A crise continua

Contrariando o discurso do Governo sobre a muito anunciada retoma da economia portuguesa e os consequentes reflexos positivos na capacidade de compra da população, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou, terça-feira, que os preços voltaram a subir em cerca de 0,7 durante o mês de Maio.
Segundo o INE, o vestuário, o calçado, os transportes e os combustíveis são os bens que mais aumento sofreram, penalizando directamente os consumidores e o seu cabaz de compras.
A confirmar a tendência de afastamento da capacidade de aquisição dos trabalhadores portugueses face aos seus congéneres da UE, o Eurostat divulgou um estudo comparativo onde afirma que na vizinha Espanha os géneros alimentares e as bebidas não alcoólicas custam em média menos 13 por cento que em Portugal.
A esmagadora maioria dos bens de primeira necessidade custam mais caro aos portugueses que aos espanhóis, dos quais se destacam o leite, os ovos, o queijo e as gorduras naturais, com valores superiores em cerca de 21 por cento, e o peixe, que no nosso país custa mais 30 por cento que no outro território peninsular.


Morte em campanha

O cabeça de lista do PS às eleições europeias faleceu, na manhã de quarta-feira da semana passada, após um súbito colapso cardíaco.
Sousa Franco acabou por morrer já no Hospital Pedro Hispano, para onde foi transportado ainda com vida, depois de diversas tentativas de reanimação operadas pelo corpo clínico daquela unidade de saúde.
O candidato ter-se-á sentido mal depois de uma acção de campanha dos socialista na lota de Matosinhos, local onde paralelamente à jornada eleitoral se terão desenrolado alguns desacatos entre militantes de facções opostas daquela concelhia do PS.
Em reacção ao sucedido, todos os partidos e coligações concorrentes ao sufrágio suspenderam as acções de campanha e manifestaram o pesar pelo desaparecimento abrupto do ex-ministro das Finanças.
Sexta-feira, o cortejo fúnebre percorreu a distância entre a Basílica da Estrela e o cemitério dos Prazeres, local onde Sousa Franco foi a sepultado.


Ferreira Torres condenado

O presidente da Câmara Municipal de Marco de Canavezes, Avelino Ferreira Torres, eleito pelas listas do CDS-PP, foi condenado, sexta-feira, a três anos de prisão com pena suspensa e perda do mandato autárquico.
O Tribunal de Marco de Canavezes deu como provados os crimes de peculato e de peculato de uso que recaiam sobre o autarca, tendo condenado igualmente o encarregado das obras do município, Mário Nogueira, que fica sujeito a 14 meses de pena suspensa durante os próximos quatro anos.
Em causa estavam o uso de meios e equipamentos da Câmara Municipal em benefício próprio.
De acordo com as provas apresentadas pela acusação, Ferreira Torres terá utilizado os serviços camarários para a realização de obras particulares nas suas propriedades.
No decurso da leitura da sentença, Ferreira Torres encontrava-se nos EUA, não sendo possível adiantar se o eleito do CDS-PP tenciona apresentar recurso da sentença.


Começou o Euro 2004

O Estádio do Dragão, no Porto, acolheu, no sábado da semana passada, a cerimónia de inauguração do Campeonato da Europa de Futebol.
Depois de uma coreografia de abertura que evocou a história dos descobrimentos portugueses, a selecção nacional defrontou a selecção da Grécia no jogo inaugural.
Os helénicos levaram a melhor sobre a equipa das quinas vencendo por duas bolas a uma, facto que é duplamente histórico por ser a primeira vez que a equipa do país acolhedor perde no jogo de abertura e, simultaneamente, porque assinala o primeiro triunfo da Grécia na fase final de uma grande competição.
O Euro 2004 reúne as 16 melhores selecções de futebol do velho continente que, divididas em quatro grupos, vão realizar os jogos da primeira fase, dos quartos de final e das meias-finais em dez cidades portuguesas.
A final da competição está agendada para o próximo dia 4 de Julho, no Estádio da Luz , em Lisboa.


Layla Zana libertada

A activista curda Layla Zana foi libertada, juntamente com outros três companheiros de cárcere, quarta-feira da semana passada, pelas autoridades turcas.
A ex-deputada, que em 1991 ousou expressar-se em curdo no parlamento da Turquia, foi detida em 1994 sob a acusação de colaborar com os combatentes independentistas do Partido dos Trabalhadores Curdos, o PKK.
A anulação da pena de 15 anos de prisão imposta a Layla Zana, agraciada em 1995 com o Prémio da Paz do Parlamento Europeu, não será alheia às pressões das instituições europeias para que a Turquia liberte alguns activista políticos e dos direitos humanos, uma vez que aquele país se encontra na primeira linha de um novo alargamento da UE.
Apesar desta «operação de charme» do governo turco, permanecem detidos no país milhares de activista políticos, entre os quais o ex-líder do PKK, Abdullah Ocalan.


Resumo da Semana