O voto verdadeiramente útil de esquerda
A CDU está nas ruas
Por outro caminho
Com o lema «Outro caminho para Portugal e para a Europa», a CDU começou já a sua pré-campanha para as eleições europeias, assumindo o objectivo de reconquistar o terceiro deputado.
«Outro caminho para Portugal e para a Europa» é a proposta da Coligação Democrática Unitária para as eleições do próximo dia 13 de Junho para o Parlamento Europeu. Consciente da necessidade de combater as orientações neoliberais e antipopulares da União Europeia – que sairão reforçadas com a aprovação do projecto de «Constituição Europeia» –, a coligação considera que o reforço da sua presença no Parlamento Europeu é a única forma de dar combate a estas orientações.
Há cinco anos, a CDU falhou a eleição do terceiro deputado por pouco mais de mil votos. Para estas eleições, assume a reconquista do terceiro deputado como principal objectivo eleitoral. Para reforçar a sua votação e eleger Odete Santos (a terceira candidata da lista), a CDU aposta numa campanha de esclarecimento acerca da importância destas eleições, mostrando como as decisões tomadas na Europa influem decisivamente nas condições de vida dos portugueses.
Na rua estão já dois cartazes, um de grandes dimensões e outro mais pequeno, de formato MUPI. Em ambos, surge o lema da campanha ao lado da imagem da primeira candidata, Ilda Figueiredo.
A ser distribuído está um folheto, onde se reafirma que o voto na CDU tem uma dupla validade: «É o voto verdadeiramente útil de esquerda porque conta sempre para a derrota eleitoral da direita e porque é o que mais mossa faz no Governo e mais ajuda à mudança necessária».
Para a CDU, a mudança é necessária ao nível das políticas «em que têm estado, no essencial, de acordo os partidos socialistas e os partidos de direita». Políticas essas que têm agravado as desigualdades sociais, «acentuado a exploração de quem trabalha, engordando a especulação financeira, degradando os serviços públicos e submetido Portugal e outros países aos ditames dos países mais poderosos da Europa». No folheto, apela-se a que, no dia 13 de Junho, ninguém fique «fora de jogo», pois «é dia de ajustar contas com o Governo de Barroso e Portas».

Lá se fazem, cá se pagam

Considerando que as grandes manifestações do dia 25 de Abril e do 1.º de Maio e as lutas que vão continuar «revelam um profundo descontentamento com a política do Governo e uma forte aspiração de mudança», a CDU destaca, no folheto, a importância de levar a luta até às urnas.
Mas ao contrário do PS, que defende um «cartão amarelo» para o Governo – o que significa «estar de acordo que este Governo continue a sua obra de destruição até 2006» –, a coligação mostra o «cartão vermelho», ou seja, pretende a interrupção o quanto antes da sua «nefasta e desastrosa política».
As causas que a CDU elege para o «outro caminho» que defende para Portugal e para a Europa são o combate ao desemprego e a promoção do emprego com direitos, qualificado e justamente remunerado; a defesa e ampliação dos direitos sociais; uma Europa voltada para o desenvolvimento, o progresso social e a paz; a protecção do ambiente e uma «Europa verde»; a firme salvaguarda dos interesses de Portugal e do seu desenvolvimento numa União Europeia de países soberanos e iguais em direitos.
Outra das exigências da coligação PCP-PEV, é a defesa de uma Europa de paz e cooperação. Acusando o Governo de desprezar o sentimento maioritário dos portugueses, ao apoiar «vergonhosamente» a agressão e ocupação norte-americanas do Iraque, a CDU exige a retirada da GNR daquele país, o que considera ser uma «exigência democrática».
Para breve está a edição de um outro folheto, para apoiar as acções específicas de contacto com os agricultores. A circular estão já três abaixo-assinados de apoio à lista da CDU. Um de carácter geral, outro vocacionado para os trabalhadores, e ainda outro, dirigido à juventude. O lema deste último é «Lá se fazem, cá se pagam».

A melhor escolha para mudar de rumo

No folheto que está a ser distribuído, a CDU apresenta os seus candidatos, que considera serem cidadãos «profundamente ligados às aspirações dos portugueses a aos problemas do País, ao mundo do trabalho e da cultura, aos movimentos e organizações sociais, aos valores da Revolução de Abril». E afirma que estes não são candidatos para «descansar da política nacional ou para se servirem de cargos públicos em seu benefício, mas para trabalhar por um Portugal de justiça social e progresso». A prová-lo estão os dados recentemente divulgados e que dão conta do trabalho esforçado e consequente dos deputados comunistas no Parlamento Europeu, que divulgamos na página 5.
Metade dos candidatos da CDU são mulheres e Ilda Figueiredo é a única cabeça de lista apresentada. Isto revela que a CDU «não se fica por bonitas palavras de ocasião» no que respeita à elevação e valorização da participação das mulheres na vida política. Lembrando que há cinco anos o terceiro candidato não foi eleito por uma margem muito reduzida, a CDU apela aos eleitores para que, votando, ajudem a eleger outra mulher, Odete Santos, que figura na terceira posição da lista.

