• Albano Nunes

Este é também um repto aos dirigentes do PS e à sua «família» política
É preciso escolher!
Sim, é preciso escolher o campo de luta. É necessário que cada um assuma com clareza as suas responsabilidades e decida em que lado da barricada se situa. Há momentos da História que obrigam a escolhas a que ninguém se pode furtar. Muito menos uma força política. Momentos em que os «eu não sabia» ou «isso não me diz respeito» não fazem qualquer sentido porque as verdades essenciais, apesar de escondidas e tergiversadas, entram pelos olhos dentro e fazem um barulho ensurdecedor. Momentos em que sobra muito pouco espaço para a distração e em que a «neutralidade», ainda que por omissão, é já uma opção de campo. Vivemos um desses momentos.

É preciso escolher entre o apoio e conciliação com a criminosa política dos EUA, um Estado que se colocou fora da lei, e a condenação frontal dessa política e a solidariedade para com as suas vítimas. Não há muito tempo para decidir. As revelações das terríveis torturas, sevícias e humilhações praticadas pelas tropas de ocupação do Iraque aí estão a exigir uma clara demarcação de posições. Aliás é preciso sublinhar que, por mais chocantes e revoltantes que sejam tais práticas elas são apenas a ponta do iceberg, a face mais visível da montanha de barbaridades perpetradas pelo imperialismo contra as forças da resistência e as populações civis. Elas têm de ser vistas, não como actos isolados e patológicos inerentes à natureza desumana da guerra, mas como produto de uma política sinistra que, visando o domínio do mundo, considera politicamente legítimos e moralmente defensáveis (e banalizando-os tenta torná-los «aceitáveis») os mais monstruosos crimes, porque cometidos em nome da «civilização ocidental e cristã». Sim, todos os crimes, da tortura ao uso da arma nuclear, precisamente como aconteceu com o nazi-fascismo, que também ele pretendia uma «nova ordem» dominada pelos monopólios alemães. É esse o impulso natural do imperialismo, sobretudo quando vê o terreno fugir-lhe debaixo dos pés. Como se viu na Argélia, no Vietnam ou no Chile, exemplos de horror que importa revisitar. Ou como se vê todos os dias nos territórios ocupados da Palestina, pela mão terrorista de Sharon, com a benção de Bush e perante a comprometedora passividade da social-democracia.

É preciso optar. Com urgência. Os que realmente prezam os valores da democracia têm de escolher com coragem o campo do combate ao imperialismo norte-americano e à sua brutal política de agressão e guerra. O que significa combater os que, como o governo de Durão Barroso, a ele se aliam ou que com ele conciliam. Se nos anos trinta o grande perigo para a Humanidade vinha da Alemanha hitleriana, hoje ele vem dos EUA e da gula dominadora da sua classe dirigente de que a fascizante equipe de Bush é a sua expressão mais terrorista.

É preciso optar. Exige-o a resistência de povos que, como o iraquiano e o palestiniano, estão hoje na primeira linha da luta pela liberdade e a paz. Exige-o a salvação da barbárie que os EUA e seus aliados estão a semear por todo o planeta. Este é também um repto aos dirigentes do PS e à sua «família» política que, no plano europeu e mundial e ao arrepio dos interesses e aspirações da maioria da sua base de apoio, se encontra profundamente comprometida com o militarismo e a guerra. Sem a rendição da social-democracia ao neoliberalismo, sem a sua aliança estrutural na U.E. com a direita para passos gravíssimos como o do projecto de «Constituição», sem o seu empenho no reforço da NATO ou na guerra nos Balcãs, sem a sua proteção aos sionistas do P.T. de Israel, sem o seu nefasto apoio e conciliação com a política dos EUA, jamais a arrogância do imperialismo norte-americano teria chegado onde chegou. Não se esqueçam as lições de Munique e da política de apaziguamento que desembocou na maior catástrofe do século XX.
É preciso mudar de política e mesmo de campo, antes que seja demasiado tarde!


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