O actual inquilino da Casa Branca só conhece a força bruta
Ameaça a Cuba
EUA querem «libertar» cubanos
Mais de um milhão de pessoas saiu à rua em Havana, na passada sexta-feira, em protesto contra as medidas que os EUA se propõem desenvolver contra Cuba.
Bush não tem direito nem moral para falar de terrorismo, de direitos humanos, de liberdade e de democracia, afirmou o presidente cubano, Fidel Castro, ao dirigir-se à gigantesca manifestação, que depois de desfilar pelo Malecón se concentrou em frente dos escritórios dos EUA em Havana.
A manifestação constituiu uma poderosa resposta às medidas antecipadas por Bush em conferência de imprensa, a 6 de Maio, e apresentadas como uma forma de «acelerar o dia em que Cuba será um país livre». Os pormenores foram depois divulgados por Roger Noriega, secretário de Estado adjunto para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, um dos autores da Lei Helms-Burton que reforçou o bloqueio a Cuba e representante na administração norte-americana da mafia de Miami.
Segundo Noriega, a chamada «Comissão de Ajuda a uma Cuba Livre» entregou na Casa Branca um documento propondo novas medidas económicas e políticas contra aquele país. O documento apresenta como tarefas estratégicas para o derrube do governo cubano o incremento do apoio à contra-revolução interna; o aumento das campanhas internacionais contra Cuba; o recrudescimento das acções subversivas e de desinformação; a adopção de novas medidas lesivas da economia cubana; e o que designa por «minar os planos de sucessão do regime».

Cuba não será colónia dos EUA

Caracterizando o desfile como um acto de indignado protesto e uma denúncia contra as brutais propostas da administração Bush para desestabilizar o regime cubano, Fidel fez notar na sua intervenção que não existe no mundo que o presidente norte-americano hoje quer impor a menor noção de ética, credibilidade, normas de justiça, sentimentos humanitários, nem princípios de solidariedade e generosidade.
«Bush acusa de tirania o sistema económico e político que levou o povo cubano aos mais elevados níveis de alfabetização, conhecimento e cultura; que tem uma mortalidade infantil inferior à dos EUA, e recebe gratuitamente educação, saúde e outros serviços de grande transcendência social e humana», lembrou Fidel, sublinhando que o actual inquilino da Casa Branca só conhece a força bruta para intervir nos assuntos de Cuba e proclamar a necessidade de mudar de sistema.
O povo cubano pode ser varrido da face da Terra, mas não subjugado nem submetido à humilhante condição de neocolónia dos EUA, afirmou Fidel.

Medidas para a «liberdade»

O documento da «Comissão de Ajuda a uma Cuba Livre», com seis capítulos e mais de 450 páginas, começa com as medidas tidas como necessárias para destruir a revolução cubana.
Entre muitos outros aspectos, propõe-se:
- Disponibilizar 59 milhões de dólares nos próximos dois anos para financiar, designadamente: a criação de um fundo internacional para o desenvolvimento da «sociedade civil» em Cuba, que atraia pessoal «voluntário» de países terceiros que viajem até ao país e prestem ajuda nesse sentido; a organização, em conjunto com a Organização dos Estados Americanos (OEA), de um «plano de bolsas» para que elementos seleccionados estudem em universidades norte-americanas e da América Latina, contribuindo assim para a formação de quadros anti-regime; organização de programas para apoiar o que se designa por «esforços pró democracia dos jovens, mulheres e cubanos de origem africana»; o reforço das transmissões das impropriamente chamadas TV e Rádio Martí, com 18 milhões de dólares; manutenção e incremento das campanhas contra Cuba no estrangeiro, pondo a tónica nas supostas violações dos direitos humanos, na «subversão contra os governos democraticamente eleitos na América Latina», e outras acções definidas como uma ameaça aos interesses dos EUA, bem como organização de conferências internacionais ou nacionais em países terceiros para «divulgar informação» sobre as políticas norte-americanas para promover a «transição» em Cuba.
- Limitar os destinatários das remessas de dinheiro e bens aos familiares directos de cubanos residentes nos EUA.
- Proibir as remessas de dinheiro e bens a familiares que sejam «funcionários do governo ou membros do Partido comunista».
- Reduzir as visitas a Cuba de cubanos residentes nos EUA a uma viagem de três em três anos, contra o actual sistema de uma viagem por ano, e mesmo assim sujeita a autorização específica para cada viagem e apenas para visita a familiares directos. Tal como no caso das remessas, o governo dos EUA apenas reconhece como família «avós, netos, pais, irmãos, esposos e filhos». A medida estabelece ainda que os cubanos recém chegados aos EUA só podem viajar para Cuba após três anos de permanência no país.
- Redução de 164 para 50 dólares por dia o valor que os cubanos residentes nos EUA podem levar nas visitas a Cuba.


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