Esclarecer e mobilizar

A cinco semanas das eleições, os candidatos da CDU desdobram-se em acções de esclarecimento e contacto com os trabalhadores e as populações. A primeira candidata, Ilda Figueiredo, participa hoje em diversos encontros: com os conselhos directivo, pedagógico e científico do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, ISEL, bem como com a Associação de Estudantes; com os Órgãos Representativos dos Trabalhadores da Covina; e com a administração da Alcântara Açúcares. Às 17 horas, Ilda Figueiredo estará a contactar com os trabalhadores das OGMA.
Ao mesmo tempo, o quinto elemento da lista da CDU, Pedro Guerreiro, participa num debate na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sobre «Visões Políticas para a Europa». Para além de Pedro Guerreiro, participam candidatos da coligação «Força Portugal» (PSD/PP), do PS e do BE.
Amanhã, dia 14, é o dia de Ilda Figueiredo participar numa mesa redonda na Faculdade de Direito de Lisboa sobre «Portugal e a Constituição Europeia», às 17 horas. De manhã, a cabeça de lista da CDU estará a distribuir folhetos e a contactar com os trabalhadores no terminal dos barcos do Barreiro, seguindo para o centro da cidade. À noite, participa num debate sobre o papel da mulher na sociedade.
Odete Santos – que no dia anterior está na Assembleia da República nas votações na especialidade do Código do Trabalho – andará em campanha pelo distrito de Castelo Branco. Neste distrito, participa em diversas acções de contacto com trabalhadores de diversas empresas. Pedro Guerreiro intervém num plenário em Coimbra, sobre saúde.
Também no fim-de-semana, os candidatos andarão em campanha, bem como durante toda a próxima semana. A primeira candidata participa no sábado no Encontro Regional da CDU do Litoral Alentejano e à noite janta em Portimão, depois de ter passado a manhã em Lisboa. Odete Santos e Pedro Guerreiro participam em diversas iniciativas no distrito de Setúbal. Sérgio Ribeiro, que se encontra fora do País, integra a campanha a partir do dia 18.

A voz da luta do povo

Está a correr, entre dirigentes e delegados sindicais e membros de comissões de trabalhadores, um compromisso com a CDU. Nesse compromisso, os activistas de diferentes órgãos representativos dos trabalhadores (ORT) afirmam que são eles que, «nas empresas, nos locais de trabalho, nos sindicatos, desenvolvem a sua acção e travam a sua luta em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores».
Assim, é «por experiência própria» que sabem quais as forças políticas que, nas instituições, «se identificam com esta luta, que dão valor a quem trabalha, não esquecem, no exercício do seu mandato, o compromisso que assumem com os trabalhadores». No dia 31, realiza-se em Lisboa a iniciativa de entrega dos abaixo-assinados recolhidos entre os membros dos ORT.
Os reformados são outra das camadas que a CDU pretende ganhar para o voto a 13 de Junho. Com a edição de um documento específico, a CDU, recusando as tristemente frequentes demagogias de outros partidos quando se dirigem a esta camada social – com frágeis condições de vida e, por esta razão, muitas vezes sensível a promessas vãs –, realça ser necessário lembrar quem foram os responsáveis pela má condução das políticas da União Europeia. E responde, recordando quem esteve no governo do País nos últimos anos: PSD/Cavaco esteve dez anos, seguido de seis anos de PS/Guterres e mais dois anos de PSD/PP.
E que fizeram estes partidos ao se revezarem no governo? Para a CDU, a resposta é clara: mantiveram pensões de reforma de miséria; privatizaram hospitais e serviços de saúde; aumentaram as taxas moderadoras; dificultaram o acesso às consultas médicas e cirurgias; aumentaram os preços dos medicamentos; na União Europeia manifestaram-se sempre a favor dos interesses das grandes potências.
No dia 20 de Maio, Ilda Figueiredo e Carlos Carvalhas participam numa festa-convívio da CDU dirigida aos reformados. A festa tem lugar na Casa do Alentejo, em Lisboa, às 16 horas.


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