Editorial

«Os sentenciadores do fim do PCP sempre se têm revelado cegos e surdos perante a verdade»

PCP! A LUTA CONTINUA!

Um mar de camaradas e amigos acompanhou o corpo de Virgílio Azevedo ao Cemitério do Alto de S. João, expressando, assim, a dor e a mágoa pelo desaparecimento do camarada e do amigo e, ao mesmo tempo, reafirmando a determinação de dar continuidade à luta da qual ele foi participante activo.
Brutal, a notícia da morte chegara quando o Comité Central procedia à análise da batalha e dos resultados eleitorais – uma batalha que travámos com determinação e confiança e, como sempre, com a seriedade, a serenidade e o empenho característicos de quem se sabe portador de propostas que correspondem aos justos interesses e anseios da maioria dos portugueses; com o respeito pela inteligência e pela sensibilidade dos eleitores próprio de quem confia na sua lucidez e na sua razão e considera a participação cidadã como pedra de toque da democracia; com uma participação militante determinada e determinante, só possível de existir num partido portador de ideais e de valores eminentemente humanos e que tem como objectivo maior da sua luta e da sua intervenção a construção de uma sociedade livre, justa, solidária, fraterna, liberta de todas as formas de opressão e de exploração.

Uma batalha que travámos à nossa maneira: uma maneira construída por sucessivas gerações de comunistas e da qual Virgílio Azevedo foi destacado artífice: utilizando as armas que são as nossas, naquela postura que, quer em tempo de luta eleitoral quer nas lutas do dia a dia, nos distingue, sem margem para dúvidas, de qualquer das restantes forças políticas – assim confirmando que os partidos não são todos iguais, ao contrário do que propalam ou mandam propalar os que, para esconder ou apagar a singularidade do PCP, estão interessados em que assim pareça.
Uma batalha que, como se esperava e se sabia inevitável, foi travada em condições extremamente adversas, tendo como pano de fundo, por um lado, uma nuvem de profecias que condenavam inexoravelmente a CDU a perder um, ou até os dois deputados e, por outro lado, uma vaga de desinformação e manipulação em exclusivo desfavor da CDU – isto na sequência da tradicional ofensiva diária, sistemática, implacável, conduzida pela comunicação social dominante e traduzida na difusão de uma falsa e altamente negativa imagem do PCP. Uma batalha difícil a que os militantes comunistas não só não viraram costas como enfrentaram com determinação e confiança, assim impedindo o cumprimento da sinistra profecia – o que, como foi visível na noite das eleições e continua a ser evidente nos comentários e análises posteriores, muito espantou e irritou os profetas.

A verdade é que os sentenciadores do fim do PCP – e que disso fazem profissão, nalguns casos há mais de três décadas – sempre se têm revelado cegos e surdos perante a verdade, perante a realidade concreta que é o PCP. Essa cegueira e essa surdez, decorrentes de um autismo assumido, funcionam como um filtro selectivo que lhes esconde o que eles não toleram mas jamais conseguirão evitar: o papel decisivo desempenhado pelos comunistas na luta de todos os dias contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda. Esse autismo de classe não lhes permite ver as lutas de massas envolvendo centenas de milhares de trabalhadores de todas as áreas de actividade; nem a luta dos autarcas comunistas pela resolução dos problemas das populações; nem a luta dos deputados comunistas na Assembleia da República e no Parlamento Europeu - lutas que têm sempre como objectivo maior e prioritário a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País e que constituem sementes de verdade no combate à mentira e à desinformação sobre o PCP. E mostra a realidade que, apesar do silenciamento e da mistificação que pesam sobre o papel do PCP nessas lutas, ele vai sendo cada vez mais conhecido dos que, em número crescente, nelas participam e, porque aí encontram sempre, e sempre na primeira linha, os militantes comunistas, melhor se apercebem de quem está com eles e se bate pelos seus interesses e direitos em todos os momentos e situações.

Foi este Partido – combativo, generoso, revolucionário, sempre com os trabalhadores e o povo – que esteve presente no funeral de Virgílio Azevedo: nas lágrimas que corriam pelos rostos, no imenso adeus de punhos cerrados e erguidos, no grito que era o compromisso de dar continuidade à luta até sempre.
E essas lágrimas, esses punhos erguidos e esse grito expressavam luminarmente o conteúdo da vida do camarada Virgílio Azevedo: a sua participação activa e intensa, ainda muito jovem, na resistência e no combate à ditadura fascista; o seu empenhamento total na construção do Portugal democrático nascido da revolução de Abril; a sua constante e persistente dedicação à luta pela democracia, pela liberdade, pelo progresso e pela justiça social, pelo socialismo e pelo comunismo; a sua intervenção militante enquanto construtor de um partido comunista, revolucionário, com as suas específicas e intrínsecas natureza de classe, ideologia, princípios e características; a sua postura de homem bom, generoso, fraterno, solidário, que exercia estes valores a tempo inteiro - numa permanente disponibilidade de camaradagem e de amizade - e assim lhes conferia o conteúdo gerador da sua verdadeira dimensão humana e revolucionária – uma vida e uma maneira de ser e de estar exemplarmente sintetizadas nas palavras com que dele nos despedimos, no Alto de S. João: «PCP! A luta continua!»


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: