PS e PSD alheiam-se dos interesses nacionais
Socialistas aliados à direita
Duas caras
Os eurodeputados do PS uniram-se ao PSD para chumbar várias propostas do PCP que exigiam mais apoios para Portugal e a suspensão do pacto de estabilidade
Durante o debate sobre as perspectivas financeiras para 2007 e 2013, Ilda Figueiredo e Sérgio Ribeiro apresentaram várias propostas de alteração ao relatório do Parlamento Europeu, uma das quais solicitava expressamente à Comissão a criação de programas de modernização e apoio económico específicos aos Estados-membros mais afectados pelo alargamento. Como recordaram, na altura da adesão de Portugal e Espanha à CEE, a Grécia beneficiou de apoios suplementares para compensar eventuais perdas.
A proposta acabou por ser chumbada por uma esmagadora maioria de deputados (392 contra, 49 a favor), onde estranhamente se incluíram quase todos os deputados portugueses do Partido Socialista e a totalidade dos do PSD. As excepções foram Ribeiro e Castro, do CDS/PP, e Valrinho, do PS, que solitariamente se aperceberam da importância para Portugal da alteração defendida pelos comunistas e votaram favoravelmente.
A situação voltou a repetir-se na votação de uma outra alteração ao relatório sobre o orçamento de 2005, neste caso sobre uma matéria que há muito reúne o consenso dos portugueses: a solidariedade com o povo maubere. Os dois deputados do PCP pretendiam simplesmente que o Parlamento manifestasse «a intenção de continuar a apoiar a reconstrução e desenvolvimento de Timor-Leste». Contudo, à excepção de Ribeiro e Castro e de Valrinho, todos os restantes deputados portugueses chumbaram a proposta (318 votos contra e 143 a favor).

Práticas e discursos

No relatório sobre as «grandes orientações da política económica», aprovado na passada semana, dia 22, os deputados socialistas assumiram mais um vez posições que não coincidem com o discurso interno do PS.
Entre as várias propostas que apresentaram, os deputados do PCP defenderam a suspensão do Pacto de Estabilidade e a sua substituição por um pacto de Progresso Social e Emprego; sublinharam que «o objectivo orçamental não pode por em causa ao promoção do desenvolvimento público, a promoção dos serviços de qualidade e as responsabilidades sociais do Estado, nomeadamente ao nível das prestações sociais, da saúde, e da educação»; manifestaram a sua oposição ao processo de liberalizações e privatizações em curso, solicitando à Comissão um estudo sobre os seus impactos no emprego; expressaram preocupação «com a crescente precarização do trabalho» e rejeitaram as orientações que visam a flexibilização do mercado de trabalho.
O caso da Bombardier mereceu igualmente referência numa outra emenda que chamava a atenção para o crescente número de deslocalizações e encerramentos de grandes empresas. Todavia, nenhuma destas propostas obteve o apoio dos deputados do PS ou do PSD e apenas a última, sobre as deslocalizações, foi votada favoravelmente pelo deputado do CDS/PP


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