o período do último Natal em que a única preocupação que havia era se os militares portugueses teriam ou não direito a comer bacalhau na consoada». «Se acabou a guerra da invasão anglo-americana,
agora começou uma nova guerra», observou ainda António Filipe, referindo-se à crescente degradação do quadro político e militar naquele país.
À análise desta situação voltaria António Filipe na intervenção em plenário para afirmar que o cenário inicialmente previsto pelo Governo foi «rotundamente desmentido». «Em vez da pacificação, da estabilização, da reconstrução e da democratização», assinalou, «aquilo a que todo o mundo assiste é ao agravamento da insegurança e à rápida evolução para uma situação de guerra aberta contra as tropas ocupantes, entre as quais o contingente português».

Suposições falsas

Lembrado pelo parlamentar do PCP, em resposta aos que defendem a permanência da ocupação militar do Iraque com o argumento que a saída poderia traduzir-se num agravamento da situação, foi o facto de esta não passar de mais uma suposição cujo valor é idêntico ao de outras suposições que serviram de suporte à invasão e ocupação do Iraque e que vieram todas elas a revelar-se falsas e infundadas.
Por isso a exigência reiterada pela bancada comunista para que o Governo, em vez de novas fugas para a frente (como o noticiado e nunca desmentido envio de uma força do exército) reflicta sobre os erros por si cometidos e faça regressar a casa o contingente da GNR.

As mentiras

O PCP acusou o Governo de exibir a mais «completa desorientação» face à degradação da situação iraquiana e à derrocada de todas as premissas e previsões que estiveram na base da guerra de invasão e ocupação.
«É hoje uma evidência que os pressupostos em que o Governo Português baseou o envio da GNR para o Iraque falharam completamente», sublinhou o deputado comunista António Filipe, exemplificando: «A situação é de guerra, como todos sabemos. A ocupação não é bem vinda pelos iraquianos, como já todos percebemos. Os riscos da missão da GNR cresceram enormemente. Vive-se uma crise gravíssima, de novos contornos, com o sequestro e mesmo a horrível liquidação de civis. A coligação militar de ocupação fragiliza-se de dia para dia com sucessivos governos a anunciarem a reconsideração da sua posição, incluindo países da NATO como a Espanha ou a Polónia.»



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